
Fantástico adesivinho de protesto fotografado na Europa. Desnecessita de palavras. Ou, no linguajar de George Walker Bush, é "autofalante".
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Acho que o eleitor tem tanto direito a saber se o candidato é gay, quanto a saber o motivo da separação conjugal, ou se tem uma filha fora do casamento.
Nossa mídia nada falou sobre o filho de FHC com a jornalista da Globo. Mas massacrou Lula em relação à sua filha na campanha de 89.
Se não pode falar de vida pessoal, ok. Mas então não fale de ninguém. Se pode, que falem de todo mundo.
Ou só agora, bem agora, o eleitor perdeu o direito à informação?
Francamente, a parcialidade da imprensa brasileira é irritante.
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Por Luiz Antonio Magalhães, para o Observatório, publicado no Vermelho
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"A revista Veja parece ter perdido definitivamente o rumo, talvez em função do vexame histórico na cobertura da crise financeira internacional. Afinal, não é todo dia que uma redação prepara uma capa espetacularmente incisiva, com Tio Sam de dedo em riste e a manchete garantindo: "Eu salvei você" (edição 2079, com data de capa 24/09).
Capa esta que dias depois se torna um case de "barriga" jornalística, uma vez o "crash" de 29 de setembro revelou não apenas que Tio Sam não havia conseguido salvar ninguém como estava desesperadamente em busca de uma solução que envolvesse a União Européia e até países emergentes. A barriga foi tão descomunal que na semana seguinte a rival CartaCapital fez graça e repetiu a capa da Veja, com o mesmo Tio Sam de dedo em riste, acompanhado por uma manchete marota: "Ele não salva ninguém".
Se o problema fosse apenas na forma, tudo bem, "barrigas" acontecem nas melhores redações (em Veja, com uma freqüência um tanto maior, estão aí o boimate e os milhões do Ibsen Pinheiro que não me deixam mentir). A questão central não está na forma, está no conteúdo. Veja há muito tempo não é uma revista jornalística, mas um panfletão conservador, editado por uma equipe que conta com a fina flor do pensamento reacionário brasileiro. A crise global, porém, parece ter mexido com os nervos do pessoal da Veja e o panfletão perdeu o rumo.
Em um primeiro momento, Veja apresentou ao distinto público a idéia de que a crise já tinha acabado (com o anúncio do primeiro pacote de Bush-Paulson), o que havia era um "soluço" absolutamente normal no capitalismo. Na semana seguinte, com data de capa de 1° de outubro, mas circulando no final de semana de 27/28 de setembro, portanto um dia antes do "crash" de 29/9, a revista da editora Abril voltou a dar capa para crise, fazendo uma espécie de "balanço" do que vinha ocorrendo. "Depois do Desastre" era a manchete da capa, mas o desastre real ainda nem tinha acontecido.
O problema de Veja é que os valores nos quais a revista continua acreditando e defendendo estavam virando pó com a crise e não havia discurso coerente que servisse para manter o panfletão em pé, muito menos com o disfarce de veículo jornalístico. Primeiro, veio a euforia (ok, existe uma crise, reconhecemos, mas Bush é "dos nossos", vai dar um tiro certeiro e cortar o mal pela raiz).
Não funcionou, para a perplexidade dos jornalistas que cuidam de traduzir o pensamento reacionário norte-americano em uma linguagem acessível a qualquer idiota, e a revista começou a tentar reconhecer que se tratava mesmo de uma crise gravíssima e que expõe as entranhas de um sistema podre, desregulado e baseado na ganância de gente que vendia terrenos na lua sem o menor escrúpulo, contando com a certeza da impunidade.
O povo não é bobo?
Enquanto tateia em busca de um discurso para a crise – se os mercados continuarem eufóricos, provavelmente a próxima capa será um enorme "UFA" – Veja não descuida do front interno. Na edição corrente (2082, com data de capa de 15/10), a "Carta ao Leitor", espaço editorial da revista, leva o título "O povo não é bobo", acompanhada de uma grande foto do prefeito Gilberto Kassab.
O recado da revista ao seu público começa assim: "O primeiro turno das eleições municipais demonstrou, outra vez, que a esmagadora maioria dos brasileiros sabe, sim, votar, ao contrário do que ainda insistem em propalar os descrentes na democracia nacional (felizmente, poucos)." Em seguida, vem o argumento "racional" de que a população votou nos melhores, gente que trabalha sério, "independente do partido".
Beto Richa (PSDB) e Fernando Gabeira (PV) são citados no texto, e Kassab, na legenda da foto ("Gilberto Kassab, de São Paulo: exemplo de que a maioria dos brasileiros sabe, sim, votar"). No final do texto, o veredito final: "Não basta para um partido – qualquer um – contar só com a força de um presidente da República bem avaliado e simpático. É preciso muito mais. O povo não é bobo."
Não, de fato o povo não é bobo e já sabe que Veja tem lado. Neste ponto, aliás, seria mais honesto e correto copiar o que de bom existe nos Estados Unidos e explicitar, no editorial, que a revista apóia os candidatos da oposição, especialmente os do PSDB e DEM — legendas que por sinal apóiam Gabeira no Rio. É assim que se faz lá fora e é assim que agiram CartaCapital e, em diversas ocasiões, a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.
Veja, ao contrário, editorializa as reportagens. Um bom exemplo está também na edição desta semana, na reportagem que faz um balanço do resultado das urnas. A revista reconhece que o PT cresceu, mas diz que foi nos grotões. Um infográfico está lá para quem quiser fazer contas: em número absoluto de votos, o PT cresceu 1% em relação a 2004, o DEM teve 17% a menos do que na votação anterior e o PSDB perdeu 8% dos votantes de quatro anos atrás. O PMDB, líder no país pelo critério de prefeitos eleitos, viu seu eleitorado crescer 30%.
Qualquer foca de jornalismo faz as contas, soma os danos e conclui que o lead é a derrota dos partidos de oposição, que perderam exatamente 25% do eleitorado de quatro anos atrás. Qualquer foca, menos a Veja, que preferiu destacar o aumento de 30% do PMDB, um partido ônibus, que cabe qualquer um e que tem na resiliência a sua maior virtude. É justo que se dê destaque à vitória peemedebista, mas é evidente que o fato político mais relevante é a estrondosa derrota da aliança demo-tucana, com consequências evidentes na corrida sucessória de 2010.
No fundo, Veja age na política e na economia seguindo a máxima do ex-ministro Rubens Ricúpero: o que é bom (para o ideário conservador), a gente mostra; o que é ruim, a gente esconde. E nisto, fica aqui o reconhecimento, o pessoal da redação de Veja sabe fazer como ninguém... "
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É o que eu sempre falo. Veja devia assumir que tem lado. Não fazendo isso, um montão de gente, notadamente de classe-média, recebe em sua casa aos domingos um panfletão reacionário dizendo que preto, pobre e viado não prestam, afirmando que o Brasil é um lixo e só os EUA prestam. Aliás, é incrível mesmo a capacidade de Veja de elogiar os EUA mesmo nas piores mancadas. Veja conseguiu inclusive achar uma boa desculpa para a invasão do Iraque.
O cidadão comum que consome as publicações da Abril acham que estão lendo notícias. Na realidade, estão sendo induzidos de maneira grosseira para acreditarem no que a revista pensa. Nos valores que seus donos e lacaios têm.
Se o povão soubesse mesmo que aquilo é tudo mentira e só faz propaganda do que interessa pra ela, deixaria de pagar 9 reais por cada edição em banca.
Tristeza total...
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É sempre a mesma coisa. Os políticos deveriam, definitivamente, se atualizar. Não sei a quem imaginam que convencem com suas lorotas.
O banco franco-belga Dexia, um dos que na Europa mais sofreu com a crise nos mercados financeiras, pagou um jantar de luxo a mais de 200 convidados num hotel de Mónaco, noticia a agência de notícias belga, citada pela Lusa. O jantar, cujo custo foi mantido em segredo, teve lugar na Sala Império, a principal do Hotel de Paris, e teve como mote o lançamento da filial do Dexia para a banca privada no principado do Mónaco.
O caso está a agitar a sociedade belga, que vê com maus olhos o "esbanjamento" promovido pelo Dexia, depois de ter beneficiado de uma injecção de 6.400 milhões de euros dos governos da Bélgica, França e Luxemburgo.
Também a divisão seguradora do grupo Fortis, desmembrado devido à crise e alvo de ajudas financeiras de vários governos, ofereceu sexta-feira a correctores de seguros um repasto noutro luxuoso hotel monegasco, gastando perto de 150 mil euros. Esta situação levou o Partido Socialista Belga a afirmar que "o mundo da finança perdeu toda e qualquer decência". O grupo Fortis justificou-se dizendo que tudo não passou de uma "acção comercial habitual".
Estes casos seguem-se ao da AIG, a seguradora dos Estados Unidos que, para comemorar o evitar da falência, gastou centenas de milhares de dólares num luxuoso "resort" californiano. A AIG foi salva "in extremis" da falência através de uma injecção de 85.000 milhões de dólares (62.000 milhões de euros) aprovada pela administração do Presidente George W.Bush."
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E dai, alguém achava que seria diferente?
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"Liga Jean-Paul Lagarride, bom amigo, pergunta como passamos, o Brasil e eu, em meio à crise financeira que abala o mundo. Esclareço que nunca participei do jogo bursátil e que pouco sei das coisas das finanças. Quanto ao País, estou perplexo. Ouço gente graúda a garantir que não sofreremos tanto assim, mas careço de fé bastante para acreditar em desfechos positivos, ou, pelo menos, não muito negativos. O Brasil não é uma ilha, e muito menos de prosperidade. Jean-Paul filosofa: “Assistimos ao fracasso do capitalismo real”. Observo: “Do neo-liberalismo, ou seja, do ultra-liberalismo”. Ele admite: “Sim, o capitalismo à moda do Adam Smith, do Keynes, este poderia estar vivinho da silva”. Concordamos quanto ao fato de que tudo depende das interpretações. Por exemplo: o socialismo em si é má doutrina? “É uma utopia”, afirma peremptório. “Não sei – digo eu, – a derrota foi a do chamado socialismo real, na prática um regime de extrema direita, embora para os russos tenha alcançado alguns resultados apreciáveis”. “Você sabe que reabilitaram o czar Nicolau e a sua família?” “Não é bem uma reabilitação, trata-se do reconhecimento de que a chacina da família real por parte dos bolcheviques foi crime inútil”. “A revolução francesa guilhotinou soberanos e vassalos”. “Sim, sim, certas violências o tempo as digere e muitas vezes as explica. De todo modo, a monarquia czarista manteve a Rússia atada à Idade Média até o fim”. “E o neo-liberalismo?” “Garantiu a bandalheira, transformou o mundo em um cassino, aprofundou as desigualdades, consagrou a exploração dos pobres pelos ricos, estabeleceu a lei da selva”. “Foi tudo insano”. “É isso, insano, estulto e feroz. Um assalto mafioso à própria razão”."
Leia no original
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"Eu conversava com um amigo sobre o texto do Mauro Carrara que reproduzi na capa do site. Durante a conversa constatamos o óbvio: São Paulo é uma cidade conservadora. Sempre foi. É a terra que elegeu Jânio Quadros e Paulo Maluf, que por sua vez elegeu Celso Pitta.
Notamos que Marta Suplicy foi votar de roupa bege mas, à noite, diante da derrota, já estava vestindo vermelho. Quando o PT perde tira o vermelho do armário?
Nós nos lembramos da campanha de 1984, em que Jânio Quadros derrotou Fernando Henrique Cardoso com um discurso do tempo das cavernas.
Eu acompanhei de perto aquela eleição, como repórter da TV Manchete em São Paulo. O Jânio estava certo de que a TV Globo fazia campanha contra ele e dava prioridade à Manchete nas entrevistas. Eu ia com frequência à casa do candidato entrevistá-lo. Jânio se comportava mais como um inspetor de quarteirão do que como candidato a governar a maior cidade da América Latina. Cuidou de enfatizar a diferença entre FHC, o "moderno", e ele, Jânio, que ainda falava em usar a vassoura para varrer a corrupção.
Apelou ao instinto mais conservador do paulistano, que em minha opinião não existe. Paulistano é apenas uma designação para definir quem nasce na capital do estado de São Paulo. Quem vem para São Paulo e é confrontado pela metrópole que não pára de mudar busca refúgio em suas tradições de origem. Quem mora em São Paulo quer símbolos de familiaridade por perto: Silvio Santos, Jânio Quadros, o dono da banca de jornais e da padaria. A vida é tão precária nesta cidade que "mudança" não tem apelo eleitoral.
Assim sendo, Marta Suplicy é uma aberração no cenário paulistano. Ela rompe com o instinto mais íntimo de milhões de eleitores: a mulher que sabe o que quer, que corre atrás do que quer, que não tem medo, que não precisa de proteção, que troca de marido para ser feliz. A votação de Marta na periferia de São Paulo é extraordinária. Por mim elegeríamos dois prefeitos: um para cuidar da classe média e outro para a periferia. Na ausência de um político que consiga fazer a ponte entre estes dois mundos continuaremos em São Paulo a ter essa fratura exposta a cada quatro anos."
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Pagar os salários de 22 milhões de pessoas
U$ 700 bilhões seriam suficientes para pagar o salário médio anual a 22 milhões de pessoas nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, o pagamento médio por uma semana de trabalho foi de US$ 612 em agosto passado.
Estabelecer cobertura de saúde universal
Os EUA poderiam finalmente estabelecer seguro de saúde universal, um objetivo que até agora foi constantemente evitado pelos políticos. O governo poderia financiar até seis anos de seguro de saúde para cada um de todos os cidadãos estadunidenses.
Construir 100 barreiras ao redor de Nova Orleans
O projeto para fortalecer as barreiras em torno de Nova Orleans poderia realmente ser pago mais de uma centena de vezes. Desde o furacão Katrina, o governo gastou cerca de US$7 bilhões em tais esforços.
Comprar duas Dinamarcas
US$700 bilhões é suficiente para financiar as economias de países inteiros. A soma considerada pelo Congresso é mais do que o dobro do produto interno da Dinamarca, o qual em 2007 foi cerca de US$ 312 bilhões.
Financiar todo o orçamento nacional da Alemanha durante mais de um ano
Projecções estabelecem o orçamento nacional da Alemanha para 2009 em 288 bilhões de euros, os quais, às atuais taxas de câmbio, resultam em cerca de US$ 420 bilhões. Com esta soma de dinheiro seria possível financiar o país durante 1,6 anos.
Combater a pobreza na África durante 10 anos
Este montante de dinheiro poderia financiar programas da ONU para combater a fome e pobreza na África durante 10 anos. De acordo com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o continente precisa de US$72 bilhões por ano de ajuda ao desenvolvimento.
Lançar múltiplos "New Deals"
Franklin Dellano Roosevelt ficaria verde de inveja. Seu "New Deal" da década de 1930, inigualável até agora como programa de crescimento, poderia ser financiado muitas vezes mais. Segundo o Wall Street Journal, os investimento de infraestrutura do programa custariam cerca de US$ 250 bilhões em dólares de hoje. Estes investimentos ajudaram a construir ou renovar 8.000 parques, 40 mil edifícios públicos e 71 mil escolas.
Salvar a Terra (ao invés de bancos)
Ao invés de ajudar bancos, US$700 bilhões poderiam ser utilizados para salvar o ambiente. Esta, pelo menos, é a opinião de M. A. Sanjayan, cientista principal do grupo de proteção ambiental The Nature Conservancy. Embora os dados dos institutos de investigação variem consideravelmente quanto à quantia precisa que seria necessária para por o ambiente de novo numa base saudável, todos concordam em que US$ 700 bilhões dava para um longo caminho.
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