terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O TRAFICANTE DA INDONÉSIA É O JAMES BOND DA CLASSE MÉDIA

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A leitura do perfil do brasileiro fuzilado na Indonésia é interessante e não destoa do glamour que leva muita gente ao tráfico.

É uma vida de sonho, caso o traficante seja bem sucedido. Tal qual James Bond.

Mas os traficantes não entram nessa, salvo raras exceções, por necessidade. Entram pela sede do dinheiro fácil, pela ganância, pelo pouco apreço ao trabalho cotidiano.

Igualmente James Bond, o traficante mata. Bond tem "licença" para isso, concedida pela Rainha da Inglaterra. O traficante não tem a licença, ao menos, não a tem formalizada, pois sabemos da vista grossa que a grande maioria dos governos do planeta Terra, faz em relação a este assunto.

Ao ouvirmos a lição dos Racionais MCs, dizendo que pobre não tem pista de pouso pra trazer drogas da Colômbia, fica mais claro entender onde está o problema.

Me lembro que minha mãe me falava, quando eu era garoto, para tomar cuidado com as drogas. Droga era bom e dava o barato, por isso, viciava e era perigoso. Se me dissesse que droga era ruim e eu experimentasse e gostasse, ia achar que ela estava mentindo, que estava de sacanagem comigo. Daí, já seria tarde. Eu já teria provado tantas vezes, que ficaria viciado. É da essência do adolescente achar que os adultos não sabem nada. O jovem rebelde quer provar que ele sim, é quem sabe das coisas. Minha mãe optou pelo caminho certo e eu nunca cheguei nem perto de droga alguma. Fumei baseado uma vez. Me deu tanta dor de cabeça (sei lá o que tinha nele), que eu nem pensei em repetir.

Só que se ao invés de me apresentarem a droga para consumir, tivessem me apresentado a droga para vender, talvez a lição da minha mãe não tivesse servido para nada. Eu estava preparado para ouvir um único discurso do submundo, o da "viagem" e da "libertação" das drogas. Eu não estava preparado para ouvir o discurso das maravilhas que ser traficante poderiam me conferir.

Qual garoto da minha época não queria ser o James Bond? Viajar o mundo todo, ter lindas mulheres. Carrões. Usar smoking e ser bem humorado. Talvez eu tivesse sido presa fácil se o traficante tivesse me cooptado por essa via. 

Isso me levou a pensar diversas vezes, que as campanhas contra as drogas são capengas. Elas partem apenas para o lado do usuário. Antes elas era praticamente umas peças da Disney. Não atingiam o ponto em sí. Hoje, até mostram um cara definhando, sem dentes, com alguma doença fatal adquirida pelo compartilhamento de seringas ou lesões advindas das surras dos credores da droga. Mesmo assim, elas poderiam ser mais realistas. Sempre podem ser mais realistas.

Mas do traficante, pouco se fala. Até porque, boa parte das vezes, ele está bem entrosado na sociedade. A mídia, que por diversas vezes chamou o brasileiro fuzilado de "instrutor de asa delta", induz a imaginarmos que ele era um mané, que por uma fatalidade do destino, foi levado a traficar. Mas instrutor ele nunca foi. Ao contrário, reconheceu nesta entrevista, que sempre traficou. Que nunca fez outra coisa na vida que não fosse isso.

Talvez Marco Archer não tenha tido o vislumbre de imaginar quantas pessoas ele levou à morte. É que o tráfico, em certo grau, é glamourizado. Ele lembra das festas, das modelos, dos carrões. Mas não se lembra, ou se lembra pouco se importa, do que ocorre no submundo, até que a droga chegue ao usuário bacana, aquele que frequenta a alta roda, aquele que vai às festas em que ele está.

Archer se não fosse um criminoso contumaz, seria no mínimo, um otário irresponsável, filhinho de uma mamãe que nunca lhe impôs nenhuma responsabilidade.  Esse, eu acho, é o pior perfil do meliante. O meliante rebelde sem causa. Que faz o ilícito porque não tem mais nada pra fazer na vida. Porque não precisa trabalhar, ajudar em casa, pagar a escola.

É o passador/usuário admirado nas parábolas cariocas e do resto do Brasil, onde o cara bacanão, bem humorado e bonito, descoladamente, deixa a todos num barato e leva a vida na flauta. Mas como já dito, o problema não é ele. Ele poderia se matar de consumir drogas, que socialmente, teria pouca relevância. O problema é o rastro que ele deixa atrás de sí.  De mortes, de estupros, de pessoas queimadas nos microondas das favelas. Eu não sou de forma algum a favor da pena de morte, mas compreendo quando uma sociedade opta por ela para dar cabo justamente de quem dá cabo de sua família. É um grito de desespero, na realidade. 

Cada cidadão do nosso convívio, sabe onde está o problema maior das drogas. Sabe que não adianta prender o favelado que trafica crack se um cidadão viaja com meia tonelada de cocaína num helicóptero, e esse helicóptero é de um Senador da República, com seu piloto, em sua fazenda.

De quem era aquela meia tonelada de droga? Ninguém sabe. Eu também não sei, mas desconfio.

Esse lado horripilante e realista das drogas, a imprensa omite, reservando ao traficante miserável todas as penas, inclusive a permissão moral de ser fuzilado. Mas ao traficante ricaço e bem relacionado, nenhuma restrição séria é feita. Não são poucos os casos de famosos que bem se relacionam com essa gente. Como se pode esperar que a coisa seja séria, se a sociedade comum não pede realmente, punição a todos os bandidos?

A maior punição a um traficante, além da prisão, e ser retirado de circulação social. É ser condenado ao ostracismo moral, é ser refutado pelos amigos. Ao contrário, todos cientes de que droga é "bom", os que pouca responsabilidade têm na vida, andam de mãos dadas com essa gente. 

Logo atrás destes bon vivants, que compram drogas para abrilhantar suas festas à beira da piscina, vêm os viciados comuns. Os que sustentam o lado mais trash deste mundo, que é o das drogas pesadas, que aniquilam, definham e matam em pouco tempo. As cracolândias que todos odeiam são apenas o resto do consumo de drogas nos prédios chiques. Mas os dois lados são igualmente perniciosos.

Onde estão os pais e as mães que não criam seus filhos direito? A mãe rica, a mãe da classe média, e hoje em dia, até a mãe pobre, que entrega a educação para a escola, e se incumbe apenas de tornar fácil a experiência de seus rebentos, neste planeta. Como se a vida fosse um passeio sem fim.

Ilusório imaginar que o flagelo das drogas será vencido com a atuação da polícia e dos governos. Se não houver consumidores, não haverá traficantes. Se não houver traficantes, não haverá droga para se distribuída. Somente nestas duas pontas é que se resolvem os problemas. E não adianta enxugar gelo, achando que a cadeia ou mesmo a pena de morte impedem o cometimento do ilícito. O mundo tem dado mostras suficientes de que isso não funciona. 

O que impede a venda e o consumo das drogas é a educação vinda de casa. De familiares que efetivamente se importem. É mostrar ao bonitão que quer traficar que em primeiro lugar, ele pode até ganhar dinheiro com isso, pode até passar ileso pela vida toda, mas será que é esse realmente o caminho que quer seguir? É pra isso que ele serve, socialmente falando?

Só que isso só pode ser feito em casa. Em nenhum outro lugar. 

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O TRAFICANTE BRASILEIRO FUZILADO, O MIMIMI E O CARÁTER DO POVO.

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Nunca vou me esquecer quando há uns 20 anos, lí numa enquete na revista Veja, que o povo era contra o nepotismo, mas se pudesse contratar o próprio parente pra trabalhar com ele no serviço público, o faria.

Daí se filtram duas coisas. A primeira, é que há 20 anos, a Veja era uma revista possível de ler. E a outra, é que o brasileiro tem um defeito de caráter muito sério.

Quem lê esse blog sabe que eu não tenho amor nem ódio pelo Brasil. Adoro meu país, mas tento olhar para ele de maneira isenta, pra fugir dos estereótipos tão comuns, com os quais nos confrontamos cotidianamente.

A pena de morte é vedada pela Constituição brasileira. É cláusula pétrea e não pode ser modificada. Sendo assim, inútil discutir se deveríamos ter ou não a punição capital no país. Mesmo assim, de quando em quando surgem uns gritões que nunca estão contentes com nada, pedindo a mudança da lei, pedindo a volta da ditadura, pedindo que se emposse o Aécio, que perdeu as eleições.

No Brasil, assim como em boa parte das democracias, tem de tudo. Afinal, gente ignorante não paga imposto para ser assim. Portanto, proliferam rapidamente. Em lugares assim, colunistas de "grandes" jornais mostram eu nojo de pobres, "comediantes" de TV escancaram sua falta de leitura e de bom senso, políticos optam pelo quanto pior melhor, preferindo que o país vá a falência, só para que ele possa tentar tomar o poder. 

E o povo, esse eterno gado iletrado, dá guarida. 

Não o povo "bovino" que o Diogo Mainardi se referiu quando vomitou burrices contra os nordestinos. Não, o povo bovino das grandes metrópoles, da classe média, da tontería instalada que tudo quer do Estado, mas em nada quer contribuir. O bovino igual e ele, aliás, que faz o que uma certa casta de políticos manda, sem questionar, de maneira cega e servil. Mainardi, como tanta gente, é bom pra falar dos outros, mas é incapaz de se perguntar se o bobo da história não seria ele, por um acaso.

A gritaria da semana foi em relação à intervenção da Presidente Dilma em relação ao fuzilamento do traficante brasileiro preso na Indonésia. Claro, como é a Dilma, ela não poderia ter feito o que a lei e o protocolo MANDAM  que ela faça. Esses regulamentos dizem que é obrigatório que o país, que não adota a pena capital, tente convencer o país sentenciador a adotar a mesma punição que se adotaria aqui.

E fazem carnaval, esses descontentes de sempre. Tudo é um problema pra eles. Se a Dilma não fizesse nada, reclamariam. Se ela faz, reclamam. Se o mundo acabar, reclamam. Se ele não acabar, reclamam também.

Estou pra ver povo com mais mimimi que o brasileiro. Tá difícil tabular qualquer discussão ultimamente.  Tudo é um problema e curiosamente, a culpa é sempre do governo. Ninguém mais tem obrigação com nada, nem responsabilidade sobre coisa nenhuma. Se choveu, é culpa da Dilma. Se não choveu, a culpa é dela também. Outro dia ouvi de um cliente que faliu por pura incompetência, que a culpa era do governo que não o ajudou. Claro, não somos culpados de nada. Dilma é culpada de tudo.

E leia-se bem: D-I-L-M-A, porque a mesma sorte não se revela para os governantes tucanos, todos eles, tão despreparados quanto a petista, com um partido tão corrupto quanto o PT.

Sobre a pena de morte, venho perguntando há muito tempo aos meus pares, o que acham da implantação da medida para outros crimes, como receber aposentadoria do INSS no lugar do pai que já morreu, de enganar o cliente colocando formol no leite, de fuzilar os tucanos em praça pública por desvio de verbas. E digo tucanos, porque quanto aos petistas, eu já sei a resposta. As opiniões são sempre a favor, desde que o fuzilado não seja um parente ou amigo dele. Nem tampouco, um político de alta plumagem do tal partido que nunca, curiosamente, é investigado por nada.

Sei que é inútil falar, mas seria tão bom se o povo em geral, fosse um pouco mais estudado. Se tentasse um pouco mais se informar antes de falar bobagem, antes de mostrar que só se importa com a própria vida e pouco se lixa para o resto do planeta.

Dilma fez o certo tentando interferir contra o fuzilamento do rapaz. Fez o que Obama já fez também, mas como sabemos, o Obama pode, a brasileira não pode.

Os mesmos mimimis de sempre reclamaram até do Papa, porque ele disse que não se pode ofender a religião de ninguém. 

Preguiça dessa gente...

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

MARTA SUPLICY X PT. A NOVA MARINA

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Impossível passar indiferente pela entrevista dada pela Marta Suplicy ao Estadão, republicada pela Folha, e repingada por todo mundo.

Em primeiro lugar, porque ela é mesmo um prato cheio contra o PT. E com isso, os jornais que em algum momento são concorrentes, abrem mão dessa briga por um "bem maior", qual seja, desancar Lula, Dilma e todo o partido.

Tenho comigo que é uma lástima haver uma imprensa que tome esse tipo de atitude. Gente séria é séria sempre. Não é o caso do nosso imprensalão, naturalmente, que opta por candidaturas de maneira descarada, jogando fora o aspecto da isenção que deveria haver entre os jornalistas.

Mas ter uma imprensa pastelão é, e pelo jeito, sempre será a nossa sina. O brasileiro bem que merece uma mídia como a nossa, já que nunca fez questão de botar essa gente pra correr.

Marta que se sente desprestigiada faz tempo, dentro do PT, resolveu botar a boca no mundo. Quem leu a entrevista, talvez até tenha achado que não seja mentira tudo o que ela falou. E pode realmente ser verdade. Mas não é esse o ponto principal.

Que o PT se tornou ao longo dos anos uma cópia avermelhada (desbotada, na verdade) dos partidos da direita brasileira, é fato. Inclusive em corrupção, acho que ele não perde muito.

Ganha apenas no quesito social, o que é fato incontestável. Ganha também na intenção de não vender barato o Brasil, como queriam e ainda querem, os tucanos.

E isso significou ao longo dos últimos 12 anos, bastante crescimento e emprego. Com uma economia melhorada, o povo dá bem menos bola pra outras coisas, ao contrário do que ainda insiste em acreditar nossa nata jornalística, que pensa que também entende de gente, além de entender de todo o resto de nossa galáxia.

Só que não.

Bem, como Marta cansou de ser jogada para escanteio, resolveu sair atirando. E concordo com o deputado petista que disse que ela está criando um fato, pra poder se mandar do partido. Ela quer disputar a prefeitura de São Paulo de novo, e pelo andar da carroça, não será pelo PT, já que hoje ela não apita nada.

Aliás, tem gente falando que ela quer mesmo, disputar a Presidência em 2018 e já está marcando terreno. Se ela tem essa pretensão, acho que está louca. É muito evidente que ela não tem densidade eleitoral pra querer tanto.

Decerto que ela tem direito a fazer isso. Mas a forma utilizada, mostra que não foi só o PT que virou o cocho. Ela também virou. Ou será que ela realmente acha que além dos coxinhas de SP o povo acredita que só o PT é corrupto e os bem intencionados da sigla saíram "por não aguentar mais" tantos desmandos, como ela mesma disse?

Não Marta. Ingenuidade a sua, se você pensa assim.

Numa breve enquete que fiz com os porteiros do prédio do meu escritório, junto com a zeladoria e os atendentes dos restaurantes do lado, fiquei sabendo o óbvio. O povo sabe que ela quer uma boquinha em outra sigla porque no PT, conseguiu arranjar briga com todo mundo.

Naturalmente estou falando das pessoas que leram, ou souberam da entrevista. Até porque, tirando os mesmos coxinhas de SP, os blogueiros e alguns outros fanáticos por política, a entrevista dela não teve nenhum grande significado extramuros.

Marta é a nova Marina. O PT já produziu outras Marinas. Elas se chamam Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Esses, pra mostrar os queridinhos da mídia. Também produziu Marinas à esquerda como Luciana Genro e outros deputados do PSOL. O PT produziu Eduardo Campos também, que não era de suas fileiras, mas bebeu fartamente da popularidade de Lula.

Produzirá num futuro breve, se ele tiver "ânimo" pra se expressar, o Eduardo Suplicy, que nunca foi PT de verdade. Estava apenas filiado. Aliás, Eduardo e Marta, antes um casal, sempre transitaram mais confortavelmente dentro da elite paulistana do que no chão de fábrica do Estado.

Não que isso por sí, influenciasse o trabalho deles. Eu diria que influenciou bem mais o de Eduardo do que o da Marta, já que ele nunca saiu em defesa do partido, em seus piores momentos. Ao contrário, preferia ficar em cima do muro, cantando canções no púlpito do Senado. E claro, não se trata de ter que defender quem tá errado, só porque é do mesmo partido. Não. Inclusive nas questões nas quais o PT tinha razão e estava sendo escorraçado pela imprensa, ele optava por ficar quieto, se preservando das porradas que viriam contra quem ousasse desafiar o poder supremo da mídia nacional.

E como Senador, teve uma atuação à beira da inexpressividade, especialmente considerando o tempo que ficou por lá. Teve projetos bons, mas nada de fabuloso ou que tenha tido utilidade prática.

Marta por sua vez, fez uma gestão admirável na Prefeitura de SP. Foi derrubada por sua arrogância e incapacidade de politicamente, devorar quem a devorava. Ela foi dragada por ações impopulares que não precisavam ter sido tomadas e que foram ótimas para os prefeitos que a sucederam. O aumento de impostos e IPTU por exemplo, que colaram nela o apelido de "Martaxa", serviram o caixa do governo municipal e fizeram bem a todos que vieram depois dela. Porém, só ela levou a culpa. Esse erro, o Haddad também comete. Vai pagar o preço.

Mas Marta não é Marina. Ela é mais safo. Mas se engana que ela será tolerada pela imprensa que um dia a detonou. Ela será apenas usada como aríete, como todos os citados foram, até agora. Na hora H, o imprensalão puxa o tapete e reserva o lugar no segundo turno pra alguém do PSDB.

Além de tudo, Marta se esquece de uma coisa importante. Se quiser disputar a prefeitura de SP em 2016, concorrerá com um prefeito que também é admirado na periferia. E ela vai ter que falar mal dele e bem dela mesma. A oposição tucana claro, vai fazer questão de lembrar os podres que ela teve na administração dela e os incautos, sendo verdade ou não, acreditarão.

O trabalho de Haddad será mais fácil. Basta mostrar que ela está com dor de cotovelo. E se não fez antes, por quê fará agora?

A saída de Marta do PT, é um marco na política brasileira e sem dúvida, aponta para uma decadência do partido. É verdade o que ela disse, que se o partido não mudar, ele morre. Está aí a grande chance de o PT, se quiser sobreviver, se depurar.

Ao contrário, ele seguirá o caminho idêntico ao do PSDB, que teve a chance de ser o mais fantástico e renovador partido da República, a partir da gestão de FHC. Jogou no lixo a chance com mais coisas ruins do que boas em seu governo (exceto manter e ampliar o Real, que não foi criação sua) e por ter políticos em seu meio, (evidentemente), desceu ladeira abaixo. Foi se aliar ao pior da nação, que sempre foi o PFL.

Penso que o caminho dela será difícil e o que ela pretende, não conseguirá. Até porque, ela demorou tempo demais. O PT já sabe, antes mesmo de ela dizer, que precisa se reinventar, senão não fará o sucessor de Dilma. Nessa reinvenção, um dos pontos principais é não usar nomes batidos que possam ser alvos fáceis da imprensa. A construção de Dilma por Lula foi perfeita. Ele sabia que contra ela, por não ser política, nada apareceria. Já se usasse quaisquer dos nomes tarimbados do PT, seria destruído, porque se teve uma coisa de competente na oposição aliada à imprensa brasileira, foi a capacidade de destruir todo mundo que cercava Lula. O PT sabe que não adianta pegar os medalhões porque eles têm passado. E como no Brasil quase tudo mundo é culpado de alguma coisa, fica complicado.

Sendo assim, Marta não seria reaproveitada dentro do PT e também, não teria futuro fora dele. Ela se queimou sozinha ao longo dos anos e este tempo fora de cargos executivos, só serviu pra fazer com que ela levasse bordoada da imprensa (lembram do "relaxa e goza"?) sem ter como retrucar com alguma obra relevante.

Se o PT morreu como ela diz. Ela foi junto.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

CHARLIE HEBDO E OS TERRORISTAS

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Antes de virarmos todos Charlies Hebdos, acho saudável uma reflexão.

Por qual razão os outros atentados que ocorrem no mundo inteiro, inclusive os que aconteceram no mesmo dia não tiveram e não têm a mesma repercussão?

É só pelo fato de que os mortos são franceses brancos ou supostamente intelectualizados? É só pelo fato de os terroristas serem muçulmanos? E os que acontecem no Iraque, no Afeganistão, no Iemem e em tantos outros lugares? E os massacres perpetrados por mercenários pagos por Estados como Israel e Estados Unidos contra civís desarmados?

E quando o maluco que mata 77 pessoas é branco, nórdico, cristão, e comete o crime por motivos religiosos?

E as mulheres da Nigéria, estupradas e amputadas pelo Boko Haram? Por que não há camisetas dizendo "Je suis nigerienne" pra nos solidarizarmos com elas?

Por que muitos dos governantes que estiveram presentes na marcha em Paris em solidariedade aos mortos e em defesa da liberdade de expressão, não são a favor de parar de perseguir Julian Assange e Edward Snowden? Será que é só porque estes ilustres "criminosos" revelaram planos secretos de países, tramóias, corrupção de grandes nações, desestabilização de países e assassinatos? A liberdade de expressão e de imprensa nestes casos, não vale?

Porque a França, que é tão "libertadora" não pára de se aliar à Otan para bombardear países pobres, que nada têm além de petróleo ou gás? Ou será que é por isso mesmo que a Otan os bombardeia?

Não amigos, eu não sou Charlie. É uma revista que não sabe conviver com as diferenças. Ela também faz terrorismo, porém seu terrorismo é escrito. A consequência no entanto, das charges e dos dizeres que publica, transforma pessoas com cabeças vazias em potenciais malucos atiradores.

Sim, ao jogar um cristão contra um muçulmano, ao comparar uma ministra negra a uma macaca é sim, disseminar o ódio. Ódio este, que pode redundar em coisas muito maiores do que uma simples charge aparentemente inocente.

Todo radical é um insatisfeito, por natureza. Todo radical é em essência, um manipulado. Insatisfeitos manipulados são sempre um perigo. Instigar o ódio, para esta gente, tem o mesmo efeito que jogar gasolina na fogueira. Ou será que os terroristas que fuzilaram os Charlies não eram manipulados por alguém, que descarada ou discretamente lhes incutia um ódio irracional contra suas vítimas? O efeito da manipulação é o mesmo, não importa o lado manipulado.

A França é um país progressista. Talvez dos mais interessantes. Mas sua política, boa parte das vezes endossada pelos cidadãos, consegue ser tosca, quando quer. Há algum tempo se proibiu que as muçulmanas usassem o seu véu religioso nas escolas públicas. Isso é o equivalente a proibir que um cristão ande com um crucifixo pendurado no pescoço e vá à escola.

Ora, demonstrar a religião, é direito de cada um, especialmente se a pessoa o faz, na forma de vestimentas ou adereços, de modo pacífico e não intrusivo.

Os EUA há muito proibiram o uso de símbolos cristãos nas repartições públicas como por exemplo, as salas dos Tribunais. Isso é diferente de proibir o véu islâmico como fez a França. A mulher muçulmana demonstra sua fé através de uma roupa, que está sobre o seu corpo e não afeta ninguém, nem se utiliza de qualquer estrutura pública para isso. Um crucifixo pendurado na parede do Tribunal, aí sim, seria se utilizar do espaço público em favor de uma religião em detrimento de outra. A parede na qual está pendurado o crucifixo é pública, o corpo da mulher muçulmana não é. Ou seja, nesta seara, os EUA agiram certo, a França, agiu errado.

Assim, a França se acha republicana. Mas permite, na contramão, que uma revista publique conteúdo racista e xenófobo, a pretexto de respeitar a liberdade de expressão. Infelizmente, os EUA também permitem com base na Primeira Emenda.

Como já dito, Julian Assange e Edward Snowden também expressavam sua liberdade de informar, mas são perseguidos e tratados como criminosos, inclusive pela França e pelos EUA.

A título de comparação, no Brasil seria bem ao contrário. Aqui uma muçulmana pode usar o véu dentro de uma escola pública, pois tem o direito de demonstrar qual a fé que professa. Por outro lado, quando uma revista publica conteúdos como a da Charlie (e isso seja ostensivo) o Ministério Público haverá de processá-la, já que a Constituição veda qualquer tipo de ofensa à religiosidade alheia.

Não amigos, Charlie não era "inocente". Apesar de não merecer o destino que teve, está longe de ser uma revista inocente.

Ou será que a massiva (desde 2001) criminalização do seguidores do Islam é uma simples coincidência? Porque não falta gente que acredita realmente que, basta alguém ser seguidor de Alá, que isso o faz automaticamente, ser um terrorista.

Charlie é uma publicação que manipula, e é manipulada, também. Charlie, resumindo, tratava a todos os seguidores de Alá, como criminosos e terroristas. Charlie zombava de sua fé, coisa que não se pode fazer, caso você se intitule um democrata incentivador das liberdades individuais.

Sim, Charlie fazia troça com todas as religiões. Mas o fato de seu corpo intelectual ser ateu, não significa que possa ofender quem não é.

Infelizmente, no mundo de hoje em dia, tudo se resume a, "de que lado você está", porque somos quase obrigados a estar de "algum" lado.

Não, comigo não. Eu não sou Charlie, mas também não concordo com os terroristas. Tenho cérebro, e posso usá-lo pra pensar, ponderar e refletir. 

Quem aí acha que esse recrudescimento dos governos contra os muçulmanos é uma mera consequência dos atentados, que me desculpem, mas deveria comprar alguns livros de história recente.

Não estou dizendo que seja o caso, mas há inúmeras ocorrências na história, de atentados de "menor grau" que se transformam em estopins para serem iniciadas guerras. E como sabemos, nunca é o povo que ganha uma guerra, esteja ele, do lado que estiver. Governos ganham ou perdem guerras. O povo, perde sempre.

Os atentados de 11 de setembro, podem até não terem sido ocasionados pelo governo americano (apesar de muita gente importante achar que foram), porém, inegável que ele se aproveitou deles pra fazer o que bem quisesse, inclusive bombardear o Iraque, alegando que eles tinham armas de destruição em massa, coisa que como o planeta todo sabia, era mentira.

Após os atentados das torres gêmeas, era impossível andar numa cidade americana com um turbante islâmico na cabeça, sem ser agredido ou ofendido.

Houve uma clara distorção que confundiu as pessoas. Os muçulmanos passaram a ser confundidos com terroristas e o governo americano foi 100% responsável por esse engano.

Clamo para que o cérebro da maioria funcione. Hoje em dia é bem mais fácil rastrear a informação de quem ganha e quem perde com uma ação como essas. Ou seja, antes de ficar vestindo camisas de eu sou isso, eu sou aquilo, vale a pena dar uma rápida googleada pra se informar melhor.

Está na hora de sermos bem menos, massa de manobra, como temos sido até agora.

Condenar os atentados é uma coisa, que eu também condeno. Me incluir nesse grupo do "somos Charlies" é outra bem diferente. Apoiar eventos contra muçulmanos, então, tô fora. Mesmo que você seja ateu, não tem o direito de espinafrar e humilhar quem não é.

Eu sou cristão e condeno muito minha própria religião pelos crimes que cometeu ao longo da história, e pelo amontoado de besteiras que são faladas em cada missa dominical, mas se tem uma coisa que Cristo em pessoa, dizia (nas palavras e parábolas dele) era, respeite a todos, independente de quem são e qual fé professem. 

Mas hoje parece que o povo tem medo de não pertencer a um grupo, qualquer que seja, ele. Por isso vão se metendo em apoios insanos como esse. Não sou Charlie, e nem quero ser. Não preciso.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

DIREITO DE SE EXPRESSAR NÃO É DIREITO DE OFENDER

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Existe uma coisa sobre a qual deveríamos todos prestar muita atenção. É o emburrecimento crônico da sociedade. 

Não é possível fazer um recorte histórico para saber com certeza, quando as pessoas foram mais burras. Se no passado, ou agora. Mas é fato que a falta de critérios razoáveis para embasar qualquer discussão chegou a um nível de pobreza, que honestamente, dá preguiça conversar com determinadas pessoas, sobre quase qualquer assunto.

A barbaridade do momento foi o atentado ao Charlie Hebdo. Quando se tenta mostrar que o jornal não era santo e que no mínimo, provocou o próprio destino, nos acusam de coadunar com a violência. É de um pauperismo intelectual brutal. Dizem alguns que estamos culpando a vítima, tal qual não se pode fazer no estupro. 

Ora, ora. São casos completamente diferentes e só se utiliza de um exemplo como esse, quem não tem a menor noção do mundo no qual está vivendo. Acusar a vítima pelo estupro é estapafúrdio porque ela, ainda que estivesse "provocando" o criminoso, estaria fazendo isso na esfera privada que é para todos os efeitos, indevassável. Quando uma pessoa "provoca" a libido de alguém o faz dentro de seu legítimo direito, direito esse, similar ao da própria existência. Usar roupa curta, perambular por determinadas regiões só pode ser considerado "provocar", por uma mente igualmente perturbada. Quando uma mulher usa uma roupa curta, não o faz dizendo "ok, venha me estuprar porque é isso que eu quero, afinal estou de roupa curta". Ela apenas se mostra, o que nenhum problema tem. Esteja ela adequada ou não ao ambiente em que se encontra, a suposta provocação não pode ser entendida como uma permissão nem uma justificativa. Ou seja, NÃO É uma provocação. 

Do mesmo modo, não se pode considerar razoável que um torcedor usando a camisa de seu time, seja espancado até a morte, simplesmente por causa da vestimenta.

Por certo que a violência nunca se justifica. Um torcedor não pode ser surrado por expressar seu amor ao time, quando faz isso de maneira coerente e respeitadora, estará sempre coberto de razão. Por outro lado, se ao vestir sua camiseta e ao expressar sua torcida, a pessoa venha a agredir o adversário, verbal ou fisicamente, a situação alcança outro patamar. Ela estará efetivamente dando causa à resposta do agressor. A resposta do agressor não o exime do crime, e não o isenta, como imaginam alguns. Porém, dar causa a um delito, também é merecedor pela lei penal, senão de sanção, ao menos de reprovação.

Por isso que nos casos extremados de brigas de torcidas, normalmente ambos os lados são punidos. Por que se provocam mutuamente, e não se respeitam. Já no caso de um estupro, a menos que a vítima colocasse uma arma na cabeça do estuprador e o obrigasse ao fazê-lo, ela não poderá nunca ser punida nem censurada.

E o caso da revista Charlie vai exatamente nesta linha da provocação extremada. Era uma  revista racista e intolerante, que se escondia atrás de um suposto pensamento de esquerda e da liberdade de expressão que as Constituições dos países chamados civilizados, lhe conferem.

Chamar através de charges uma ministra de macaca só porque ela é negra, não encontra justificativa na liberdade de expressão. Liberdade de expressão seria discordar das atitudes da ministra enquanto profissional, dentro da razoabilidade e da coerência.

Fazer uma charge onde Jesus Cristo aparece currando Deus, ou um muçulmano que aparece defecando na própria boca, não pode ser visto como mera liberdade de expressão. 

Direito de se expressar não é direito de ofender, gratuitamente, outras pessoas, naqueles valores que lhe são mais caros.

A imprensa e a população, apressadamente como é de costume numa sociedade midiática como a nossa, vestiu a camisa do Charlie Hebdo, como se fossem os mais injustiçados da história. Evidentemente, evidentemente, evidentemente (direi isso mil vezes se necessário) que não se justifica uma chacina por causa disso, mas se compreende o nexo causal. Se os mortos da Hebdo estivessem vivos e fossem a um hipotético tribunal, os atiradores terroristas seriam sentenciados pelo tiroteio, e os provocadores, pelo crime de injúria racial e religiosa.

Os Charlie Hebdos, apesar de claro, não merecerem o fim que tiveram, jamais poderiam ser considerados absolutamente inocentes e injustiçados.

Mas como no início deste artigo dissemos que no mundo de 2015 é quase impossível que as pessoas tenham um tendência a fazer análises isentas, acabamos derivando para o trololó de sempre. Ou se está deste lado, ou se está daquele lado.

O The Independent da Inglaterra disse que os cristãos atiradores da Noruega, nunca tiveram que se desculpar pelo atentado horroroso que um extremista executou, só porque o maluco usava o nome de seu deus pra isso. Da mesma forma, os muçulmanos não tem nada a ver com os ensandecidos que mataram dez na França. (veja aqui, em inglês). Afinal, não estamos falando de religião, estamos falando de gente doida.

Dito isso, vemos proliferar na mídia falada, escrita e cibernética, os fanfarrões de sempre, sempre dispostos a tirar uma casquinha de qualquer evento, e capitalizá-la da melhor forma possível. 

Rachel Sheherazade pode ser fisicamente atraente e ter um rostinho até bonitinho, mas tem uma mente perigosa. Se utiliza de uma situação triste e preocupante como esse atentado, para comparar o ocorrido à liberdade de expressão que é "ceifada" (na visão dela, claro), da revista Veja.

Uma revista que ao estilo da Charlie Hebdo, não se utiliza da razoabilidade nem da coerência para fazer críticas. Se utiliza somente da intolerância e da falta de critério intelectual de uma parcela de seus leitores. Mas como o jornalismo empobreceu, alguns dos representantes dessa então nobre classe, optaram por estender a lona de um circo, pavoneando-se no picadeiro à cata de quem os ovacione. 

Haverá, como de fato há, quem o faça. 

Um ilustre desconhecido do ramo da prestação de serviços, sempre me disse que muito mais importante do que a quantidade de clientes que se tem, o que vale é a qualidade. O ignorante é facilmente cooptado por outro circense que lhe pareça mais apropriado para o momento, de modo que o palhaço velho, é largado à míngua tão logo seja trocado. A audiência qualificada por outro lado, acompanhará o artista enquanto ele for merecedor de honrarias.

Mas para que isso se perpetue, o artista como dito, tem que ser MERECEDOR. Ou seja, ele tem que ter qualidades. O que nossa imprensa tem demonstrado a cada dia, que pouco tem.

Sheherazade mostra com sua defesa, a priori, da Veja, sem que sequer houvesse algo a ser falado nesse sentido, que é no modesto entendimento deste escriba, uma jornalista em fim de carreira, apesar do pouco tempo que tem de exposição até agora. 

Se embebeda nos 15 minutos de fama que Andy Warhol falou. Logo ela será esquecida porque será sobrepujada pela bobagem que diz a cada dia. E como bobos não faltam no mundo, sempre haverá alguém para substituí-la.

Sua claque continuará perambulando à busca de um novo rostinho e de uma nova voz que espelhe sua intolerância e virulência.

Como sabemos, vírus criados em laboratório, no início infectam as cobaias, depois os alvos. Num momento posterior, se espalham e atingem a todos, sem nenhum critério.

Sheherazade, Hebdos e outros como eles, deveriam levar isso em consideração.

Mas acho que seria pedir demais, uma coisa dessas.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O CONCURSO DA PETROBRÁS

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Tá esperando um concurso da Petrobrás ou de outra estatal brasileira? Então leia estes escritos.

Hoje, vivemos num mundo de especialidades. Tudo é gourmet e bonito. Atendentes do Pão de Açúcar estão sempre felizes mesmo com um salário baixo, comerciais dizem que os funcionários dos Postos Ipiranga são "os mais qualificados" levando você a imaginar que frequentaram a faculdade pra aprender a trocar o óleo do seu carro. Não existe mais um ordinário pão com mortadela. O que se tem hoje é uma baguete vinda de supersônico de Provénce, chegando ainda quentinha à padaria, e servida com a mais deliciosa mortadela italiana.

Quando os americanos demitem alguém, eles dizem "I have to let you go" (eu tenho que deixar você ir) e não, "eu estou demitindo você". Ora, o cara não estava pedindo pra sair, então o patrão não está deixando o cara "ir" e sim, lhe dando um pezão nos "quadris" (como disse uma colunista cheirosa e limpinha outro dia, pra não falar "bunda", que é muito feio).

Num ambiente tão certinho, instalou-se, como não poderia deixar de ser, a ditadura dos "especialistas". 

Assistindo aqueles filmes americanos de tribunal, aprendemos que a maneira mais fácil de desmontar a versão de alguém, é desacreditando a pessoa. Assim, se a testemunha diz que o acusado parecia "perturbado aquele dia" em que matou oito pessoas, o advogado de defesa perguntará se essa testemunha é psicóloga ou psiquiatra, pra ter o conhecimento técnico que lhe dê as credenciais adequadas pra afirmar se o fulano estava mesmo perturbado. Não basta olhar na cara do cidadão e ver que ele tinha sangue nos olhos e um machado na mão.


A mesma lógica vemos no imprensalão. Quando você quer que a notícia que você está dando seja levada a sério, o que você faz? Chama um "especialista" no assunto. E só veicula a opinião dele se ela naturalmente, for igual à opinião do dono do veículo de informação. Se o "especialista" pensar diferente, ele naturalmente não será ouvido, e caso a entrevista seja ao vivo e ele discorde do entrevistador, seguramente não será chamado uma segunda vez para dar opinião.

Semanas atrás vimos em alguns veículos de mídia, que o megaespeculador George Soros (que eles costumam chamar carinhosamente de "megainvestidor") comprou muitas ações da Petrobrás. Soros é o mesmo que quebrou no final dos anos 90 a economia da Malásia (veja aqui, em inglês), espalhando boatos para comprar moedas e ações na baixa, pra quando elas subissem, ele ficasse ainda mais trilhardário.

A Folha estampa em uma manchete escondida na página de economia, que Soros ao comprar ações do petróleo brasileiro, agia na "contramão" do mercado

Fiquei na dúvida se o jornalista em questão sabe o que é mercado, ou se ele apenas está sendo sacana. 

Soros movimentou o mercado para que as ações caíssem, e eles as comprasse. Ou por acaso alguém acha que ele é estúpido de comprar ações de uma empresa que está à beira da falência?

Mas Soros não está sozinho neste intento. A Petrobrás e algumas outras empresas deste quilate ao redor do mundo, despertam o mesmo interesse em diversos megaespeculadores.

O que precisamos ter em mente é que uma companhia estatal de petróleo, em qualquer país do planeta Terra, jamais irá à falência. Ao menos, não nos próximos 100 anos. Ela pode ser vendida por qualquer motivo, menos falência. O petróleo é e ainda será por décadas e décadas a principal fonte de energia não renovável a movimentar o mundo, simplesmente porque o poder econômico por trás das empresas que o exploram, é alto demais. Ou por acaso alguém aí acha de verdade que a Shell, a Texaco, a BP, a Total e tantas outras simplesmente acordarão amanhã e falarão "vamos deixar todo o dinheiro que já gastamos e o que ainda podemos ganhar, pra lá. Vamos começar do zero em prol do meio ambiente. Vamos voltar a ser classe-média por um mundo melhor".

Seria meio ingênuo pensar assim.

Mas a mídia quer que você acredite realmente, que o Pré-Sal não é interessante. A partir do momento que ele for desinteressante, farão você ficar indignado com um governo que gasta dinheiro com ele, ao invés de pagar os juros da dívida pública. Daí o que você fará nas eleições, quando estiver devidamente doutrinado e indignado? Dirá que não vai votar no candidato que não quer privatizar esta empresa inútil, que é a Petrobrás.

A quantidade de ataques especulativos sofridos pela Petrobrás nos útlimos anos, é fenomenal. O de 2014 superou em quantidade e longevidade a todos os outros, pois todos os anos, sistematicamente, eles ocorrem.

Como já dito, tudo isso tem endereço certo. Forçar o governo a privatizá-la. Basta lembrar que ela quase foi vendida pelo Príncipe, perto dos anos 2000. Não conseguiu por fatores alheios à sua vontade.

O livro do astrólogo que se auto intitula filósofo, Olavo de Carvalho, chamado "O mínimo que você precisa saber pra não ser um idiota", não fala, mas deveria falar, que o mínimo mesmo, não é ler o livro dele, já que a regra é que, caso você leia, é porque já é oficialmente um idiota. A regra principal é acordar de manhã, se olhar no espelho e pensar. "Eu estou com cara de trouxa hoje? Pois se estiver, alguém vai querer me enganar".

Minha mãe me critica: "Mas você acha mesmo que tudo o que sai na imprensa é mentira?". Não mãe, claro que não. Só o que vale a pena ser mentido. O resto, como o assalto do consultório do dentista, ou o raio que caiu na praia, não precisa ser manipulado, pois não tem interesse financeiro.

Nossa mídia, que é pena de aluguel, e em relação a assuntos importantes, dá a notícia que lhe convém, vai tentar fazer você ter cara de trouxa. Daí vai te enganar mais uma vez. Cabe a você não cair nesse conto de fadas.

Ah, quase ia esquecendo. O que tem o título deste post, "o concurso da Petrobrás" a ver com tudo o que eu disse? Quase nada. Apenas fique atento para o caso de você pretender entrar na empresa. Se ela for privatizada, você estará no olho da rua, sem estabilidade, assim como aconteceu com TODOS os bancos estatais que foram vendidos.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

NAVIO ENCALHA NO REINO UNIDO. DILMA NÃO PRESTA.

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Os militares tinham muitos defeitos, como por exemplo, achar que era certo arrancar o braço de alguém, ou suas unhas, ou dar choque, só porque fulano discordava de sua maneira de ver o mundo.

Mas até onde me lembro, entre os defeitos dos milicos, não estava o de achar que o Brasil era o pior país do mundo em tudo.

Esse é um fenômeno bem mais recente, fruto provável do excesso de oitivas dos comentários de Arnaldo Jabor e da substituição exagerada de livros de história, por revistas de ESTÓRIA, como a Veja, por exemplo.

E olha que o país dos anos 70 e 80 era bem pior que o de agora.

A notícia do quadro acima não se deu no Brasil, mas sim, na Grã Bretanha. Lá, ao que tudo indica, alguém foi imprudente e permitiu que os carros embarcados no cargueiro, deslizassem, levando o navio a inclinar. Triste mas como sabemos, shit happens.

É que quando saiu a notícia no UOL, o rapaz à minha frente na fila da padaria, a leu no celular. Antes de saber exatamente do que se tratava, falou alto para o colega ao lado "ó o lixo dos portos brasileiros. Mas dinheiro pra Cuba, tem". Instigado, peguei o meu e fui procurar a mesma notícia. Ao ler, ví que se tratava do Reino Unido. O colega do revoltado advertiu para o erro. "Ah, é", foi a lacônica resposta. E ambos ficaram calados até chegar sua vez de pagar os pães.

Ao voltar para casa após os afazeres diários, me incomodo com a quantidade de buracos nas ruas da minha cidade. Soube que a prefeitura foi questionada sobre o fato e o que o representante do alcaide usou como desculpa, foram as chuvas. Bem, novamente trazendo os bretões para a luz, eu soube que em Londres também chove muito, mas não vemos tantos buracos nas ruas.

O que acontece é que no Brasil, a mídia é seletiva. Ao questionar a administração de um prefeito que "joga no mesmo time", a imprensa não argumentará que as chuvas não podem ser culpadas pela buraqueira na cidade. Porém, poderá, caso o mandatário não esteja na lista dos protegidos.

Bem parecido com o que a Veja fez em 2010 e em centenas de outras capas. Quando o governante era de um partido amigo, a culpa era do além, quando era de um inimigo, a culpa era do político que evidentemente, claro, seguramente, sempre tinha algo a ver com o PT.  Clique aqui para relembrar a façanha.

E como a mídia manda pensar assim, os acéfalos, naturalmente, fazem como lhes fora ordenado.

Não se trata de defender A ou B. Se trata de ter que aguentar o expediente patético e diário de besteiras, propagado por quem não tem nem vergonha de ser ridículo, assumindo esse tipo de comportamento direcionado.

Particularmente se fosse comigo, eu teria vergonha de ser tão tacanha. Mas ao que me consta, muito menos gente tem vergonha de ser tido como imbecil, do que a OMS consideraria razoável.

Hoje me lembrei das pauladas que Ciro Gomes deu no delivery boy da Veja. O vídeo circula pela internet há algum tempo e dá demonstração clara de como é fraco e orientado o nosso jornalismo.




Esta semana ouviremos mais outra gritaria das mentes doutrinadas. Desta vez, contra a regulamentação da mídia. Dirão que é censura.

Claro, nossa imprensa não quer ser incomodada com nada, nunca. Ela acha que tudo pode. Mesmo que o mundo todo civilizado, pense diferente. Os EUA, a Inglaterra, a Suécia, até a Argentina colocam freios e obrigações para a imprensa. Aqui, o próprio jornalista acredita no trololó do latifundiário midiático, de que se trata de cerceamento de liberdades. Nas redações, levam chicotadas e ainda oferecem as costas.

Mas se revoltam sem saber por quê, quando as Casas Grandes mandam levas de 80 jornalistas embora, de uma só vez.

É que deveriam ensinar a ter discernimento na faculdade. Mas não ensinam. E e assim segue o barco. Dando preguiça cada vez maior de tentar argumentar com zumbis.

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domingo, 4 de janeiro de 2015

2015: O FIM DA UTOPIA

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Eu não tenho grande conhecimento sobre os países nórdicos nem do Japão, por exemplo. O que sei desses lugares, é o que me contam alguns amigos que moram por aquelas paragens, somado ao que vemos em uma notícia ou outra.

Por outro lado, sei muito mais como funciona o chamado "ocidente" (de acordo com a nomenclatura adotada pelos Estados Unidos e seus aliados). Neste lado, vejo que as coisas têm piorado substancialmente ao longo dos anos, em alguns aspectos.

A América Latina vem experimentando um crescimento social e econômico nunca antes visto. Tirar gente da pobreza, dando escola e emprego, não tem preço. Sendo assim, para o que pretendo falar hoje, vou retirar a maior parte de nosso querido continente, deixando apenas, para efeito de comparação, o Brasil, a Argentina. É que gostaria de falar sobre o rompimento do tecido social no mundo atual, coisa que eu tenho a impressão, vem acontecendo.

Dessa forma, coloco lado a lado o Brasil, a Argentina, os EUA e a Europa Ocidental. Coloco também a Rússia, com sua grande extensão eurasiana e claro, a China.

É que todos estes citados, têm sido vistos como atores importantes no quesito econômico. Exceção feita aos nossos irmãos argentinos, que aguentam uma pesada crise já há muitos anos, os Brics, Europa e os EUA indubitavelmente, direcionam o planeta hoje em dia, no que se refere à economia.

A Argentina, apesar de hoje em dia não ter um peso tão grande quando se fala em geopolítica e economia, sempre foi vista e tida como um país progressista. Talvez não seja coincidência serem argentinos o Che, o Papa, o Maradona e tantos outros. Talvez seja a água que sirvam nos pampas, eu não sei. Tem algo por lá que torna nossos amigos felizmente, sempre descontentes e querendo avançar.

Mesmo querendo avançar, ela parece cair em algumas armadilhas de vez em quando. A escolha de Raul Alfonsin e de Menem, por exemplo, mostram bem isso. Conscientemente esses mandatários jogaram seu povo à margem da história importante que sempre tiveram, e à margem do desenvolvimento.

Assim, vejo com tristeza que ao longo dos anos, encontrei em Buenos Aires, aquela que gosto de chamar de minha segunda cidade, um abandono e um desapego, sem precedentes. Em 2004 por exemplo, tão logo cessaram as retiradas de presidentes do poder, que nada faziam, eu praticamente não via pichação pelo lugar. As que existiam, eram com tons políticos, o que traduzia uma consciência coletiva muito forte. Independente do fato de os argentinos escolherem bem ou mal seus governantes, era inquestionável que ao menos, eles se preocupavam com isso. Hoje, se vê uma cidade muito mais largada, um país muito mais abandonado e sem esperança. Pobreza a América Latina sempre viveu. Antes porém, parecia que havia um norte, algo a perseguir. Hoje, a apatia tomou conta.

Também é assim no Brasil. Retiramos milhões da pobreza. Saímos da 15° economia para a sétima. Seremos superado pela Índia, claro, mas é inexorável afinal, eles tem 1 bilhão de consumidores. Só não se tornaram grandes até agora como a China, porque seus governantes são muito piores do que os nossos jamais foram.  Não obstante, o que vimos no Brasil este ano de eleição, foi um espetáculo bizarro através do qual aflorou o nazismo, o preconceito de classe, e a profunda incapacidade de nossas chamadas "elites", em conviverem com a democracia e com a inclusão social dos pobres. 

Ficou muito claro que os que gostam de se imaginar como "formadores de opinião", acham que o certo é que o Estado funcione somente para eles e para seu bem estar. Pouco se lixam para o resto. Mas vão à igreja todo domingo e acreditam piamente serem dignos de se chamarem "cristãos".

Nossos expoentes da classe média pra cima, adoram ter os EUA como referência em tudo, mas naquilo que importa, eles simplesmente se negam. Nos anos 30, através do New Deal e da metade da década de 40 pelo Plano Marshall, os EUA promoveram a maior inclusão social já vista neste planeta. É verdade que em relação à Europa o Plano Marshall cobrou um preço considerável, mas não há que se negar que a pobreza extrema foi erradicada e muita coisa mudou por lá.

Mas hoje os EUA e a Europa passam por um desânimo assustador. Após a crise de 2008, que foi causada pelo desleixo dos governantes americanos e europeus (em menor grau), não se viu uma vontade de realmente mudar. Obama ganhou a eleição empurrado pela vergonha nacional dos desmandos em seu sistema financeiro capitaneados por Bush filho, mas que vinham desde Ronald Reagan. Só que ao chegar ao poder, Obama percebeu que quem manda mesmo, não é ele, nem nunca foram os ocupantes da Casa Branca. Quem manda na América e por consequência em quase todo o mundo, são os lobbies das armas, do mercado financeiro e do petróleo. Eles tornam o mundo o seu quintal privado e o povo, quase nada vê, disso. É que para que o povo visse, ele precisaria ser informado, ter discernimento. Coisas impossíveis como é muito fácil de se notar, bastando para isso, dar uma breve passada nos livros de história.

Esta semana lí um artigo interessante em um site russo (evidentemente traduzido para o português lusitano). No artigo um professor havia pedido para seus alunos dizerem do que sentiam falta da antiga União Soviética. Sem disfarçar seu anticomunismo, o professor pretendia ao longo do texto, desqualificar algumas coisas do regime bolchevique, porém, também sendo saudosista quanto a outras. Já nos comentários ao artigo, é que se encontravam as verdadeiras pérolas. Neles, o povo de verdade falava o que sentia falta. Ele se mostrava saudosista não só da saúde, educação e do emprego que a todos alcançavam, mas também sentia falta a gleba, do espírito de comunidade, da vontade de evoluírem juntos e chegarem a algum lugar.

Na Rússia, o tecido social também se rompeu. A utopia acabou.

A China, o maior motor da economia mundial também vem observando uma corrida sem comparação pelo crescimento econômico. Nenhum outro lugar produz tantos bilionários por ano, nem tampouco, inclui tanta gente na classe média. Porém, o espírito de união descrito no Livro Vermelho parece que sequer é considerado atualmente. 

Incluir pelo consumo é importante e surte resultados imediatos. Não é necessário esperar décadas pela mudança de pensamento da população, coisa que nem sempre acontece. Porém, incluir pelo consumo transforma o humano em um prioritário egoísta. Quando ele se preocupa com sua família já é um avanço.

Como se muda tudo isso? Bem, a mudança tem que vir de cada um, rico ou pobre. Não é possível achar que chegaremos a algum lugar sendo movidos meramente pelo intuito do ter, e não do ser. É preciso resgatar aquela parte da cultura hippie que via sentido em alguma coisa, que compartilhava, que queria o fim da guerra.

Só que como bem apontaram alguns céticos posteriores aos anos 60, boa parte dos hippies viraram o cocho e os que puderam, se transformaram nos yuppies dos anos 80, que são os precursores e responsáveis em parte, pela atual alienação socioeconômica do planeta.

A mudança só virá quando nos educarmos. E essa educação não é aquela da escola. É aquela que se aprende em casa à mesa de jantar, com a tv devidamente desligada, ouvindo parábolas dos adultos. Mas para que esses adultos tenham o que passar a seus filhos, é essencial que eles também sejam educados.

Mas quem os educará se seus professores, se seus pais que deram duro na vida, na lavoura, no navio imigrante, já morreram?

É algo pra se pensar e ao fim, optar pela mudança individual. É um trabalho formiguinha, mas acho que vale a pena.

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sábado, 3 de janeiro de 2015

O TOMARA-QUE-CAIA DA DEBORAH SECCO

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Há muitos anos não assisto televisão. Com exceção dos jogos da Copa do Mundo ou em alguma situação de absoluta anormalidade, meu aparelho serve tão somente para ver filmes, plugado no computador ou em vídeo por streaming.

Assim, tirando a falecida Copa, devo sem nenhum exagero, ter ligado minha tv em algum canal aberto (naturalmente, não tenho cabo) umas 8 vezes nos últimos 4 anos. Nesse esquema, já estão incluídos os debates para as eleições presidenciais e para as municipais de 2012.

Existe já no imaginário popular, que televisão é lixo. Mesmo assim, as casas continuam deixando ligados seus aparelhos, as vezes, mais de um em cada residência, em cômodos distintos, assistindo todos ao mesmo canal. Antes se emburrecia coletivamente, todos na sala à mesa do jantar, vendo o famigerado Cid Moreira nos dizer o que era certo e o que era errado. Aparelho de tv era um negócio caro para se ter mais de um em casa. Hoje somos doutrinados individualmente, cada um em um quarto.

A justificativa que eu mais escuto para a insistência em lhes dar audiência é, "televisão não tem nada de bom, mas vou assistir o quê?"

Naturalmente para o cidadão comum, que tantas vezes muito se assemelha ao bovino puxador de arado, a hipótese de "não assistir nada", não existe. 

É uma pena que tenhamos chegado a esse nível de fraqueza mental. 

Prova do que se converteu essa máquina de acéfalos é que numa eventual penhora de bens, os juízes não deixam levar as televisões por ser um aparelho considerado de primeira necessidade. Pra mim, isso é um absurdo.

Hoje em dia no entanto, vemos a audiência televisiva diminuindo e dando lugar para a internet. A rede já tem mais visualizadores do que a tv tradicional. Antes de ficarmos atônitos com essa boa notícia é necessário ponderar os dados. A foto acima, que é o print screen do UOL de 3 de janeiro mostra bem que não há tantos motivos assim, para comemorar. O instinto da subserviência e a preguiça de pensar ainda imperam nas sociedades mundo afora. Infelizmente, não é exclusividade brasileira deixar o encargo de conduzir o nosso saber, a terceiros. Isso é coisa do humano em geral cujo cérebro, na maioria das vezes, nunca chega a ser tirado do plástico durante toda a vida de seu possuidor. Fica lá, fechadinho e preservado para a eternidade, sem sofrer bombardeios mil que o façam raciocinar. O indivíduo padrão, se abastece do conhecimento fornecido somente por um cordão umbilical. Esse cordão costumeiramente entrega poucas variedades de nutrientes. Os mais comuns em terras brasileiras são kits de sobrevivência contendo Doses cavalares de Jornal Nacional, Novelas, Caldeirão do Huck e Faustão. Uma maravilha para quem quer deixar o cérebro intacto para todo o sempre, aguardando talvez, algum futuro estudo que aponte de maneira indelével, como era possível no século 20 e 21, passar a vida toda sem produzir grandes dilemas mentais, questionamentos ou quebrar paradigmas.

Num almoço de família dia desses, fui confrontado por uma amiga antiga de minha mãe. Ela fez as tradicionais observações sobre a corrupção na Petrobrás e eu disse que ela, apesar de estar correta, estava defasada, pois sabia apenas um lado da história. Notadamente a informação de que o PSDB fora o partido que mais recebeu verbas das propinas. Ela, sem nenhuma surpresa minha, falou que não tinha visto essa notícia, apesar de assistir ao "jornal" todo dia. Ora, ela não viu porque a Globo não falou. A Veja não deu e a Folha escondeu. Assim, como ela infelizmente faz parte da grande massa que puxa o arado, nenhuma informação de relevância lhe será destinada. Especialmente pra ela, que assiste a todas as novelas e todos os jornais até a hora de dormir. Em outras palavras, se não deu  na Globo, não existe.

Mas se você está lendo mais este desabafo, é porque provavelmente já sabe disso e possivelmente, não concorda com a forma que as coisas são. Mesmo assim, fique sabendo que a culpa de termos essa imprensa ridícula e medíocre, também é sua. É nossa, aliás.

O que devemos fazer? Se não dá pra mudar a cabeça dos mais velhos, é muito importante ao menos, tentarmos educar nossas crianças. Não somente a diminuir a quantidade de televisão, mas também, como elas provavelmente estarão mais ligadas à internet, ensiná-las a filtrar e questionar o que acessam na rede.

Uma notícia da Deborah Secco arrumando o tomara-que-caia é muito mais do que uma não notícia. É uma afronta, uma zombaria ao ser humano. Os veículos que propagam esse tipo de estupidez, capitaneados por editores (jornalistas) descerebrados, só podem estar rindo do público, enquanto tomam seu cafezinho no corredor.

"E aí, eu estampei a foto da Deborah ajeitando a roupa e coloquei isso na primeira página!". Seguramente depois desta esta frase, seriam ouvidas diversas gargalhadas. Ao final do último gole, o genuíno espertalhão que ganha a vida dessa forma sofrível, volta para sua baia e continua a garimpar inutilidades para jogar ao público. É triste, mas é o sistema. Ele faz porque precisa do salário. Mas e audiência assiste por qual motivo?

É fato concreto que enquanto não modificarmos a forma passiva de nos ligarmos aos canais informativos, nada de substancial acontecerá neste planeta moribundo. Continuaremos repetindo o que George Orwell escreveu em "1984". Nada somos, que valha a pena o investimento.

O investimento "nosso", que fique bem dito, pois o "deles", na nossa burrice, sempre foi levado muito a sério.

Se o W. Bonner continuar a ser a única fonte "confiável" de informação e se tolerarmos que a internet siga o mesmo caminho despropositado, mereceremos nosso destino.

A estupidez é sim, nossa culpa. Convença os mais velhos, instigue aos seus pares, ensine as crianças.

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