quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A REPÚBLICA DAS BANANAS

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Era inevitável e portanto, aconteceu o esperado. Após um pequeno delírio de imaginarmos ir para o Primeiro Mundo, onde as coisas funcionam e você é respeitado como cidadão, e enquanto país no cenário mundial, voltamos ao lugar de onde em verdade, nunca saímos.

O Brasil está voltando a passos largos, a ser a boa e velha República de Bananas que sempre foi. Aquele lugarzinho tão conhecido na América Latina, onde quem tem poder, faz o que quer. Derruba e elege presidentes, rouba descaradamente, achaca, ameaça e especialmente, vende tudo. Tudo é colocado à venda a preços módicos aos ricaços de fora. Melhor ainda se forem os ricaços do Tio Sam.

A culpa neste caso, não é do pobre que vive do Bolsa Família, como pensa a maioria de nossa classe-média. Não. O pobre mal tem o que comer, quem dirá ter poder de influenciar alguma coisa em algum lugar. A culpa é dela mesma, a classe-média desinformada, que insiste em acreditar que todo o mal do mundo provém dos pobres e dos 80 reais que eles ganham por mês pra não morrerem de fome.

Não analisam, porque não querem, que o que sangra um país são as universidades públicas frequentadas por endinheirados que poderiam pagar uma particular. São os empregos públicos bem remunerados, ocupados por quem tem grana pra pagar um curso preparatório ou mesmo, por quem tem influência pra obter para sí, uma vaga arranjada, sempre em busca da tal "estabilidade".

O pobre não consegue nem um, nem outro. Esse pobre que no mínimo precisa de educação pra poder alterar nossa força de trabalho, que é mundialmente reconhecida como despreparada e ignorante, portanto, pouco produtiva. O pobre que precisa ser capacitado pra trabalhar nas empresas e gerar lucro pro patrão e renda para toda a sociedade não consegue acesso justamente à educação que faria todo mundo ganhar mais dinheiro. E quem impede? O próprio patrão que seria o primeiro a ganhar. Mas afinal, como sabemos, no Brasil pobre só merece ter dois dentes. Um pra doer, outro pra abrir garrafa. Quantas vezes você já ouviu essa frase?

O que sangra o país são as mamatas da sonegação bilionária que vemos todos os anos, que sequer são lembradas pela imprensa, especialmente porque ela mesma está entre os maiores sonegadores. O que sangra o país são políticos pilantras, que preferem atear fogo ao país, do que abrir mão do interesse próprio, mesquinho e perturbador.

O que sangra o país é não termos espírito de pátria. É concordarmos alegremente em sermos estuprados por forças alienígenas, que nada mais querem do que nossas vestes pra usar como tapete, usado na entrada de suas garagens em dias de chuva.

O que sangra um país é a indignação seletiva. É ver um imbecil nas redes sociais justificando porque o corrupto que ele apoia, é melhor do que o corrupto que o outro apoia. E curioso, normalmente esse tal imbecil sequer leva uma fatia do roubo que seu político preferido está promovendo. É a vassalagem gratuita mais incompreensível do universo.

Roubar é feio, mas deixar que outros te roubem, sem dó nem piedade, e ainda exaltá-los como se fossem salvadores da pátria, é de dar medo. É burrice atroz.

E esta burrice, como já dito, não vem do pobre miserável. Esse, pode até se vender, mas é por necessidade primária. Se vende por comida. A classe-média se vende por polos da Tommy Hilfiger compradas em Miami em shoppings desqualificados.

Vamos lembrar daquela colunista "chique" de um certo jornal carioca, que falava que isso era brega, que aquilo era sofisticado. Que detonava os pobres porque eram um bando de jacús e que um dia, se deu a falar em sua coluna que não tinha mais graça ir pra Paris porque o porteiro de seu prédio agora também podia ir. Mal sabia ela que em Paris também há diversos pobres e todos eles são franceses. Alguns até são porteiros de prédio. E em Paris também há jornalistas mal remunerados, que sonham em algum dia, serem algo que nunca serão.

Aí a respeitável senhora perdeu o emprego e foi bater na porta da Justiça do Trabalho. Aquela mesma justiça que ela defenestrou, porque dava direitos a quem? Aos porteiros que ela odeia, às empregadas domésticas que ela gostava de ter, mas não queria pagar. E pior, esta senhora pediu a Assistência Judiciária Gratuita, que é o expediente concedido pela lei, a quem não tem grana pra pagar as custas judiciais.

E aquela moça que um dia postou no Facebook que voar tinha perdido o glamour, já que havia pobres, negros e gente mal vestida no avião.

E aquele outro jornalista, dito economista, que nunca leu O Capital (nem que fosse só pra saber do que se trata), que trabalhava numa famosa revista brasileira, de números de circulação e vendagem falsificados, e que ergueu um cartaz numa manifestação pública, dizendo que preferia limpar privada nos Estados Unidos, que ser governado pelo PT.

Onde está ele neste exato momento? Onde sempre quis, fazendo o que preferia. Existe certa poesia no mundo que nem sempre vemos de imediato.

Na União Soviética na Guerra Fria, foi inventado um termo bem bacana, que espelha exatamente o que essa gente é. O "idiota útil". Aquele bobalhão desinformado, que acredita em tudo o que certas pessoas mandam ele acreditar, e pensam, ilusoriamente, que um dia conseguirão um espaço no seleto grupo dos abonados.

E antes que pensem que esse artigo é uma ode ao comunismo, note que o "idiota útil" dito pelo governo, era direcionado aos próprios cidadãos soviéticos, que amestrados que eram, não viam o que seus mandatários faziam em verdade.

Evidentemente seu equivalente ocidental existia e existe em larga escala. Ninguém produziu tantos idiotas úteis como a América.

Não, amigo ingênuo. Você não conseguirá fazer parte deste grupo de abonados, porque ele não aceita novos sócios. Especialmente os que não são originalmente daquela classe social. Os "emergentes" não são considerados nobres, nem nunca serão. O seleto grupo apenas aceita serviçais, remunerados de acordo com a serventia.

O que nos tem levado rapidamente de volta à bananice das repúblicas, é nossa falta de amor próprio. É optar livremente por sermos empregados mal remunerados do capital especulativo que somente nos dá migalhas em troca da servidão da alma.

E sim, nossa classe-média é servil até a alma. 

Se isso nos traz algum consolo, vale a constatação de que toda a América Latina está voltando a ser república de bananas. Ora, foram ingênuos os presidentes que imaginaram que o poder financeiro internacional concordaria sem maiores consequências, em perder o seu lugar no olimpo dos privilégios. Só a China conseguiu isso sem ser incomodada. E não porque esqueceram dela e sim, porque antes de tudo, ela construiu um governo poderoso e inflexível. Depois, construiu a bomba atômica. Depois, reverteu a ordem financeira internacional com produtos baratos, produção massiva e fantásticas reservas financeiras e aquisições de bônus de todos os governos ditos centrais. Ou seja, Os EUA e a Europa estão no bolso da China e não há nada que possa ser feito.

E não se engane você ao achar que a China tem poder porque é grande e populosa. A Índia também é, e nunca passou de uma república de bananas da Ásia.

Mas é chato que isso esteja acontecendo. Foi bom o delírio momentâneo de sermos respeitados enquanto país.

Ao contrário, voltamos rapidinho a sermos mandados por gente estúpida muito possivelmente pior do que os estúpidos que foram eleitos por nós mesmos nos últimos pleitos.

Mas como já cansei de dizer, o brasileiro tem demonstrado que não merece nada a mais do que isso. Se não sabemos sequer valorizar a democracia e as leis, como podemos pensar que algo maior estaria disponível?

Welcome Woody Allen. Venha refilmar seu "Bananas" de 1971 em nossas terras de 2015. Material humano você terá em abundância. Especialmente na classe que se acha sabichona.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A LÁSTIMA DE SER BRASILEIRO EM 2015

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Muitas coisas faltam ao Brasil e ao brasileiro.

A mais gritante, de longe, é a coerência. 

Quem conhece esse blog há tempos, percebeu que hoje eu raramente escrevo. E isso se dá por um motivo bem simples. É inútil tentar argumentar, num país onde a visão binária das coisas tomou conta. Não há mais argumentos, não há mais discussões que levem a algum lugar.

Apenas gritos raivosos e rótulos.

Desde a vitória de Lula em 2002, eu apoiei o governo. Não porque era cego, ou porque era "petista". Apoiei porque ví que alí poderia haver alguma mudança no país. Mudança esta, que de fato houve. 

Só quem viveu os períodos governados por FHC e os que vieram antes dele, é que lembram do Brasil como era. Porém, impossível ignorar que as viúvas de Don Fernando, tanto quanto as viúvas do caos, se interessam mesmo, pelo país jogado na sarjeta. Assim dá mais dinheiro pra eles.

Hoje ví um cidadão mencionando na internet, que nossa oposição não poderia ser tão irresponsável ao ponto de aprovar as pautas bomba e a entrega do pré-sal. Infelizmente, ingenuidade deste brasileiro, que não deve ter se tocado que pouco se lixa a maioria dos parlamentares para o que é bom ou não para o país.

E daí o que nos sobraria? Um povo altivo. Que percebesse que o governo federal tem lá seus problemas imensos de corrupção, mas que no fundo, na prática ainda é melhor que a lavanderia institucionalizada do PSDB.

E notem, isso não significa perdoar os petistas corruptos. Tem que mandar pra cadeia. Mas também não é possível tolerar a volta da tucanada bandida, apenas porque o PT rouba tanto quanto os outros. 

Ou seja, são coisas distintas e nada a ver tem uma coisa com outra. Cadeia para os bandidos. Tirados de circulação os corruptos, nada justifica entregar o país de bandeja.

Mas daí precisaríamos de uma população que no mínimo, sabe do que está falando, pra poder reclamar e exigir. Mas qual o quê?

Nosso povaréu está mais é interessado em gritar no Facebook, a favor do governo e especialmente CONTRA o governo, pouco se importando se morreremos todos afogados nessa irresponsabilidade.

E o que nós, os que minimamente temos alguma consciência, podemos fazer? Nada, pelo jeito.

Estamos num país de oportunistas.

Outro dia o rapaz da Dilma Bolada disse que estava largando os bets porque a presidente se "vendeu" para o PMDB. Ele que me perdoe, mas vendilhança, me pareceu mesmo a dele. Ou ele não conhece de política e de como ela é feita no Brasil?

O rapaz tem lá seus enroscos com esse tipo de política que criticou. Posso até estar errado mas aquela história de que o PSDB queria comprar-lhe o passe e ele não aceitou, me pareceu mentirinha. Ele falou que levou a conversa do "preço" até as últimas, apenas para ver até onde iam os tucanos. Sinceramente, não creio. Os caras o ganharam no preço e quando ele viu que estava na mão do inimigo, viu que estava exposto e poderia ser desmascarado caso eles não estivessem mesmo dispostos a pagar o valor pedido, e sim, apenas mostrar a todos como o apoio a Dilma era "vendido", resolveu botar a boca no trombone. De todo modo, a coisa ficou por isso mesmo pois ninguém mais dava muita bola pro personagem que ele havia criado.

E digo mais, como agora ele apareceu nas notícias chutando o balde da Dilma, daqui a pouco fará como Marta Suplicy. Vai dizer que não coaduna mais com "isso que está aí" e vai encontrar outro que lhe pague os 20 dinheiros, agora, para falar mal de quem antes apoiou por outros 20 dinheiros.

Mas como falei, posso estar errado. Nem conheço o menino. Vai que ele é honesto e minimamente ético? Vai que ele realmente não acredita mais na Dilma e quer apenas ficar em casa se arrependendo de tê-la apoiado? Vamos ver até onde ELE vai, agora.

O personagem que ele inventou apenas dá mostras de como funciona nosso povo, que reclama da corrupção, mas só quando o favorecido é o vizinho. Quando é ele mesmo, a roubalheira passa a não ter importância. 

Como que dá pra tentar arrazoar com gente assim?

Gente que se agarra num emprego público e taca fogo no circo porque eventualmente o governo não lhe deu aumento? Gente que suborna fiscais e reclama que o Estado é corrupto?

Tem que avisar estes cidadãos que dever impostos não é crime. Sonegar é, e subornar fiscais também. O devedor tem a chance de parcelar, de negociar, de fazer bastante coisa. Só que é mais fácil encontrar desculpas, que são muitas e boas, para não fazer o que é certo, e tentar lucrar com o que é errado.

O Brasil é sim, um país falido. Os grandes atores mundiais, que nos minaram com a ajuda dos vendilhões da pátria, conseguiram o que queriam. E nossa população se refestela com o lodo no qual afundamos todos. Felizes por estarem derrubando um governo corrupto, mas que minimamente defendia os interesses da nação, e colocando no poder outros bandidos, que não apenas roubam mas também, entregam o país a interesses externos, seja do petróleo, seja da energia.

Uma lástima é ser brasileiro neste estado de coisas. 

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

SIM, DILMA VAI CAIR

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Antes de tudo, é importante ter em mente por qual razão Lula escolheu Dilma para ser sua sucessora. Porque ela não era política. Não tinha tido cargo eletivo, não estava contaminada com a sujeira reinante no país, que atinge a todos os partidos. Inclusive o PT, naturalmente.

E porque Dilma era (e é) honesta.

Sim, senhores do Conselho. Dilma é honesta. Pode ser uma presidente incompetente do ponto de vista político, mas é honesta. 

Infelizmente para o Brasil, isso não basta.

Se Lula insistisse em qualquer outro colega das antigas, perderia de fazer o sucessor porque a imprensa, sabiamente, já havia queimado todos os possíveis candidatos. Basta puxar pela memória.

Dito isso, Lula escolheu Dilma, que tinha currículo impecável. Técnica, sargentona, com passado de luta contra a ditadura e claro, honesta. Nem que procurassem, não haveria o que falar dela. E até agora não há. Ou você realmente acha que não procuraram?

Mas Lula, que deveria ter em mente quem realmente é Dilma no conceito político da coisa, cometeu um erro grandioso. Deixou que ela permitisse a imprensa e a oposição continuarem pregando, como fizeram durante todos seus oito anos de mandato, a fama de único partido corrupto, no PT.  Mas uma coisa é fazer isso com Lula que é um ícone, você goste dele ou não. Outra coisa é fazer isso com Dilma, que com todo o respeito que a presidente merece, é absolutamente incapaz de governar sob adversidades e fazer além de tudo, um governo popular. Um governo de esquerda, que é para o quê ela foi eleita e reeleita.

Dilma é uma tecnocrata. Isso não combina com ser de esquerda. O fato de ela ter sido torturada e lutado contra os militares, não a torna uma progressista para fins econômicos. A escola que ela fez e prega, é a mesma que a escola da tucanada. Ela é praticamente uma Chicago Girl.

(Ela esqueceu que foram os Chicago Boys, sob o comando de Milton Friedman, auxiliaram e deram subsídios para as ditaduras criminosas da América Latina. Inclusive a brasileira. Mas isso é outra história)

E a partir do momento em que ela é a governante, pode nomear quem ela quer. Daí colocou tucanos como Fulano Levy e Cicrano Barbosa. Não teve o brilho de colocar um Henrique Meirelles no Banco Central nem um Celso Amorim na Chancelaria. Sim, Meirelles é tucaníssimo, do Bank Boston, mas estava sob a batuta de Lula, que dava as coordenadas. Dilma deixa seus comandados dançarem como querem, independente de qual seja a música sendo tocada.

E não só isso. Dilma parece autista. Passa a impressão de que o que está acontecendo no Brasil atualmente, não é com ela. Não a atinge em nada. Até parece que não é ela que querem apear do poder. 

Dilma, me desculpe, mas sua atitude é irritante!

Note que tudo poderia ter sido diferente com uma simples ação. Se ela, no começo das investigações da Lava Jato, tivesse entrado em rede nacional e dito que ELA iria investigar e que o governo DELA iria punir todos os corruptos, inclusive os do partido dela, nesta hora ela estaria com 99% de popularidade, caso a tucanada e a imprensa resolvessem levar adiante o carnaval da Operação comandada pelo juiz Moro. Dilma seria a "dona" da limpeza.

Mas claro que se Dilma tivesse feito isso, a Lava Jato não estaria fazendo aniversário de um ano. Ela teria sido debelada porque a intenção no picadeiro, como bem sabemos, não é acabar com a corrupção. É simplesmente tirar o PT do poder.

Infelizmente, Dilma nada fez. Ficou de convidada na festa que poderia ser dela.

Afinal, por qual razão você vê o judiciário poupando descaradamente qualquer tucano envolvido, a imprensa ignorando solenemente qualquer denunciado que não seja do PT e o procurador geral fazendo que não viu que tucanos de bico grande estão até o pescoço enterrados no lamaçal da corrupção brasileira?

E se o PT cair agora, amigos, ele não volta pelos próximos trinta anos. Terá, como mesmo dizia Lula lá atrás, queimado sua chance. Irão dizer "tá vendo? O PT não presta, não vai voltar nunca mais".

Porque o PT não podia errar. E errou pra caramba.

Na cabecinha lustra do brasileiro médio, pouco importa se os tucanos, os peemedebistas e os quetais os assaltam há cinco séculos. O que não pode é ser assaltado pelo PT.

E quando Dilma for cassada, e ela SERÁ, a tucanada será eleita. Tomarão o poder, venderão o pré-sal, farão tudo o que FHC não teve tempo de terminar e claro, quebrarão o Brasil, como já fizeram antes. Mas terão uma grande vantagem que Dilma não tem. Poderão colocar a culpa no PT, que  "quebrou" o país.

Poderão e FARÃO, o que Lula não fez com FHC. Lula não colocou no pescoço do tucano o colar de incompetente e de descomprometido com a pátria. FHC teve essa imagem apenas para os mais entendidos da arte. Para o zé povão, o governo tucano era ruim, mas tudo no Brasil era ruim, então eles não eram tão culpados assim. 

Já o PT...

Será cassado pelas ruas e pendurado em praça pública. O PSDB colocará no pescoço do PT e de Dilma o colar da incompetência e da corrupção sem precedentes.

Ora, se hoje tudo já é culpa da Dilma, imagina quando um tucano qualquer estiver no poder e a taxa de desemprego estiver nos mesmos 40 % para  as regiões metropolitanas, que estava quando Don Fernando era presidente. Imagine quando a taxa de juros estiver a 39% que chegou quando FHC era o mandatário mór.

Tudo será culpa dela. Até o que for impossível de atrelar ao PT, será culpa do PT.

Sejamos claros. Dilma vai cair. A imprensa que antes, mesmo apesar de bombardear Lula de todas as forma possíveis, falava os sucessos do governo, agora aprendeu com o erro. Sobre Dilma, não divulgam NADA que seja bom.

Dilma sobrevive das notícias espalhadas pela militância, que uma hora, cansa.

E mesmo assim, o governo come na mão da Globo e dos jornalões. O esporro que Dilma deu no último programa eleitoral do ano passado contra a Veja, caiu no esquecimento. O governo não fez nada, a não ser, dar mais alimento a uma mídia vadia e corrupta.

O PT perdeu a oportunidade, nos anos em que governou, de mostrar ao país, toda a roubalheira feita pelo PSDB. E essa falta você pode debitar na conta de Lula, que por qualquer motivo do além, achou que não era necessário. Que a tucanada ia agradecer o alívio e iria tirar o pé.

Eu verdadeiramente não me importo muito com o fato de Dilma cair. Na minha visão, ela faz um governo medíocre. Eu não votei no PSDB e portanto, não deveria estar vendo um governo tucano em matéria econômica. Dilma faz e deixa seus ministros fazerem, tudo o que os narigudos emplumados fariam e quando governavam a nação, fizeram. Dilma não governa, é fato.

Mas apesar de eu não nutrir por ela nenhuma simpatia especial, sou brasileiro e como quase todo o resto da população, não sou rico. Dependo do meu trabalho e de uma economia girando. Isso significa que com Dilma caindo e possivelmente assumindo um tucano, o país vai voltar a ser o que era nos anos 90. Ou ser o que é qualquer Estado governado pelo PSDB mesmo hoje em dia. Veja São Paulo. Veja Paraná. Governos larápios, pilantras, corruptos e que pouco se lixam para tudo, exceto para aumentar impostos e claro, botar a culpa nos outros. 

Como disse o presidente da Riachuelo, Dilma caindo, a agonia seria menor porque em tese, o sofrimento acabaria rápido. Seria até desejado o impeachment, pra podermos ver algo novamente sendo feito.

Mas a agonia seria menor pra quem, cara-pálida? Não para o povo. Não para mim ou para você. Seria menor somente para uma meia dúzia de setores da economia, que vivem da usura. Do rentismo.

Quem vive da produção e da venda, veria o barco fazer água em menos de um ano, quando a euforia acabasse. Ou se esqueceram como era ser governado pelo PSDB na esfera nacional? Sim, esqueceram. É mais fácil esquecer e cometer os mesmos erros de novo, como é padrão do brasileiro.

Dilma vai cair a menos que comece urgentemente a governar. Mas sinceramente, não vejo isso acontecendo. Dilma é o Brasil dos sete a um contra a Alemanha. Dilma apanha e ainda dá a outra face. Dilma esquece que contra ela, tem toda a imprensa, tem todo o judiciário e toda a direita brasileira, seja ela política, seja ela do povo. Dilma esquece que ela mesma colocou tucanos no governo, como José Eduardo Cardoso que até agora, não mostrou a quê veio. Dilma colocou intriguistas no ministério, que preferem ver o governo cair, do que ajudar a corrigir os erros ou ao menos, avisar a quem está cometendo.

Se eu não fosse brasileiro e se eu não fosse penar com tudo o que está por vir, diria que Dilma merece mais é cair.

Mas eu como qualquer brasileiro comum, seja o pobre, seja o classe média, irei sofrer barbaridades se isso ocorrer. Dilma apesar de honesta, não governa. Ela pode até ser durona porque já mostrou ser durante os anos de chumbo. Mas o tabuleiro político é diferente da luta contra a ditadura. Aqui os inimigos não são evidentes e não usam verde oliva. Eles andam de terno caro e são donos ou representantes dos donos do PIB nacional.

Dilma precisaria saber fazer política pra impedir que o país entre no debacle. Mas ela não sabe.

E penso que não dará tempo de aprender. Que lástima!
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terça-feira, 4 de agosto de 2015

BRAZIL: GAME OVER. O ÚLTIMO A SAIR, QUE APAGUE A LUZ

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Tempos atrás eu era um legítimo defensor do Brasil e dos brasileiros. Vou dizer que foi ingenuidade da minha parte. 

Hoje, vendo como as coisas estão, e analisando a responsabilidade do povo diante do buraco no qual estamos prestes a cair, eu diria que se eu não fosse brasileiro, se eu não morasse aqui, se minha família não estivesse nesse país, eu mandaria tudo às favas. Eu seria o primeiro a declarar que esse país é uma "M".

Que me perdoem os muito patriotas. Eu perdi isso, com o tempo.

Ao ver gente hipócrita até os ossos reclamando da corrupção e indo para as sacadas bater panelas, mas querendo botar no poder alguns legítimos bandidos. De preferência os bandidos que alimentem seus filhos com algum cargo público, ou que viabilize algum contratinho para sua empresa ou seu empregador.

Perdi o ânimo em discutir sobre política quando vejo como são rasas as argumentações da grande massa popular que condena o governo que aí está. 

Me falta vontade quando vejo que para absolutamente tudo, no Brasil, é preciso dar um jeitinho, senão a coisa não anda. E não, não estou falando só de políticos. Estou falando de funcionários públicos que sem propina, não trabalham. Estou falando de cidadãos que podendo, passam a perna nos outros. Estou falando de empresas que concordam em pagar suborno pra conseguir contratos com os governos, como se não tivessem outra escolha. 

Sim, amigos. Existe uma escolha. Ser honesto. Ganhar o pão de cada dia, com decência.

Aí vejo no Facebook, este pequeno fomentador de delírios e intrigas, que o SUS não funciona e a culpa é do governo. Ora, e os médicos que trabalham lá? Porque não atendem corretamente? Porque batem o ponto e vão para seus consultórios particulares? Claro que não vai funcionar, sem os médicos que já receberam para estar lá, e não estão.

E os procuradores (advogados do poder público) que só "procuram" o que lhes interessa? Que da mesma forma, batem o ponto e vão pra casa ou para seus escritórios que a lei os proíbe de ter?

E os promotores que só manifestam animus laboralis se o acusado puder representar alguma coisa em sua carreira ou quem sabe, se o acusado for daquele partido político que o nobre funcionário da Justiça, não gosta. E quando o acusado é um pobre diabo, chegam ao cúmulo de copiar e colar a denúncia, muitas vezes, não tendo a acusação rigorosamente nada a ver com o crime cometido.

E os juízes, que selecionam quem vai ser preso com base na cor e na classe social? Com base na ideologia? Os juízes que deixam vazar depoimentos e escolhem as delações que mais beneficiem o rumo que se quer dar para a causa.

No meu último post falei que o Brasil não iria progredir economicamente mais do que já foi, porque temos uma oposição desgraçada, que prefere ver o país regredir, a saber que progrediu em razão das ações do PT.  De uma oposição política que vive enaltecendo os EUA, mas que abre os braços (digo os braços, pra não dizer outra coisa) alegremente para que o Tio Sam se aproprie, a custo mínimo, de tudo o que temos de riqueza natural.

Dá tristeza em ver senadores como boa parte dos nossos, indo fazer fusquinha na Venezuela, com dinheiro público, para enaltecer um posicionamento político que só a eles favorece. Dane-se o povo.

Que lástima é saber temos um governo pamonha, que se acomodou com o progresso dos últimos anos, que sim, foi mérito dele, mas que não poderia ter cessado, e que agora parece barata tonta, sem saber pra onde ir. 

Péssimo ver que o PT achou que conquistaria corações e mentes meramente pela inclusão social, quando muitos de nós, ativistas digitais, já dizíamos que o brasileiro é egoísta, e que quando conquistasse alguma coisinha, já ia se achar milionário, e iria querer fechar a porta para os outros que ainda precisam ser incluídos. Não amigo, isso não é preconceito, antes que me acuse de ser um hater. Isso é fato.

Horroroso ver que o PT roubou barbaramente, igualzinho os que ele tanto condenou, quando podia ter aproveitado a chance de mostrar que o Brasil tinha jeito.

Mas tão ruim quanto tudo isso, é ver o espetáculo decrépito que desfila nas imagens dos telejornais e das revistecas semanais, que deliram de maneira orgásmica com a prisão dos petistas, e SÓ dos petistas, como se a roubalheira tivesse se iniciado em janeiro de 2003.

Ruim é ver o povo acreditar nisso, e concordar em ser massa de manobra. Sair às ruas pedindo impeachment, como se a alternativa  ao governo atual, fosse alguma coisa melhor, justa e honesta.

É sim, muito triste ver que moramos num país de iletrados, de ignorantes por escolha própria, de adoradores de uma ideologia tacanha que acha razoável espancar negros, pobres ou gays. Que acha bacana tacar bomba no Instituto Lula, mas que nada fala do Instituto FHC que se encheu de verbas públicas até o pescoço, tudo na intenção de abastecer o triste legado de um capitalismo ultrapassado, que não existe em nenhum lugar civilizado deste planeta chamado Terra.

Triste é ver o PSDB, que poderia ter se fortalecido diante de um PT enfraquecido, e se aproximado do povo de verdade, oferecendo alternativas que eles mesmos poderiam ter implantado quando eram governo, mas não o fizeram porque preferiram usar o tempo vendendo estatais a preço de banana aos amigos do rei e a quem pagasse a maior caixinha; criando pedágios impagáveis e aumentando os impostos e os juros aos maiores níveis do mundo.

E não meu caro e ingênuo amigo. Os juros de hoje não chegam perto dos 39% cobrados na era FHC, que possivelmente você não lembra e tem preguiça de pesquisar.

Preferiram também os tucanos, se abraçar com nazistas e ladrões de toda laia.

Não amigos, o brasileiro, talvez não mereça melhor sorte. Ele é cúmplice de tudo o que vivemos. É conivente com todo tipo de desmando que se apresenta, seja ele do governo, seja ele da oposição.

Um povo que CONCORDA em ser roubado por políticos de direita mas defenestra a roubalheira da esquerda, definitivamente não é um povo sensato, que mereça qualquer coisa melhor do que já tem. 

Ao invés de aproveitar o momento que vivemos e ORDENAR o fim de toda corrupção, parece que o zé povinho quer mais é continuar sendo estuprado pelos boquirrotos que o estupraram desde 1500 até 2003.

I am sorry, brazilian people. My fellas. You don´t deserve anything better than this

Você merece o que você tem porque não faz nada pra mudar. E quando faz, é por interesse próprio. 

Mas reclamar você reclama. Já me conscientizei que o nosso povo, gosta mesmo é disso. De uma boa e inútil reclamação.

Enquanto isso, os aproveitadores de plantão, se deleitam, se esbaldam na sua ignorância de povo que não lê, e quando lê, não entende. Melhor mesmo, é chafurdar nas novelas, nos faustões e nos hulks de sábado a tarde. Melhor mesmo é se embebedar nas CBNs e nas Mirians Leitão de todas as manhãs, que só nos orientam errado, que só nos orientam de acordo com o que interessa a eles. E que você adora, pois assim tem assunto ao chegar no escritório, pra tentar demonstrar sua tenacidade e sua inteligência, repetindo alegremente o que a Veja manda você repetir.

Você não merece nada melhor, brasileiro, porque ao invés de raciocinar, você prefere absorver o que te mandam. E ainda sai contente, vociferando pela rua o mantra que te mandaram rezar.

Sabe quando o Brasil vai poder galgar o pódio mundial? Quando o brasileiro parar de ser mané. Quando o brasileiro começar a pensar no coletivo, a ver que se não vai ser bom pra todos, não poderá ser bom pra nenhum. Quando ele começar a ver que não é vantagem ser roubados por político tucano, do mesmo jeito que não é vantagem ser roubado por político petista.

E sabe quando isso vai acontecer?

Jamé, mermão.



domingo, 5 de julho de 2015

SIM, DILMA É FRACA. MAS O POVO QUE A CHICOTEIA, É ESTÚPIDO E VAI PAGAR O PREÇO DA IGNORÂNCIA

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Dilma faz um governo medíocre, é verdade. É inquestionável.

Há muitos motivos para isso.

- Há a incapacidade de ver que os progressistas foram colocados de escanteio e a administração foi tomada de assalto por Chicago Boys que deveriam ter sido banidos da pátria;

- Que o  governo é fraco porque cedeu demais aos abutres do PMDB em troca da governabilidade que eles não oferecem mais, pelo simples motivo de que são abutres e abutres vivem da carniça dos morto e portanto se ajudassem, perderiam o alimento do qual sobrevivem;

- Que a imprensa, com quem Dilma pactuou em nome de uma democracia ilusória, é justamente quem solapa a democracia real todos os dias, elegendo os alvos que melhor servem aos seus interesses;

- Que o judiciário e a Polícia Federal parecem braços institucionais da oposição;

- Porque há corruptos demais espalhados pelas esferas governamentais e pouco importa se antes também era assim. O PT que se jactou da honestidade, não poderia ir pelo mesmo caminho. Agora isso deveria acabar porque a nação não suporta mais ser estuprada diariamente por bandidos,

- E, porque por fim, pra somar a tudo isso, temos um povo com mentalidade em geral, tão medíocre quanto quem os governa. 

Um povo cujo lema maior é a Lei de Gérson e que elegeu a deusa imprensa, como a grande timoneira. O que a mídia tradicional ordena, o povaréu bovino, acata com tranquilidade e de olhos vendados.

A imprensa, o PSDB, e os encastelados no dinheiro e no poder que foram tirados e cena, apostam no quanto pior melhor. Pra eles, ver a fraca Dilma sangrar todos os dias na tv, como quem apanha violentamente num ringue de boxe, é divertido e proveitoso. Eles, essa oposição carniceira, só querem ter o poder de volta e todos os benefícios que significa ter um país inteiro, extremamente rico, à disposição.

Não que o PT em termos de roubalheira seja muito melhor que o PSDB. Evidente que não é.  Mas aí teríamos que derivar para outro tipo de conversa que levaria muito tempo. O que precisamos ver hoje imediatamente, é o fato de o país estar afundando, e o povo estar aplaudindo. 

Quem tem acima de 40 anos, deve se lembrar como era ruim ter um governo fraco no poder. Governo fraco significa instituições fracas. Instituições fracas significam cartéis fortes e tudo o que isso representa. Lesão do patrimônio público, escalpelamento do povo por tarifas exorbitantes de serviços essenciais, e pior, inflação. A grande inflação que os bancos e determinados setores da indústria brasileira têm tanta saudade, pois o capital rentista que a inflação proporciona a quem é muito rico, é infinitas vezes superior ao lucro obtido com a atividade industrial. A margem de lucro de uma correção de 80% ao mês, como tínhamos nos anos 80, era absurdamente mais vantajosa do que custear uma estrutura afim de produzir bens de consumo. Em outras palavras, com a hiperinflação, a maioria, inclusive dos setores capitalistas perde; mas os poucos que lucram, lucram sem limites. 

E o zé povinho, o que acha disso?

Naturalmente, não acha nada. Ele não consegue raciocinar que embarcar no quanto pior melhor, só o fará perder tudo o que conquistou. 

Dilma mostrou que o PT se exauriu e pelo jeito, agora não dá mais tempo pra se reinventar. Mas ao povo, pouco importa o problema interno do PT. Importa sim, o que esse festival de seletividade no chamado combate à corrupção, representa no nosso pão de cada dia.

Acreditar na conversa mole de que gente absurdamente corrupta da oposição, atolada em processos judiciais que vão desde trabalho escravo até tráfico internacional de drogas, podem e querem transformar a pátria brasileira num lugar melhor, é ser muito ingênuo. É expediente de quem é comandado por uma plêiade de bandidos, e está feliz com isso.

Pobre do Brasil e dos brasileiros decentes. Aqueles que conseguem ver o abismo se aproximando, mas não conseguem sequer argumentar com o vizinho raivoso e iletrado, que espuma pela boca com um exemplar da Veja debaixo do braço com medo de apanhar na rua.

A que ponto chegamos.

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

O QUE ACONTECE COM DILMA?

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Este blog tem uma simpatia pelo governo de esquerda implantado por Lula e Dilma.

No entanto, não deixa de ser crítico ao monte de incongruências ou porque não dizer, incapacidades que a administração de Dilma vem demonstrando.

Tenho me perguntado o que acontece. Se Dilma é assim tão diferente de Lula no sentido do comando, ou se tem alguma outra coisa por trás de tudo.

Naturalmente Dilma enfrenta uma oposição milhões de vezes pior que Lula. E pra piorar, ela não tem a mesma capacidade nem o mesmo traquejo que ele. O resultado claro, não poderia ser uma administração tão melhorada.

De outro lado, talvez porque não tenha conseguido se fazer notar no cenário internacional, Dilma também enfrenta um bombardeio sem precedentes vindo de fora.

E o motivo é muito simples. Os atores tradicionais do capitalismo, não querem continuar a perder terreno para os BRICS. Porém, uma coisa é lidar com a China, seu poder econômico, militar e geográfico. Outra coisa é lidar com os pequenos. Até porque, todo mundo é pequeno, comparado à China.

Mas uma coisa tem que ser notada. Tirando o Brasil, nenhum dos outros grandes dos BRICS é uma democracia de verdade. China não é. Índia só diz que é, mas deixa literalmente seus cidadãos atolados na pobreza pra não terem idéia do que significa democracia. Rússia não é porque Putin só vai sair do poder quando quiser. A África do Sul a gente nem fala porque não entendi até agora o que ela está fazendo no rol dos BRIC. Acho que imaginavam o nome feio e ficava mais bonito colocar um S no final. Encontraram a "South Africa". Mas podiam ter optado por South Korea, que era mais vantagem pro grupo.

O fato de ser a única democracia verdadeira do grupo dá algumas desvantagens ao Brasil. Como não temos um povo consciente e temos políticos extremamente safados, não podemos esperar realmente que o país, sem um comando forte, vá pra frente. Digamos que no Brasil, 20% quer que o país progrida, 20% quer vender para os EUA e os 60% restantes, não têm a menor idéia do que estamos falando.

Fica bastante complicado tocar um barco, quando cada um rema pra um lado, e a grande massa fica no meio, pasma, apenas reclamando da lerdeza da viagem.

Naturalmente não estou defendendo que o Brasil deva se tornar uma ditadura. O que estou defendendo é que o governo de Dilma precisa mostrar a quê veio. Precisa marca pontos, precisa SE marcar no cenário internacional.

No segundo mandato de Lula, a crise internacional estava apenas começando. Ninguém sabia direito onde ia dar. Hoje, 7 anos depois, todo mundo já sabe no que deu. Todo mundo já sabe que os ricos não fizeram a lição de casa e jogaram ao máximo o reflexo das sacanagens de seus mercados financeiros não regulados, nas costas do pobres, tanto de seus países, quanto nos pobres dos países da periferia.

Ou seja, não haverá mais Obamas dizendo "my man" para presidentes emergentes. Isso foi um lapso de percurso que os republicanos se empenharam em enfiar na cabeça do inexperiente democrata que havia assumido o país.

Basta ler periódicos como o Financial Times pra ver que o Brasil leva pau todo santo dia. E o governo está nas cordas. Dilma não reage porque leva pau dentro do país também.

Decerto Dilma é uma mulher lutadora. Qualquer um que passou o que ela passou, não pode ser considerado um pamonha. Mas politicamente ela deixa a desejar. Seu ministério é um arremedo. Coloca "técnicos" nos principais ministérios e imbecis dos partidos aliados nos ministérios de aluguel. Lula deu certo entre outros motivos, porque tinha nomes como Meireles no BC, Thomaz Bastos na Justiça e José Alencar na vice-presidência. Dilma foi sozinha pra cova dos leões e até onde sei, foi assim porque quis. Agora ela se converteu na refém principal do PMDB e seus pilantras. Dilma, se é que é possível fazer uma comparação sem ser grosseiro e desrespeitoso com seu passado, está de novo na câmara de torturas. Só que agora, a tortura é psicológica e o sangramento é público.

Com o auxílio dos chacais da grande imprensa, que nem ela nem Lula ousaram enfrentar.

Claro que não se trata de implantar leis restritivas que venham a cercear a liberdade de expressão. Isso seria repudiado porque obviamente, o imprensalão iria acusá-los de ditadura e o povo, naturalmente, iria acreditar. Não vamos nos esquecer que parte substancial de nossa população lê e acredita em toilet papers como a Veja, Época e quetais. É tarefa por demais árdua pedir que haja raciocínio, em cabeças que pagam pra não pensar. Terceirizam a opinião, comprando-a pronta na banca de jornal.

Mas Lula e Dilma não deveriam ter financiado essa imprensa lixão, que nada quer com o povo brasileiro. Ao invés de gastar bilhões todo ano em matérias pagas nos veículos destas 6 famílias que mandam em toda grande imprensa brasileira, deveriam ter deixado que morressem à míngua. Inanição financeira. Talvez hoje fossem mais honestos.

Dilma leva bordoadas todo dia e me faz lembrar Rocky Balboa em Rocky IV. Apanha demais em cenas espetaculares, faz jorrar sangue mas ao final, junta forças do além e vence o gigante soviético, que era muito superior a ele. Lula era um baixinho à Sylvester Stallone. Podia lutar com gingantes. Dilma não parece ter esse brilho.

E estamos apenas no quinto mês do segundo mandato.

A imprensa noticia todo dia o aumento do desemprego e da crise. Coisa nem sempre verdadeira, mas isso pouco importa. A mídia brasileira era ingênua na época de Lula. Acusavam-no de ser ladrão e de deixar roubar, porém, davam as boas notícias de seu governo. Com Dilma eles aprenderam que não era pra falar nada. Ignoram obras monumentais como a transposição do São Francisco ou a inauguração da fábrica da Jeep e a da BMW. Fazem o que querem e Dilma depende apenas dos maltrapilhos que fazem das tripas coração, para dar as boas novas de sua administração, pela internet, pelo Facebook.

Do lado contrário, Alckmin paga 70 milhas por mês pra um cara meter o pau no governo de todas as formas que puder. E não é o único a ser financiado pela máquina tucana.

Particularmente minha frustração não é com o PT. Não tenho nenhum amor ou ódio pelo partido, especificamente. Apenas acho que ele até agora, foi o que mais fez pelo Brasil. Minha frustração é que com todo esse sangramento diário, pois quem pagará o pato seremos todos nós, claro. O povo.

É o povo que vai perder o emprego, o poder de compra ou morrer na terceirização.

Queria saber o que é necessário acontecer pra esse governo se mexer. Pra ter um norte.

Tá complicado!

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O TRAFICANTE DA INDONÉSIA É O JAMES BOND DA CLASSE MÉDIA

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A leitura do perfil do brasileiro fuzilado na Indonésia é interessante e não destoa do glamour que leva muita gente ao tráfico.

É uma vida de sonho, caso o traficante seja bem sucedido. Tal qual James Bond.

Mas os traficantes não entram nessa, salvo raras exceções, por necessidade. Entram pela sede do dinheiro fácil, pela ganância, pelo pouco apreço ao trabalho cotidiano.

Igualmente James Bond, o traficante mata. Bond tem "licença" para isso, concedida pela Rainha da Inglaterra. O traficante não tem a licença, ao menos, não a tem formalizada, pois sabemos da vista grossa que a grande maioria dos governos do planeta Terra, faz em relação a este assunto.

Ao ouvirmos a lição dos Racionais MCs, dizendo que pobre não tem pista de pouso pra trazer drogas da Colômbia, fica mais claro entender onde está o problema.

Me lembro que minha mãe me falava, quando eu era garoto, para tomar cuidado com as drogas. Droga era bom e dava o barato, por isso, viciava e era perigoso. Se me dissesse que droga era ruim e eu experimentasse e gostasse, ia achar que ela estava mentindo, que estava de sacanagem comigo. Daí, já seria tarde. Eu já teria provado tantas vezes, que ficaria viciado. É da essência do adolescente achar que os adultos não sabem nada. O jovem rebelde quer provar que ele sim, é quem sabe das coisas. Minha mãe optou pelo caminho certo e eu nunca cheguei nem perto de droga alguma. Fumei baseado uma vez. Me deu tanta dor de cabeça (sei lá o que tinha nele), que eu nem pensei em repetir.

Só que se ao invés de me apresentarem a droga para consumir, tivessem me apresentado a droga para vender, talvez a lição da minha mãe não tivesse servido para nada. Eu estava preparado para ouvir um único discurso do submundo, o da "viagem" e da "libertação" das drogas. Eu não estava preparado para ouvir o discurso das maravilhas que ser traficante poderiam me conferir.

Qual garoto da minha época não queria ser o James Bond? Viajar o mundo todo, ter lindas mulheres. Carrões. Usar smoking e ser bem humorado. Talvez eu tivesse sido presa fácil se o traficante tivesse me cooptado por essa via. 

Isso me levou a pensar diversas vezes, que as campanhas contra as drogas são capengas. Elas partem apenas para o lado do usuário. Antes elas era praticamente umas peças da Disney. Não atingiam o ponto em sí. Hoje, até mostram um cara definhando, sem dentes, com alguma doença fatal adquirida pelo compartilhamento de seringas ou lesões advindas das surras dos credores da droga. Mesmo assim, elas poderiam ser mais realistas. Sempre podem ser mais realistas.

Mas do traficante, pouco se fala. Até porque, boa parte das vezes, ele está bem entrosado na sociedade. A mídia, que por diversas vezes chamou o brasileiro fuzilado de "instrutor de asa delta", induz a imaginarmos que ele era um mané, que por uma fatalidade do destino, foi levado a traficar. Mas instrutor ele nunca foi. Ao contrário, reconheceu nesta entrevista, que sempre traficou. Que nunca fez outra coisa na vida que não fosse isso.

Talvez Marco Archer não tenha tido o vislumbre de imaginar quantas pessoas ele levou à morte. É que o tráfico, em certo grau, é glamourizado. Ele lembra das festas, das modelos, dos carrões. Mas não se lembra, ou se lembra pouco se importa, do que ocorre no submundo, até que a droga chegue ao usuário bacana, aquele que frequenta a alta roda, aquele que vai às festas em que ele está.

Archer se não fosse um criminoso contumaz, seria no mínimo, um otário irresponsável, filhinho de uma mamãe que nunca lhe impôs nenhuma responsabilidade.  Esse, eu acho, é o pior perfil do meliante. O meliante rebelde sem causa. Que faz o ilícito porque não tem mais nada pra fazer na vida. Porque não precisa trabalhar, ajudar em casa, pagar a escola.

É o passador/usuário admirado nas parábolas cariocas e do resto do Brasil, onde o cara bacanão, bem humorado e bonito, descoladamente, deixa a todos num barato e leva a vida na flauta. Mas como já dito, o problema não é ele. Ele poderia se matar de consumir drogas, que socialmente, teria pouca relevância. O problema é o rastro que ele deixa atrás de sí.  De mortes, de estupros, de pessoas queimadas nos microondas das favelas. Eu não sou de forma algum a favor da pena de morte, mas compreendo quando uma sociedade opta por ela para dar cabo justamente de quem dá cabo de sua família. É um grito de desespero, na realidade. 

Cada cidadão do nosso convívio, sabe onde está o problema maior das drogas. Sabe que não adianta prender o favelado que trafica crack se um cidadão viaja com meia tonelada de cocaína num helicóptero, e esse helicóptero é de um Senador da República, com seu piloto, em sua fazenda.

De quem era aquela meia tonelada de droga? Ninguém sabe. Eu também não sei, mas desconfio.

Esse lado horripilante e realista das drogas, a imprensa omite, reservando ao traficante miserável todas as penas, inclusive a permissão moral de ser fuzilado. Mas ao traficante ricaço e bem relacionado, nenhuma restrição séria é feita. Não são poucos os casos de famosos que bem se relacionam com essa gente. Como se pode esperar que a coisa seja séria, se a sociedade comum não pede realmente, punição a todos os bandidos?

A maior punição a um traficante, além da prisão, e ser retirado de circulação social. É ser condenado ao ostracismo moral, é ser refutado pelos amigos. Ao contrário, todos cientes de que droga é "bom", os que pouca responsabilidade têm na vida, andam de mãos dadas com essa gente. 

Logo atrás destes bon vivants, que compram drogas para abrilhantar suas festas à beira da piscina, vêm os viciados comuns. Os que sustentam o lado mais trash deste mundo, que é o das drogas pesadas, que aniquilam, definham e matam em pouco tempo. As cracolândias que todos odeiam são apenas o resto do consumo de drogas nos prédios chiques. Mas os dois lados são igualmente perniciosos.

Onde estão os pais e as mães que não criam seus filhos direito? A mãe rica, a mãe da classe média, e hoje em dia, até a mãe pobre, que entrega a educação para a escola, e se incumbe apenas de tornar fácil a experiência de seus rebentos, neste planeta. Como se a vida fosse um passeio sem fim.

Ilusório imaginar que o flagelo das drogas será vencido com a atuação da polícia e dos governos. Se não houver consumidores, não haverá traficantes. Se não houver traficantes, não haverá droga para se distribuída. Somente nestas duas pontas é que se resolvem os problemas. E não adianta enxugar gelo, achando que a cadeia ou mesmo a pena de morte impedem o cometimento do ilícito. O mundo tem dado mostras suficientes de que isso não funciona. 

O que impede a venda e o consumo das drogas é a educação vinda de casa. De familiares que efetivamente se importem. É mostrar ao bonitão que quer traficar que em primeiro lugar, ele pode até ganhar dinheiro com isso, pode até passar ileso pela vida toda, mas será que é esse realmente o caminho que quer seguir? É pra isso que ele serve, socialmente falando?

Só que isso só pode ser feito em casa. Em nenhum outro lugar. 

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O TRAFICANTE BRASILEIRO FUZILADO, O MIMIMI E O CARÁTER DO POVO.

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Nunca vou me esquecer quando há uns 20 anos, lí numa enquete na revista Veja, que o povo era contra o nepotismo, mas se pudesse contratar o próprio parente pra trabalhar com ele no serviço público, o faria.

Daí se filtram duas coisas. A primeira, é que há 20 anos, a Veja era uma revista possível de ler. E a outra, é que o brasileiro tem um defeito de caráter muito sério.

Quem lê esse blog sabe que eu não tenho amor nem ódio pelo Brasil. Adoro meu país, mas tento olhar para ele de maneira isenta, pra fugir dos estereótipos tão comuns, com os quais nos confrontamos cotidianamente.

A pena de morte é vedada pela Constituição brasileira. É cláusula pétrea e não pode ser modificada. Sendo assim, inútil discutir se deveríamos ter ou não a punição capital no país. Mesmo assim, de quando em quando surgem uns gritões que nunca estão contentes com nada, pedindo a mudança da lei, pedindo a volta da ditadura, pedindo que se emposse o Aécio, que perdeu as eleições.

No Brasil, assim como em boa parte das democracias, tem de tudo. Afinal, gente ignorante não paga imposto para ser assim. Portanto, proliferam rapidamente. Em lugares assim, colunistas de "grandes" jornais mostram eu nojo de pobres, "comediantes" de TV escancaram sua falta de leitura e de bom senso, políticos optam pelo quanto pior melhor, preferindo que o país vá a falência, só para que ele possa tentar tomar o poder. 

E o povo, esse eterno gado iletrado, dá guarida. 

Não o povo "bovino" que o Diogo Mainardi se referiu quando vomitou burrices contra os nordestinos. Não, o povo bovino das grandes metrópoles, da classe média, da tontería instalada que tudo quer do Estado, mas em nada quer contribuir. O bovino igual e ele, aliás, que faz o que uma certa casta de políticos manda, sem questionar, de maneira cega e servil. Mainardi, como tanta gente, é bom pra falar dos outros, mas é incapaz de se perguntar se o bobo da história não seria ele, por um acaso.

A gritaria da semana foi em relação à intervenção da Presidente Dilma em relação ao fuzilamento do traficante brasileiro preso na Indonésia. Claro, como é a Dilma, ela não poderia ter feito o que a lei e o protocolo MANDAM  que ela faça. Esses regulamentos dizem que é obrigatório que o país, que não adota a pena capital, tente convencer o país sentenciador a adotar a mesma punição que se adotaria aqui.

E fazem carnaval, esses descontentes de sempre. Tudo é um problema pra eles. Se a Dilma não fizesse nada, reclamariam. Se ela faz, reclamam. Se o mundo acabar, reclamam. Se ele não acabar, reclamam também.

Estou pra ver povo com mais mimimi que o brasileiro. Tá difícil tabular qualquer discussão ultimamente.  Tudo é um problema e curiosamente, a culpa é sempre do governo. Ninguém mais tem obrigação com nada, nem responsabilidade sobre coisa nenhuma. Se choveu, é culpa da Dilma. Se não choveu, a culpa é dela também. Outro dia ouvi de um cliente que faliu por pura incompetência, que a culpa era do governo que não o ajudou. Claro, não somos culpados de nada. Dilma é culpada de tudo.

E leia-se bem: D-I-L-M-A, porque a mesma sorte não se revela para os governantes tucanos, todos eles, tão despreparados quanto a petista, com um partido tão corrupto quanto o PT.

Sobre a pena de morte, venho perguntando há muito tempo aos meus pares, o que acham da implantação da medida para outros crimes, como receber aposentadoria do INSS no lugar do pai que já morreu, de enganar o cliente colocando formol no leite, de fuzilar os tucanos em praça pública por desvio de verbas. E digo tucanos, porque quanto aos petistas, eu já sei a resposta. As opiniões são sempre a favor, desde que o fuzilado não seja um parente ou amigo dele. Nem tampouco, um político de alta plumagem do tal partido que nunca, curiosamente, é investigado por nada.

Sei que é inútil falar, mas seria tão bom se o povo em geral, fosse um pouco mais estudado. Se tentasse um pouco mais se informar antes de falar bobagem, antes de mostrar que só se importa com a própria vida e pouco se lixa para o resto do planeta.

Dilma fez o certo tentando interferir contra o fuzilamento do rapaz. Fez o que Obama já fez também, mas como sabemos, o Obama pode, a brasileira não pode.

Os mesmos mimimis de sempre reclamaram até do Papa, porque ele disse que não se pode ofender a religião de ninguém. 

Preguiça dessa gente...

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

MARTA SUPLICY X PT. A NOVA MARINA

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Impossível passar indiferente pela entrevista dada pela Marta Suplicy ao Estadão, republicada pela Folha, e repingada por todo mundo.

Em primeiro lugar, porque ela é mesmo um prato cheio contra o PT. E com isso, os jornais que em algum momento são concorrentes, abrem mão dessa briga por um "bem maior", qual seja, desancar Lula, Dilma e todo o partido.

Tenho comigo que é uma lástima haver uma imprensa que tome esse tipo de atitude. Gente séria é séria sempre. Não é o caso do nosso imprensalão, naturalmente, que opta por candidaturas de maneira descarada, jogando fora o aspecto da isenção que deveria haver entre os jornalistas.

Mas ter uma imprensa pastelão é, e pelo jeito, sempre será a nossa sina. O brasileiro bem que merece uma mídia como a nossa, já que nunca fez questão de botar essa gente pra correr.

Marta que se sente desprestigiada faz tempo, dentro do PT, resolveu botar a boca no mundo. Quem leu a entrevista, talvez até tenha achado que não seja mentira tudo o que ela falou. E pode realmente ser verdade. Mas não é esse o ponto principal.

Que o PT se tornou ao longo dos anos uma cópia avermelhada (desbotada, na verdade) dos partidos da direita brasileira, é fato. Inclusive em corrupção, acho que ele não perde muito.

Ganha apenas no quesito social, o que é fato incontestável. Ganha também na intenção de não vender barato o Brasil, como queriam e ainda querem, os tucanos.

E isso significou ao longo dos últimos 12 anos, bastante crescimento e emprego. Com uma economia melhorada, o povo dá bem menos bola pra outras coisas, ao contrário do que ainda insiste em acreditar nossa nata jornalística, que pensa que também entende de gente, além de entender de todo o resto de nossa galáxia.

Só que não.

Bem, como Marta cansou de ser jogada para escanteio, resolveu sair atirando. E concordo com o deputado petista que disse que ela está criando um fato, pra poder se mandar do partido. Ela quer disputar a prefeitura de São Paulo de novo, e pelo andar da carroça, não será pelo PT, já que hoje ela não apita nada.

Aliás, tem gente falando que ela quer mesmo, disputar a Presidência em 2018 e já está marcando terreno. Se ela tem essa pretensão, acho que está louca. É muito evidente que ela não tem densidade eleitoral pra querer tanto.

Decerto que ela tem direito a fazer isso. Mas a forma utilizada, mostra que não foi só o PT que virou o cocho. Ela também virou. Ou será que ela realmente acha que além dos coxinhas de SP o povo acredita que só o PT é corrupto e os bem intencionados da sigla saíram "por não aguentar mais" tantos desmandos, como ela mesma disse?

Não Marta. Ingenuidade a sua, se você pensa assim.

Numa breve enquete que fiz com os porteiros do prédio do meu escritório, junto com a zeladoria e os atendentes dos restaurantes do lado, fiquei sabendo o óbvio. O povo sabe que ela quer uma boquinha em outra sigla porque no PT, conseguiu arranjar briga com todo mundo.

Naturalmente estou falando das pessoas que leram, ou souberam da entrevista. Até porque, tirando os mesmos coxinhas de SP, os blogueiros e alguns outros fanáticos por política, a entrevista dela não teve nenhum grande significado extramuros.

Marta é a nova Marina. O PT já produziu outras Marinas. Elas se chamam Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Esses, pra mostrar os queridinhos da mídia. Também produziu Marinas à esquerda como Luciana Genro e outros deputados do PSOL. O PT produziu Eduardo Campos também, que não era de suas fileiras, mas bebeu fartamente da popularidade de Lula.

Produzirá num futuro breve, se ele tiver "ânimo" pra se expressar, o Eduardo Suplicy, que nunca foi PT de verdade. Estava apenas filiado. Aliás, Eduardo e Marta, antes um casal, sempre transitaram mais confortavelmente dentro da elite paulistana do que no chão de fábrica do Estado.

Não que isso por sí, influenciasse o trabalho deles. Eu diria que influenciou bem mais o de Eduardo do que o da Marta, já que ele nunca saiu em defesa do partido, em seus piores momentos. Ao contrário, preferia ficar em cima do muro, cantando canções no púlpito do Senado. E claro, não se trata de ter que defender quem tá errado, só porque é do mesmo partido. Não. Inclusive nas questões nas quais o PT tinha razão e estava sendo escorraçado pela imprensa, ele optava por ficar quieto, se preservando das porradas que viriam contra quem ousasse desafiar o poder supremo da mídia nacional.

E como Senador, teve uma atuação à beira da inexpressividade, especialmente considerando o tempo que ficou por lá. Teve projetos bons, mas nada de fabuloso ou que tenha tido utilidade prática.

Marta por sua vez, fez uma gestão admirável na Prefeitura de SP. Foi derrubada por sua arrogância e incapacidade de politicamente, devorar quem a devorava. Ela foi dragada por ações impopulares que não precisavam ter sido tomadas e que foram ótimas para os prefeitos que a sucederam. O aumento de impostos e IPTU por exemplo, que colaram nela o apelido de "Martaxa", serviram o caixa do governo municipal e fizeram bem a todos que vieram depois dela. Porém, só ela levou a culpa. Esse erro, o Haddad também comete. Vai pagar o preço.

Mas Marta não é Marina. Ela é mais safo. Mas se engana que ela será tolerada pela imprensa que um dia a detonou. Ela será apenas usada como aríete, como todos os citados foram, até agora. Na hora H, o imprensalão puxa o tapete e reserva o lugar no segundo turno pra alguém do PSDB.

Além de tudo, Marta se esquece de uma coisa importante. Se quiser disputar a prefeitura de SP em 2016, concorrerá com um prefeito que também é admirado na periferia. E ela vai ter que falar mal dele e bem dela mesma. A oposição tucana claro, vai fazer questão de lembrar os podres que ela teve na administração dela e os incautos, sendo verdade ou não, acreditarão.

O trabalho de Haddad será mais fácil. Basta mostrar que ela está com dor de cotovelo. E se não fez antes, por quê fará agora?

A saída de Marta do PT, é um marco na política brasileira e sem dúvida, aponta para uma decadência do partido. É verdade o que ela disse, que se o partido não mudar, ele morre. Está aí a grande chance de o PT, se quiser sobreviver, se depurar.

Ao contrário, ele seguirá o caminho idêntico ao do PSDB, que teve a chance de ser o mais fantástico e renovador partido da República, a partir da gestão de FHC. Jogou no lixo a chance com mais coisas ruins do que boas em seu governo (exceto manter e ampliar o Real, que não foi criação sua) e por ter políticos em seu meio, (evidentemente), desceu ladeira abaixo. Foi se aliar ao pior da nação, que sempre foi o PFL.

Penso que o caminho dela será difícil e o que ela pretende, não conseguirá. Até porque, ela demorou tempo demais. O PT já sabe, antes mesmo de ela dizer, que precisa se reinventar, senão não fará o sucessor de Dilma. Nessa reinvenção, um dos pontos principais é não usar nomes batidos que possam ser alvos fáceis da imprensa. A construção de Dilma por Lula foi perfeita. Ele sabia que contra ela, por não ser política, nada apareceria. Já se usasse quaisquer dos nomes tarimbados do PT, seria destruído, porque se teve uma coisa de competente na oposição aliada à imprensa brasileira, foi a capacidade de destruir todo mundo que cercava Lula. O PT sabe que não adianta pegar os medalhões porque eles têm passado. E como no Brasil quase tudo mundo é culpado de alguma coisa, fica complicado.

Sendo assim, Marta não seria reaproveitada dentro do PT e também, não teria futuro fora dele. Ela se queimou sozinha ao longo dos anos e este tempo fora de cargos executivos, só serviu pra fazer com que ela levasse bordoada da imprensa (lembram do "relaxa e goza"?) sem ter como retrucar com alguma obra relevante.

Se o PT morreu como ela diz. Ela foi junto.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

CHARLIE HEBDO E OS TERRORISTAS

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Antes de virarmos todos Charlies Hebdos, acho saudável uma reflexão.

Por qual razão os outros atentados que ocorrem no mundo inteiro, inclusive os que aconteceram no mesmo dia não tiveram e não têm a mesma repercussão?

É só pelo fato de que os mortos são franceses brancos ou supostamente intelectualizados? É só pelo fato de os terroristas serem muçulmanos? E os que acontecem no Iraque, no Afeganistão, no Iemem e em tantos outros lugares? E os massacres perpetrados por mercenários pagos por Estados como Israel e Estados Unidos contra civís desarmados?

E quando o maluco que mata 77 pessoas é branco, nórdico, cristão, e comete o crime por motivos religiosos?

E as mulheres da Nigéria, estupradas e amputadas pelo Boko Haram? Por que não há camisetas dizendo "Je suis nigerienne" pra nos solidarizarmos com elas?

Por que muitos dos governantes que estiveram presentes na marcha em Paris em solidariedade aos mortos e em defesa da liberdade de expressão, não são a favor de parar de perseguir Julian Assange e Edward Snowden? Será que é só porque estes ilustres "criminosos" revelaram planos secretos de países, tramóias, corrupção de grandes nações, desestabilização de países e assassinatos? A liberdade de expressão e de imprensa nestes casos, não vale?

Porque a França, que é tão "libertadora" não pára de se aliar à Otan para bombardear países pobres, que nada têm além de petróleo ou gás? Ou será que é por isso mesmo que a Otan os bombardeia?

Não amigos, eu não sou Charlie. É uma revista que não sabe conviver com as diferenças. Ela também faz terrorismo, porém seu terrorismo é escrito. A consequência no entanto, das charges e dos dizeres que publica, transforma pessoas com cabeças vazias em potenciais malucos atiradores.

Sim, ao jogar um cristão contra um muçulmano, ao comparar uma ministra negra a uma macaca é sim, disseminar o ódio. Ódio este, que pode redundar em coisas muito maiores do que uma simples charge aparentemente inocente.

Todo radical é um insatisfeito, por natureza. Todo radical é em essência, um manipulado. Insatisfeitos manipulados são sempre um perigo. Instigar o ódio, para esta gente, tem o mesmo efeito que jogar gasolina na fogueira. Ou será que os terroristas que fuzilaram os Charlies não eram manipulados por alguém, que descarada ou discretamente lhes incutia um ódio irracional contra suas vítimas? O efeito da manipulação é o mesmo, não importa o lado manipulado.

A França é um país progressista. Talvez dos mais interessantes. Mas sua política, boa parte das vezes endossada pelos cidadãos, consegue ser tosca, quando quer. Há algum tempo se proibiu que as muçulmanas usassem o seu véu religioso nas escolas públicas. Isso é o equivalente a proibir que um cristão ande com um crucifixo pendurado no pescoço e vá à escola.

Ora, demonstrar a religião, é direito de cada um, especialmente se a pessoa o faz, na forma de vestimentas ou adereços, de modo pacífico e não intrusivo.

Os EUA há muito proibiram o uso de símbolos cristãos nas repartições públicas como por exemplo, as salas dos Tribunais. Isso é diferente de proibir o véu islâmico como fez a França. A mulher muçulmana demonstra sua fé através de uma roupa, que está sobre o seu corpo e não afeta ninguém, nem se utiliza de qualquer estrutura pública para isso. Um crucifixo pendurado na parede do Tribunal, aí sim, seria se utilizar do espaço público em favor de uma religião em detrimento de outra. A parede na qual está pendurado o crucifixo é pública, o corpo da mulher muçulmana não é. Ou seja, nesta seara, os EUA agiram certo, a França, agiu errado.

Assim, a França se acha republicana. Mas permite, na contramão, que uma revista publique conteúdo racista e xenófobo, a pretexto de respeitar a liberdade de expressão. Infelizmente, os EUA também permitem com base na Primeira Emenda.

Como já dito, Julian Assange e Edward Snowden também expressavam sua liberdade de informar, mas são perseguidos e tratados como criminosos, inclusive pela França e pelos EUA.

A título de comparação, no Brasil seria bem ao contrário. Aqui uma muçulmana pode usar o véu dentro de uma escola pública, pois tem o direito de demonstrar qual a fé que professa. Por outro lado, quando uma revista publica conteúdos como a da Charlie (e isso seja ostensivo) o Ministério Público haverá de processá-la, já que a Constituição veda qualquer tipo de ofensa à religiosidade alheia.

Não amigos, Charlie não era "inocente". Apesar de não merecer o destino que teve, está longe de ser uma revista inocente.

Ou será que a massiva (desde 2001) criminalização do seguidores do Islam é uma simples coincidência? Porque não falta gente que acredita realmente que, basta alguém ser seguidor de Alá, que isso o faz automaticamente, ser um terrorista.

Charlie é uma publicação que manipula, e é manipulada, também. Charlie, resumindo, tratava a todos os seguidores de Alá, como criminosos e terroristas. Charlie zombava de sua fé, coisa que não se pode fazer, caso você se intitule um democrata incentivador das liberdades individuais.

Sim, Charlie fazia troça com todas as religiões. Mas o fato de seu corpo intelectual ser ateu, não significa que possa ofender quem não é.

Infelizmente, no mundo de hoje em dia, tudo se resume a, "de que lado você está", porque somos quase obrigados a estar de "algum" lado.

Não, comigo não. Eu não sou Charlie, mas também não concordo com os terroristas. Tenho cérebro, e posso usá-lo pra pensar, ponderar e refletir. 

Quem aí acha que esse recrudescimento dos governos contra os muçulmanos é uma mera consequência dos atentados, que me desculpem, mas deveria comprar alguns livros de história recente.

Não estou dizendo que seja o caso, mas há inúmeras ocorrências na história, de atentados de "menor grau" que se transformam em estopins para serem iniciadas guerras. E como sabemos, nunca é o povo que ganha uma guerra, esteja ele, do lado que estiver. Governos ganham ou perdem guerras. O povo, perde sempre.

Os atentados de 11 de setembro, podem até não terem sido ocasionados pelo governo americano (apesar de muita gente importante achar que foram), porém, inegável que ele se aproveitou deles pra fazer o que bem quisesse, inclusive bombardear o Iraque, alegando que eles tinham armas de destruição em massa, coisa que como o planeta todo sabia, era mentira.

Após os atentados das torres gêmeas, era impossível andar numa cidade americana com um turbante islâmico na cabeça, sem ser agredido ou ofendido.

Houve uma clara distorção que confundiu as pessoas. Os muçulmanos passaram a ser confundidos com terroristas e o governo americano foi 100% responsável por esse engano.

Clamo para que o cérebro da maioria funcione. Hoje em dia é bem mais fácil rastrear a informação de quem ganha e quem perde com uma ação como essas. Ou seja, antes de ficar vestindo camisas de eu sou isso, eu sou aquilo, vale a pena dar uma rápida googleada pra se informar melhor.

Está na hora de sermos bem menos, massa de manobra, como temos sido até agora.

Condenar os atentados é uma coisa, que eu também condeno. Me incluir nesse grupo do "somos Charlies" é outra bem diferente. Apoiar eventos contra muçulmanos, então, tô fora. Mesmo que você seja ateu, não tem o direito de espinafrar e humilhar quem não é.

Eu sou cristão e condeno muito minha própria religião pelos crimes que cometeu ao longo da história, e pelo amontoado de besteiras que são faladas em cada missa dominical, mas se tem uma coisa que Cristo em pessoa, dizia (nas palavras e parábolas dele) era, respeite a todos, independente de quem são e qual fé professem. 

Mas hoje parece que o povo tem medo de não pertencer a um grupo, qualquer que seja, ele. Por isso vão se metendo em apoios insanos como esse. Não sou Charlie, e nem quero ser. Não preciso.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

DIREITO DE SE EXPRESSAR NÃO É DIREITO DE OFENDER

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Existe uma coisa sobre a qual deveríamos todos prestar muita atenção. É o emburrecimento crônico da sociedade. 

Não é possível fazer um recorte histórico para saber com certeza, quando as pessoas foram mais burras. Se no passado, ou agora. Mas é fato que a falta de critérios razoáveis para embasar qualquer discussão chegou a um nível de pobreza, que honestamente, dá preguiça conversar com determinadas pessoas, sobre quase qualquer assunto.

A barbaridade do momento foi o atentado ao Charlie Hebdo. Quando se tenta mostrar que o jornal não era santo e que no mínimo, provocou o próprio destino, nos acusam de coadunar com a violência. É de um pauperismo intelectual brutal. Dizem alguns que estamos culpando a vítima, tal qual não se pode fazer no estupro. 

Ora, ora. São casos completamente diferentes e só se utiliza de um exemplo como esse, quem não tem a menor noção do mundo no qual está vivendo. Acusar a vítima pelo estupro é estapafúrdio porque ela, ainda que estivesse "provocando" o criminoso, estaria fazendo isso na esfera privada que é para todos os efeitos, indevassável. Quando uma pessoa "provoca" a libido de alguém o faz dentro de seu legítimo direito, direito esse, similar ao da própria existência. Usar roupa curta, perambular por determinadas regiões só pode ser considerado "provocar", por uma mente igualmente perturbada. Quando uma mulher usa uma roupa curta, não o faz dizendo "ok, venha me estuprar porque é isso que eu quero, afinal estou de roupa curta". Ela apenas se mostra, o que nenhum problema tem. Esteja ela adequada ou não ao ambiente em que se encontra, a suposta provocação não pode ser entendida como uma permissão nem uma justificativa. Ou seja, NÃO É uma provocação. 

Do mesmo modo, não se pode considerar razoável que um torcedor usando a camisa de seu time, seja espancado até a morte, simplesmente por causa da vestimenta.

Por certo que a violência nunca se justifica. Um torcedor não pode ser surrado por expressar seu amor ao time, quando faz isso de maneira coerente e respeitadora, estará sempre coberto de razão. Por outro lado, se ao vestir sua camiseta e ao expressar sua torcida, a pessoa venha a agredir o adversário, verbal ou fisicamente, a situação alcança outro patamar. Ela estará efetivamente dando causa à resposta do agressor. A resposta do agressor não o exime do crime, e não o isenta, como imaginam alguns. Porém, dar causa a um delito, também é merecedor pela lei penal, senão de sanção, ao menos de reprovação.

Por isso que nos casos extremados de brigas de torcidas, normalmente ambos os lados são punidos. Por que se provocam mutuamente, e não se respeitam. Já no caso de um estupro, a menos que a vítima colocasse uma arma na cabeça do estuprador e o obrigasse ao fazê-lo, ela não poderá nunca ser punida nem censurada.

E o caso da revista Charlie vai exatamente nesta linha da provocação extremada. Era uma  revista racista e intolerante, que se escondia atrás de um suposto pensamento de esquerda e da liberdade de expressão que as Constituições dos países chamados civilizados, lhe conferem.

Chamar através de charges uma ministra de macaca só porque ela é negra, não encontra justificativa na liberdade de expressão. Liberdade de expressão seria discordar das atitudes da ministra enquanto profissional, dentro da razoabilidade e da coerência.

Fazer uma charge onde Jesus Cristo aparece currando Deus, ou um muçulmano que aparece defecando na própria boca, não pode ser visto como mera liberdade de expressão. 

Direito de se expressar não é direito de ofender, gratuitamente, outras pessoas, naqueles valores que lhe são mais caros.

A imprensa e a população, apressadamente como é de costume numa sociedade midiática como a nossa, vestiu a camisa do Charlie Hebdo, como se fossem os mais injustiçados da história. Evidentemente, evidentemente, evidentemente (direi isso mil vezes se necessário) que não se justifica uma chacina por causa disso, mas se compreende o nexo causal. Se os mortos da Hebdo estivessem vivos e fossem a um hipotético tribunal, os atiradores terroristas seriam sentenciados pelo tiroteio, e os provocadores, pelo crime de injúria racial e religiosa.

Os Charlie Hebdos, apesar de claro, não merecerem o fim que tiveram, jamais poderiam ser considerados absolutamente inocentes e injustiçados.

Mas como no início deste artigo dissemos que no mundo de 2015 é quase impossível que as pessoas tenham um tendência a fazer análises isentas, acabamos derivando para o trololó de sempre. Ou se está deste lado, ou se está daquele lado.

O The Independent da Inglaterra disse que os cristãos atiradores da Noruega, nunca tiveram que se desculpar pelo atentado horroroso que um extremista executou, só porque o maluco usava o nome de seu deus pra isso. Da mesma forma, os muçulmanos não tem nada a ver com os ensandecidos que mataram dez na França. (veja aqui, em inglês). Afinal, não estamos falando de religião, estamos falando de gente doida.

Dito isso, vemos proliferar na mídia falada, escrita e cibernética, os fanfarrões de sempre, sempre dispostos a tirar uma casquinha de qualquer evento, e capitalizá-la da melhor forma possível. 

Rachel Sheherazade pode ser fisicamente atraente e ter um rostinho até bonitinho, mas tem uma mente perigosa. Se utiliza de uma situação triste e preocupante como esse atentado, para comparar o ocorrido à liberdade de expressão que é "ceifada" (na visão dela, claro), da revista Veja.

Uma revista que ao estilo da Charlie Hebdo, não se utiliza da razoabilidade nem da coerência para fazer críticas. Se utiliza somente da intolerância e da falta de critério intelectual de uma parcela de seus leitores. Mas como o jornalismo empobreceu, alguns dos representantes dessa então nobre classe, optaram por estender a lona de um circo, pavoneando-se no picadeiro à cata de quem os ovacione. 

Haverá, como de fato há, quem o faça. 

Um ilustre desconhecido do ramo da prestação de serviços, sempre me disse que muito mais importante do que a quantidade de clientes que se tem, o que vale é a qualidade. O ignorante é facilmente cooptado por outro circense que lhe pareça mais apropriado para o momento, de modo que o palhaço velho, é largado à míngua tão logo seja trocado. A audiência qualificada por outro lado, acompanhará o artista enquanto ele for merecedor de honrarias.

Mas para que isso se perpetue, o artista como dito, tem que ser MERECEDOR. Ou seja, ele tem que ter qualidades. O que nossa imprensa tem demonstrado a cada dia, que pouco tem.

Sheherazade mostra com sua defesa, a priori, da Veja, sem que sequer houvesse algo a ser falado nesse sentido, que é no modesto entendimento deste escriba, uma jornalista em fim de carreira, apesar do pouco tempo que tem de exposição até agora. 

Se embebeda nos 15 minutos de fama que Andy Warhol falou. Logo ela será esquecida porque será sobrepujada pela bobagem que diz a cada dia. E como bobos não faltam no mundo, sempre haverá alguém para substituí-la.

Sua claque continuará perambulando à busca de um novo rostinho e de uma nova voz que espelhe sua intolerância e virulência.

Como sabemos, vírus criados em laboratório, no início infectam as cobaias, depois os alvos. Num momento posterior, se espalham e atingem a todos, sem nenhum critério.

Sheherazade, Hebdos e outros como eles, deveriam levar isso em consideração.

Mas acho que seria pedir demais, uma coisa dessas.

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