sexta-feira, 17 de outubro de 2008

PROTESTO


Fantástico adesivinho de protesto fotografado na Europa. Desnecessita de palavras. Ou, no linguajar de George Walker Bush, é "autofalante".


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PARLAMENTAR JAPONÊS DUVIDA DO 11/9



Entre as 25 notícias mais censuradas do mundo, trazidas pelo blog do Azenha (clique aqui pra ler o original em inglês), finalmente encontro eco para algo que já ouvi nos subterrâneos do mundo:

"Japão duvida da versão oficial do 11/9 e não quer mais guerra
(por Benjamín Fulford)

O parlamentar Yukihisa Fujita desafiou a validez da guerra ao terrorismo dos EEUU e pediu que o Japão se retire do Afeganistão durante uma sessão da Câmara Alta que em janeiro de 2008 debateu a renovação da lei antiterrorista que faculta o apoio logístico japonês às tropas da coalizão. A transmissão do debate permitiu que os japoneses conhecessem pela primeira vez um questionamento frontal da versão oficial da tragédia de Nova Iorque de 2001. O jornalista Benjamin Fulford disse que o parlamentar do Japão, que é um país aliado dos EEUU, mostrou através da TV nacional evidência de grande alcance de que o governo dos EEUU assassinou a 3.000 de seus próprios cidadãos, assim como a 24 pessoas do Japão e a gente de muitas outras nações. Mas Fulford não pode levar Fujita a uma roda de imprensa no Clube dos Correspondentes Estrangeiros do Japão porque seus próprios colegas estadunidenses não o permitiram."


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O JEITO-SERRA-DE-SER



O jeito-serra-de-ser significa não se incomodar com o que fala, por ter toda a certeza do mundo que se está sempre certo.

Neste vídeo Xuxa Meneghel responde ao então Ministro da Saúde por suas palavras descabidas.

Mas que fique claro, isso só apareceu na TV porque se tratava da Xuxa, funcionária bem paga da Globo. Fosse um zé-mané da periferia naturalmente isso seria propositalmente deixado na gaveta.



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GUERRA DAS POLÍCIAS: SERRA CAVOU A PRÓPRIA COVA




"Serra cavou a própria cova" sendo autoritário (como de costume) e jogando a polícia contra a polícia. Palavras de um policial civil absolutamente indignado.

Na hora em que a poeira baixar, esses policiais irão para casa, irão se acalmar. Depois, começarão a chegar à conclusão de que foram manipulados, que o Governador estava nervosinho porque é véspera de eleição.

Então (no meu modo de ver, compreensivelmente), prepararão a revanche.

E o Zé Mandão, acha que alguém dessa gente, das duas polícias, de suas famílias, de seus vizinhos, votará nele? Zé Mandão tem muito o que aprender sobre política. Não é com tacape que as coisas são resolvidas.



Clique aqui para ver o tolo Estadão falando para a meia dúzia de assinantes que tem.
Clique aqui para ver que o Globo acha que é melhor o país parar de crescer.
Clique aqui para ver que nem Serra defende FHC.
Clique aqui para ver o tapa de luvas em "nazy" Casoy. Dilma samba com garí no carnaval.
Clique aqui para ver o "sucesso" de José (quem?) Serra no carnaval do nordeste.
Clique aqui para ver Serra e ACM Neto de mãos dadas em Salvador.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

CARTILHA PRONTA




Serra diz que a greve dos policiais é política. Novamente eu mostro que é o mesmo blá-blá-blá de sempre. O discurso do então Governador Alckmin não era a cópia escarrada do discurso do atual Governador?


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O CORRIDÃO DO KASSAB




Kassab endoidou geral na inauguração de uma Unidade de Saúde. Naturalmente cada um vê o episódio da maneira que melhor lhe convém. Tem gente que acha que ele é o heroi do pedaço. Tem gente que acha que se fosse a Marta, haveria manifestações na porta da Prefeitura pra pedir o impeachment. Pra mim, o mais legal foi ver o comentário sobre o caso, de um leitor do blog do Azenha:

"Danilo (16/10/2008 - 19:34)
O cara deveria ter respondido para ele: "Prefiro ser vagabundo, que político do DEMO".
Vagabundo mas honesto..."

Já uns amigos meus levantaram a questão sobre a ciência ou não do Prefeito, acerca da existência de uma equipe de televisão alí. Se sabia, teria sido de propósito pra passar por paladino dos "frascos e comprimidos" do postinho de saúde?

Será que ele queria criar um factóide pra mostrar o quanto é destemido para a campanha eleitoral que estava por vir? Lembrando que naquelas alturas do campeonato, ele estava muito mal nas pesquisas...


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DURMA COM UM BARULHO DESSES


Já falei anteriormente que existe um discurso ultrapassado de uma estirpe de político que nunca assume que a culpa pode ser dele, em alguma situação. Este sim, com o perdão do trocadilho, é o que os americanos chamam de "mr. right"

Os últimos capítulos dessa novela de uma nota só têm sido protagonizados pelo mesmo personagem.

Vejamos esta manchete do Diário do Grande ABC

"Serra diz que greve dos policias civis tem motivação eleitoral

O governador de São Paulo, José Serra, criticou a greve dos policiais civis, que resultou em um confronto entre os eles e o policias militares, nesta quinta-feira, na Zona Sul de São Paulo. Para o governador, existem partidos políticos envolvidos na greve."

Para este tipo de mandatário, qualquer reivindicação, por mais justa que seja, tem a única finalidade de manchar sua reputação.

Ora, claro que os policiais não querem aumento. Afinal todos sabemos como a polícia brasileira é bem remunerada. São apenas um bando de desocupados que estacionam suas Mercedez do lado de fora do Palácio do Governo especialmente para azucrinar o nobre comandante-em-chefe, batendo panela contra o legítimo defensor do povo fraco e oprimido.

O legal é que pra certos políticos não existe a preocupação sobre a má repercussão das coisas idiotas que ele possa vir a fazer ou dizer. Haverá sempre uma imprensa dócil a lhe dar respaldo.

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ÓTIMA PARÓDIA DE BUSH




Pra quem entende um pouco de inglês, esta é uma imitação impagável de Bush.


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A CULTURA DO INÚTIL



Convém reparar no excesso de notícia que a mídia nos empurra. No trânsito esta tarde, ouvindo uma rádio de notícias notei que no período de meia hora, me foi informado 3 vezes das condições dos aeroportos, 3 vezes sobre o clima (que aliás, estava errado porque dizia que em Curitiba estava um céu claro, mas o mundo caía de tanta chuva) e, num spot de um jornalista cobrindo um confronto entre policiais em São Paulo, ouvi 7 vezes (do mesmo jornalista) num prazo de 1 minuto que os protagonistas da briga eram policiais civís versus policiais militares.


Reparei também que a moça da rádio falou que dos mil e tantos vôos programados para o país hoje, "x" estavam atrasados, alguns cancelados e os outros seguiam normais. A questão, é, que diferença isso faz? Ora, se eu estou para pegar o avião, decerto já estou no aeroporto e portanto, já sei que atrasou. Se eu estou longe do horário de pegar o avião, a notícia que meu vôo vai atrasar ainda não está disponível. Se vou buscar um amigo no aeroporto, tampouco a rádio me informa quais são os vôos atrasados e aqueles que estão no horário.

Ou seja, pra quê serve um boletim sobre as condições nos aeroportos a cada vinte minutos?

E sobre o tempo então? Já repararam que antigamente a previsão do tempo nem sequer tinha espaço fixo na programação? Era uma coisa eventual. Fala sério, faz tanta diferença para quem mora na cidade e não depende do clima para a lavoura, saber se daqui a duas horas vai chover?

Não sei, tenho a impressão que como precisam preencher uma grade de programação o dia todo, nos empurram a necessidade de estarmos bem informados sobre coisas absolutamente descartáveis e inúteis.

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ps. Aliás, inútil mesmo é ouvir o "comentarista" de economia da BandNews, o Luiz Carlos Mendonça de Barros. Como já falei nesta coluna, que não o conhece, que o compre. Segundo as previsões dele, o mundo vai acabar. Aliás, já acabou.

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A DEMOCRATA YEDA



Me corrijam se eu estiver errado, mas no tempo do Olivio Dutra, uma manchete como esta, nós não veríamos, não é?

"Polícia despeja professores que faziam greve de fome no RS"

O Pelotão de Choque da Brigada Militar despejou, na noite de ontem (13), os manifestantes que faziam greve de fome na porta da Secretaria de Educação do Estado (SEC), em Porto Alegre. Vinte e oito educadores das escolas itinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pais de alunos protestavam contra contra a política da governadora Yeda Crusius (PSDB) para a educação, especialmente nas zonas rurais. (leia mais no
Brasil de Fato)


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KASSAB, O CASADOIRO


De fato, pouco me importa se Kassab é gay ou não é. No meu modo de ver, a mídia direitista se queimou por pouco. Como dizia Shakespeare, "much ado about nothing".

Mesmo assim, vejam se esta frase dele não é um primor:

"Está cheio de mulher querendo casar comigo"

Ora, ora, Kassab. A questão é, e você, está querendo casar com elas?

Por outro lado, nem com uma deixa dessas nossa imprensa dá uma espetada. Vejam como esta matéria inverte a lógica das coisas nesta bobagem publicada por um colunista da Gazeta do Povo. Ah, se fosse com a Marta...


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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

INVASÃO DE PRIVACIDADE



A mídia se doeu em virtude das insinuações sobre Kassab ser gay.

Quando Regina Duarte disse que tinha medo do Lula em 2002 e alguns reclamaram, Serra tratou de dizer que era patrulhamento dos petistas. Que ela tinha o direito de "ter medo".

Quando Marta se separou de Suplicy ninguém ligou em jogar a vida pessoal dela na lata do lixo. Havia fotógrafos de plantão noite e dia pra satisfazer o "direito à informação" que o eleitor tinha sobre a Prefeita.


Acho que o eleitor tem tanto direito a saber se o candidato é gay, quanto a saber o motivo da separação conjugal, ou se tem uma filha fora do casamento.

Nossa mídia nada falou sobre o filho de FHC com a jornalista da Globo. Mas massacrou Lula em relação à sua filha na campanha de 89.

Se não pode falar de vida pessoal, ok. Mas então não fale de ninguém. Se pode, que falem de todo mundo.

Ou só agora, bem agora, o eleitor perdeu o direito à informação?

Francamente, a parcialidade da imprensa brasileira é irritante.

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NASSIF ANALISA O BRASIL NA CRISE


Novamente trago um bom e lúcido artigo do Luiz Nassif sobre a crise financeira. Está em seu blog e também no Vermelho.

"Seguiram-se várias tentativas erradas de combater a crise. Os erros maiores foram cometidos pelo Secretário do Tesouro americano, Henry Paulson. Egresso de Wall Street, Paulson engendrou um pacote de recompra dos títulos podres que, na prática, preservava os interesses dos bancos de investimento e os bônus milionários de seus executivos.
Não deu certo. Percebeu-se que o sistema bancário norte-americano estava quebrado. Haveria necessidade de uma recapitalização.
Enquanto isto, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, continuava imerso em um autismo inexplicável, atacando os moinhos de vento da inflação enquanto o quadro mudava totalmente.
O movimento seguinte foi dos presidentes de Bancos Centrais e Ministros da Fazenda europeus, injetando liquidez no sistema. Também era um movimento inútil. Liquidez adianta quando o banco tem problemas momentâneos de caixa. Quando está quebrado, não.
Coube à Inglaterra mostrar o caminho, com seu programa de recapitalização e nacionalização (estatização) do sistema bancário. Imediatamente a notícia circulou e o mundo caminhou rapidamente para a trilha aberta pela Inglaterra.
No final de semana celebrou-se uma articulação inédita entre países membros do G7, do G20 e países da União Européia.
Os pacotes anunciados garantem a solidez dos bancos e a cobertura dos depósitos. É suficiente? Não se sabe ainda. Mas foi uma ação que, pela primeira vez, encarou a crise em toda sua gravidade.


No Brasil, os desafios são da seguinte ordem:
1. Mapear as empresas e bancos que quebraram a cara com as operações especulativas no mercado de câmbio.

2. Montar canais que permitam que o crédito seja restabelecido diretamente junto ao cliente de banco. Não basta meramente afrouxar o compulsório, porque os bancos não irão emprestar enquanto o quadro não clarear.3. Preparar-se para o próximo ano, capitalizando o BNDES, tratando de reduzir rapidamente o déficit nas transações correntes.

Mesmo assim, não há garantias de como o país sairá dessas crise: se incólume, machucado ou gravemente ferido. Provavelmente, machucado.
Para o cidadão comum, pequenas e médias empresas, haverá os seguintes desdobramentos:


1. Baixíssimo risco de perder aplicações financeiras com quebra de bancos. O BC não poderá deixar nenhum banco quebrar. Portanto, manter o dinheiro em fundos de renda fixa ou DI é uma boa alternativa.

2. Quem não saiu da Bolsa até agora, não saia. Assim que houver clareza sobre as empresas em dificuldade, e o crédito começar a ser recomposto, haverá recuperação nos preços das ações.

3. Se o governo cometer a loucura de reduzir os investimentos públicos, há riscos claros do país cair em recessão.

4. Haverá dificuldades em exportar, devido à contenção do comércio internacional. Mas o câmbio tornará os produtos brasileiros mais competitivos. Daí a importância das estratégias montadas pela Apex para identificar mercados."



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VEJA: O POVO JÁ SE DEU CONTA


Por Luiz Antonio Magalhães, para o Observatório, publicado no Vermelho
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"A revista Veja parece ter perdido definitivamente o rumo, talvez em função do vexame histórico na cobertura da crise financeira internacional. Afinal, não é todo dia que uma redação prepara uma capa espetacularmente incisiva, com Tio Sam de dedo em riste e a manchete garantindo: "Eu salvei você" (edição 2079, com data de capa 24/09).

Capa esta que dias depois se torna um case de "barriga" jornalística, uma vez o "crash" de 29 de setembro revelou não apenas que Tio Sam não havia conseguido salvar ninguém como estava desesperadamente em busca de uma solução que envolvesse a União Européia e até países emergentes. A barriga foi tão descomunal que na semana seguinte a rival CartaCapital fez graça e repetiu a capa da Veja, com o mesmo Tio Sam de dedo em riste, acompanhado por uma manchete marota: "Ele não salva ninguém".

Se o problema fosse apenas na forma, tudo bem, "barrigas" acontecem nas melhores redações (em Veja, com uma freqüência um tanto maior, estão aí o boimate e os milhões do Ibsen Pinheiro que não me deixam mentir). A questão central não está na forma, está no conteúdo. Veja há muito tempo não é uma revista jornalística, mas um panfletão conservador, editado por uma equipe que conta com a fina flor do pensamento reacionário brasileiro. A crise global, porém, parece ter mexido com os nervos do pessoal da Veja e o panfletão perdeu o rumo.

Em um primeiro momento, Veja apresentou ao distinto público a idéia de que a crise já tinha acabado (com o anúncio do primeiro pacote de Bush-Paulson), o que havia era um "soluço" absolutamente normal no capitalismo. Na semana seguinte, com data de capa de 1° de outubro, mas circulando no final de semana de 27/28 de setembro, portanto um dia antes do "crash" de 29/9, a revista da editora Abril voltou a dar capa para crise, fazendo uma espécie de "balanço" do que vinha ocorrendo. "Depois do Desastre" era a manchete da capa, mas o desastre real ainda nem tinha acontecido.

O problema de Veja é que os valores nos quais a revista continua acreditando e defendendo estavam virando pó com a crise e não havia discurso coerente que servisse para manter o panfletão em pé, muito menos com o disfarce de veículo jornalístico. Primeiro, veio a euforia (ok, existe uma crise, reconhecemos, mas Bush é "dos nossos", vai dar um tiro certeiro e cortar o mal pela raiz).

Não funcionou, para a perplexidade dos jornalistas que cuidam de traduzir o pensamento reacionário norte-americano em uma linguagem acessível a qualquer idiota, e a revista começou a tentar reconhecer que se tratava mesmo de uma crise gravíssima e que expõe as entranhas de um sistema podre, desregulado e baseado na ganância de gente que vendia terrenos na lua sem o menor escrúpulo, contando com a certeza da impunidade.

O povo não é bobo?

Enquanto tateia em busca de um discurso para a crise – se os mercados continuarem eufóricos, provavelmente a próxima capa será um enorme "UFA" – Veja não descuida do front interno. Na edição corrente (2082, com data de capa de 15/10), a "Carta ao Leitor", espaço editorial da revista, leva o título "O povo não é bobo", acompanhada de uma grande foto do prefeito Gilberto Kassab.

O recado da revista ao seu público começa assim: "O primeiro turno das eleições municipais demonstrou, outra vez, que a esmagadora maioria dos brasileiros sabe, sim, votar, ao contrário do que ainda insistem em propalar os descrentes na democracia nacional (felizmente, poucos)." Em seguida, vem o argumento "racional" de que a população votou nos melhores, gente que trabalha sério, "independente do partido".

Beto Richa (PSDB) e Fernando Gabeira (PV) são citados no texto, e Kassab, na legenda da foto ("Gilberto Kassab, de São Paulo: exemplo de que a maioria dos brasileiros sabe, sim, votar"). No final do texto, o veredito final: "Não basta para um partido – qualquer um – contar só com a força de um presidente da República bem avaliado e simpático. É preciso muito mais. O povo não é bobo."

Não, de fato o povo não é bobo e já sabe que Veja tem lado. Neste ponto, aliás, seria mais honesto e correto copiar o que de bom existe nos Estados Unidos e explicitar, no editorial, que a revista apóia os candidatos da oposição, especialmente os do PSDB e DEM — legendas que por sinal apóiam Gabeira no Rio. É assim que se faz lá fora e é assim que agiram CartaCapital e, em diversas ocasiões, a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.

Veja, ao contrário, editorializa as reportagens. Um bom exemplo está também na edição desta semana, na reportagem que faz um balanço do resultado das urnas. A revista reconhece que o PT cresceu, mas diz que foi nos grotões. Um infográfico está lá para quem quiser fazer contas: em número absoluto de votos, o PT cresceu 1% em relação a 2004, o DEM teve 17% a menos do que na votação anterior e o PSDB perdeu 8% dos votantes de quatro anos atrás. O PMDB, líder no país pelo critério de prefeitos eleitos, viu seu eleitorado crescer 30%.

Qualquer foca de jornalismo faz as contas, soma os danos e conclui que o lead é a derrota dos partidos de oposição, que perderam exatamente 25% do eleitorado de quatro anos atrás. Qualquer foca, menos a Veja, que preferiu destacar o aumento de 30% do PMDB, um partido ônibus, que cabe qualquer um e que tem na resiliência a sua maior virtude. É justo que se dê destaque à vitória peemedebista, mas é evidente que o fato político mais relevante é a estrondosa derrota da aliança demo-tucana, com consequências evidentes na corrida sucessória de 2010.

No fundo, Veja age na política e na economia seguindo a máxima do ex-ministro Rubens Ricúpero: o que é bom (para o ideário conservador), a gente mostra; o que é ruim, a gente esconde. E nisto, fica aqui o reconhecimento, o pessoal da redação de Veja sabe fazer como ninguém...
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É o que eu sempre falo. Veja devia assumir que tem lado. Não fazendo isso, um montão de gente, notadamente de classe-média, recebe em sua casa aos domingos um panfletão reacionário dizendo que preto, pobre e viado não prestam, afirmando que o Brasil é um lixo e só os EUA prestam. Aliás, é incrível mesmo a capacidade de Veja de elogiar os EUA mesmo nas piores mancadas. Veja conseguiu inclusive achar uma boa desculpa para a invasão do Iraque.

O cidadão comum que consome as publicações da Abril acham que estão lendo notícias. Na realidade, estão sendo induzidos de maneira grosseira para acreditarem no que a revista pensa. Nos valores que seus donos e lacaios têm.

Se o povão soubesse mesmo que aquilo é tudo mentira e só faz propaganda do que interessa pra ela, deixaria de pagar 9 reais por cada edição em banca.

Tristeza total...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

OS EUA E O PRECIPÍCIO



Muito bacanas essas observações, do João Carlos, Postadas pelo Nassif em seu blog. Aqui as transcrevo porque concordo com quase todas elas. Vejamos:

"1- Não é o final da crise, ela está vindo em ondas. E cada vez piores. Ainda há muitas bolhas de crédito para estourar ou estourando nos EUA. Imóveis comerciais deve começar agora, para o ano que vem todas as demais formas de crédito, incluindo cartões.

2- A gestão do Paulson demonstrou o padrão Bush de incompetência, por motivos ideológicos tentou resolver a crise do sistema financeiro como se fosse uma crise de liquidez, quando na verdade é uma crise de solvência. É um incompetente, crise de solvência não se resolve comprando ativos podres ou baixando taxa de juros, a solução é alguma forma de ESTATIZAÇÃO dos bancos. É bom repetir exatamente o que aconteceu, para todos entenderem a idiotice queé o neo-liberalismo: ESTATIZAÇÃO.

3- A liderança para superar a crise do sistema financeiro global veio da Inglaterra e não dos EUA. É crise de hegemonia.

4- A ajuda européia foi acima de E$ 1 trilhão enquanto a ajuda americana até agora é de US$ 250 bilhões. Só que o Buraco Negro dos bancos dos EUA é bem maior que o da Europa. A ajuda do governo dos EUa vai ter de ultrapassar US 1 trilhão, talvez chegando a US 2 trilhões.

5- A dívida pública dos EUA vai estourar: ajuda aos bancos, diminuição de receitas por causa da recessão, provável aumento dos custos por conta do aumento de gastos com assistência social (seguro desemprego e outros serviços sociais aos menos favorecidos).

6- Os EUA estão definitivamente entrando em uma recessão, que será longa. Sistema financeiro implodido, portanto sem capacidade de financiar novos investimentos, consumidor com a corda no pescoço, devido à perda de riqueza pela diminuição dos preços dos imóveis, e aumento da dívida pública e do serviço da dívida sugando a poupança interna. O desemprego lá aumentará para mais de 10% nos próximos meses. Tenho pena do próximo presidente, vai herdar um grande abacaxi, pelo menos dois anos de recessão.

7- O problema de como financiar o déficit da balança de pagamentos dos EUA deve se agravar, estavam financiando com o sistema financeiro vendendo derivativos, a estória do Bernancle de que era um "saving glut" sempre foi balela, agora a fonte secou. O único modo de equilibrar a balança comercial e de serviços é uma brutal queda do dólar.

8- As pessoas estão com uma grande dificuldade para entender como os derivativos funcionam, como eles aumentam o risco do sistema financeiro (embora aparentemente abaixem o risco) e porque o rombo que eles causam é muito maior que o rombo das hipotecas. (…)

9- Também é bom lembrar que o valor dos imóveis continuará caindo por um bom tempo, pelo menos mais dois anos. Portanto, o número de hipotecas não pagas aumetnará e o consumidor dos EUA continuará apertado.

10- Um fator a se notar, a bolha imobiliária e de consumo (cartões de crédito) dos últimos anos foi financiada pelos derivativos. A decisão tradicional em economia é investir em "trigo" ou "aço", sendo que "aço" aumenta a produção futura. O consumidor dos EUA investiu em "casa" e "eletrodomésticos". Nenhum dos dois é "aço", está mais para "pão e circo". Em minha humilde opinião, só esse fator me diz que o futuro econômico dos EUA não é muito promissor.

11- A ação do governo inglês de liderar o sistema financeiro para fazer a ESTATIZAÇÃO deve proteger o sistema financeiro global de qualque outra crise cujo epicentro seja os EUA. A exceção é que a recessão nos EUA afetará a todos os países exportadores, mas o sistema fianaceiro global estará blindado a partir de agora.

(…) 13. Agora se torna mais do que evidente que a crise aqui foi apenas de liquidez. A situação voltará ao normal rapidamente. Muito mais rápido do que nos EUA, onde a recessão veio para ficar. Mais rápido do que na Europa, onde os governos ainda precisam decidir se continuam a sustentar a hegemonia do dólar ou se deixam o barco afundar de vez.

14- Ainda quero saber para onde a China vai. Exportações e importações da China cresceram em setembro. Muito estranho. Um monte de gente aqui repete que eles também vão para uma recessão ou pelo menos uma diminuição forte do crescimento. Não é o que os números mostram. Será mais um caso onde a realidade é bem diferente dos modos tradicionais de pensamento? Volto a repetir, quando há mudança de paradigma, os modelos de análise tradicionais não funcionam, é preciso mudar o pensamento. Porque o mundo fica de cabeça para baixo.

15- Com o retorno da liquidez ao sistema financeiro global, o valor do dóalr deve começar a cair. Considerando a situação macroeconômica dos EUA, que é bem pior do que a da Europa, pois eles possuem o grave problema de fiananciar o déficit da balança de pagamentos, uma queda do valor do dólar é inevitável. A queda será global, em todos os mercados, para valores bem abaixo de antes desta última onda da crise.

16- O FED não tem instrumentos para evitar a queda, está praticamente falido, teve que comprar muito ativo podre.

17- Veremos se a hegemonia do dólar sobrevive a esta queda. Só que outras ondas estão vindo e a cada uma a probabilidade de sobrevivência da hegemonia do dólar diminui.

18- Se o piso aqui no Brasil foi de R$ 1,60 , o próximo piso será abaixo disto, algo entre R$ 1,40 e R$1,00. O dólar cairá para abaixo de R$1,60 nas próximas semanas.

19- Bem vindos ao admirável mundo novo. E ao século XXI, definitivamente. "


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No meu modesto modo de ver, discordo apenas dos números e das "certezas" sobre o futuro. Especialmente ao que se refere aos 2 trilhões de ajuda para salvar a América. Sempre falo que a economia estadunidense é virtual e é virtual já há muito tempo. O rombo, senhores, aposto que é bem maior que isso.

A única coisa que impede os EUA de implodirem, é o fato de haver títulos demais de seu governo espalhados pelo mundo. É haver "papagaios" americanos demais pelo planeta, sejam públicos ou privados. A Europa e o resto do mundo é que vão impedir a "maior democracia do mundo" de cair no precipício.

E aliás, pra Europa vai custar uma bolada de dinheiro!


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O MESMÍSSIMO TRÓ-LÓ-LÓ

É sempre a mesma coisa. Os políticos deveriam, definitivamente, se atualizar. Não sei a quem imaginam que convencem com suas lorotas.


Vejam o que saiu neste artigo, do Vermelho:

"O governo paulista de José Serra, por exemplo, divulgou nota contra a paralisação dos defensores públicos do estado agendada para esta semana. No tal documento, referiu-se ao movimento como do tipo que “serve somente ao projeto político-ideológico de parcela dos integrantes da Defensoria Pública, e não ao interesse público.” É a tal da “greve política”."

Mas será possível que toda greve tem motivação política? É sempre pra desestabilizar o governante da vez?

Será que toda denúncia contra políticos é sempre pra denegrir sua imagem tão honesta?

Será que quando um cidadão faz greve, como o caso desses funcionários públicos paulistas, não é porque estão reivindicando algo que não conseguiram de maneira pacífica?

Será que quando soltam uma denúncia sobre o passado político de alguém não nos deveria ser dado a chance de pensar sobre isso, ao invés de ficarem com a eterna ladainha do tal "patrulhamento"?

Ora, e se eu não quiser um governante que ajudou a ditadura militar? E se eu não quiser um cara que defenda ou apóie o aborto? Não tenho esse direito?

Triste não é ver político lançando mão dessa bobageira. Triste é ver um monte de gente acreditando nelas.

Políticos e conterrâneos, cresçam, por favor!


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BANCOS SOCORRIDOS OFERECEM JANTAR DE LUXO



Do síto português
Esquerda.Net

"Vários bancos e seguradoras que beneficiaram de ajudas financeiras dos governos para fazer face à crise decidiram promover jantares e outros eventos de luxo, nalguns casos para comemorar o evitar das falências. O caso mais recente é o do banco franco-belga Dexia, que pagou um jantar de luxo a mais de 200 convidados num hotel de Mónaco. O grupo financeiro Fortis e a seguradora AIG também promoveram eventos semelhantes.

O banco franco-belga Dexia, um dos que na Europa mais sofreu com a crise nos mercados financeiras, pagou um jantar de luxo a mais de 200 convidados num hotel de Mónaco, noticia a agência de notícias belga, citada pela Lusa. O jantar, cujo custo foi mantido em segredo, teve lugar na Sala Império, a principal do Hotel de Paris, e teve como mote o lançamento da filial do Dexia para a banca privada no principado do Mónaco.

O caso está a agitar a sociedade belga, que vê com maus olhos o "esbanjamento" promovido pelo Dexia, depois de ter beneficiado de uma injecção de 6.400 milhões de euros dos governos da Bélgica, França e Luxemburgo.

Também a divisão seguradora do grupo Fortis, desmembrado devido à crise e alvo de ajudas financeiras de vários governos, ofereceu sexta-feira a correctores de seguros um repasto noutro luxuoso hotel monegasco, gastando perto de 150 mil euros. Esta situação levou o Partido Socialista Belga a afirmar que "o mundo da finança perdeu toda e qualquer decência". O grupo Fortis justificou-se dizendo que tudo não passou de uma "acção comercial habitual".

Estes casos seguem-se ao da AIG, a seguradora dos Estados Unidos que, para comemorar o evitar da falência, gastou centenas de milhares de dólares num luxuoso "resort" californiano. A AIG foi salva "in extremis" da falência através de uma injecção de 85.000 milhões de dólares (62.000 milhões de euros) aprovada pela administração do Presidente George W.Bush."

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E dai, alguém achava que seria diferente?


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O PRÉ-SAL



Ótima charge publicada no Blog do Mino.

De todo modo, posso estar redondamente enganado, mas não acredito que apesar de toda sandice que os americanos sempre demonstraram em relação aos outros países do mundo, poderiam se aventurar em novas conquistas além mar, notadamente aqui pelas bandas da América Latina.

Os EUA hoje em dia são um Estado quebrado. São diversos os fatores que na minha visão, arrefeceriam a sede estadunidense por mais petróleo. O Brasil, a Venezuela e outros, não são, definitivamente o Iraque ou o Afeganistão. Além do mais, depois de bombardear um país, para se obter suas riquezas naturais, é preciso ocupá-lo.

E isso os EUA jamais conseguiram. Não conseguem inclusive, no Iraque.

Ainda que tenhamos muita gente aqui que adoraria ser parte de uma colônia americana, como se isso os fosse transformar imediatamente em súditos da rainha (a Estátua da Liberdade), existe todo um restante contingente de fatores que dificultam sobremaneira uma investida como tal, vinda dos EUA.

Posso não estar vendo as coisas de maneira muito clara, mas é isso que me ocorre no momento. Notadamente se Obama vencer as eleições. Estou começando a acreditar que finalmente chegará à Casa Branca alguém com um pouco mais de bom senso.


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domingo, 12 de outubro de 2008

COMO LEITÃO VÊ A CRISE



Se alguém tiver paciência (e coragem), que assista ao sempre sapiente e iluminado programa Espaço Aberto com Mirian Leitão, na Globonews.


Ela está debatendo a crise financeira.

Interessante notar que primeiro, ela nada sabe sobre economia. Ou se sabe, se faz de boba. E em segundo lugar, repare como ela mudou rapidamente de opinião sobre a fiscalização do "deus" mercado pelas autoridades monetárias. E como estranhamente ela não critica mais o dólar baixo porque ele quebraria o Brasil exportador. Ora, o que mudou de tão grave assim de um mês prá cá? Agora há pouco o dólar não podia estar baixo. Agora não pode estar alto?

Eu definitivamente, não entendo.

Acho que ela gosta de espalhar o pânico. Ela e os outros daquele conglomerado de mídia. Afinal, matemática é matemática. Ela fala em "maxidesvalorização" do real. Isso agora é ruim e vai quebrar o Brasil. Mas até um mês atrás, não quebrava... Números são números. Eles não mentem. Se o câmbio estava ruim antes, devia estar bom agora. Se não está bom agora, antes devia estar.

A culpa, de um jeito ou de outro, deve ser do Lula.

Clique aqui se for masoquista e quiser chatear assistindo ao amontoado de bobagens que ela fala.

O SAPATO DE LAFER

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Para ler a versão atualizada deste texto, com fotos, links e consequência jurídica, clique aqui.

Como muito bem lembrado pelo colega Renan (clique aqui para ler), o Brasil, a pedido dos Estados Unidos, está coordenando uma frente para rediscutir o G7.

Naturalmente o que os EUA desejam é que nós, os emergentes, não os deixemos sós nessa sinuca de bico em que se meteram.

Independente do motivo, é um fato que atualmente nosso Itamaraty é expressivo, ao contrário do que foi há não muito tempo atrás quando o então Ministro Celso Lafer, para poder ingressar naquele país, tirou os sapatos para passar pelos fiscais americanos, vendo flagrantemente seu direito de inviolabilidade diplomática ser desrespeitado.

Desrespeitado ou não, Lafer seguiu à risca a orientação do ex-Presidente Fernando Henrique que já disse, em seus escritos, que o papel do Brasil era ser coadjuvante dos americanos.

Bem, eu não estou brincando e isso não é retórica. Ele realmente disse isso.

Se alguém tiver coragem, procure por seus extensos discursos na Câmara Federal acerca do tema.

Fico tentando imaginar o que passa na cabeça de FHC, atualmente, quando ele vai dormir à noite.

Deve dar uma enorme frustração saber que esteve com a bola na marca do pênalti, mas jogou pra fora todas as vezes que chutou.

sábado, 11 de outubro de 2008

OS DONOS DO PODER



Interessantíssima a informação constante no sítio Donos da Mídia. Olhando brevemente para esta lista, podemos ver como são pequenas as chances de termos realmente uma democracia plena no Brasil. Vejam os nomes dos proprietários da mídia, e estabeleçam a lógica que mais lhe convém.


Na batalha pela notícia isenta, pela informação desinteressada à qual você tem direito, estes senhores estão do seu lado? Você confia plenamente na notícia publicada por eles? Você acha que as notícias relevantes são filtradas e adequadas aos interesses deles, ou que isso tudo é uma bobagem, pois, por óbvio eles são honestos e isentos. Afinal, ética acima de tudo!

A tabela acima revela os dez políticos com maior número de veículos no Brasil.

Clique aqui para ir ao Donos da Mídia.

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ASSALTO À RAZÃO (Blog do Mino)



"Liga Jean-Paul Lagarride, bom amigo, pergunta como passamos, o Brasil e eu, em meio à crise financeira que abala o mundo. Esclareço que nunca participei do jogo bursátil e que pouco sei das coisas das finanças. Quanto ao País, estou perplexo. Ouço gente graúda a garantir que não sofreremos tanto assim, mas careço de fé bastante para acreditar em desfechos positivos, ou, pelo menos, não muito negativos. O Brasil não é uma ilha, e muito menos de prosperidade. Jean-Paul filosofa: “Assistimos ao fracasso do capitalismo real”. Observo: “Do neo-liberalismo, ou seja, do ultra-liberalismo”. Ele admite: “Sim, o capitalismo à moda do Adam Smith, do Keynes, este poderia estar vivinho da silva”. Concordamos quanto ao fato de que tudo depende das interpretações. Por exemplo: o socialismo em si é má doutrina? “É uma utopia”, afirma peremptório. “Não sei – digo eu, – a derrota foi a do chamado socialismo real, na prática um regime de extrema direita, embora para os russos tenha alcançado alguns resultados apreciáveis”. “Você sabe que reabilitaram o czar Nicolau e a sua família?” “Não é bem uma reabilitação, trata-se do reconhecimento de que a chacina da família real por parte dos bolcheviques foi crime inútil”. “A revolução francesa guilhotinou soberanos e vassalos”. “Sim, sim, certas violências o tempo as digere e muitas vezes as explica. De todo modo, a monarquia czarista manteve a Rússia atada à Idade Média até o fim”. “E o neo-liberalismo?” “Garantiu a bandalheira, transformou o mundo em um cassino, aprofundou as desigualdades, consagrou a exploração dos pobres pelos ricos, estabeleceu a lei da selva”. “Foi tudo insano”. “É isso, insano, estulto e feroz. Um assalto mafioso à própria razão”."

Leia no original


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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

TRÁ-LÁ-LÁ REPETITIVO



Vereador campeão de votos em Curitiba, o apresentador de programa policial Roberto Accioli foi denunciado por homicidio qualificado.

Em sua defesa, disse o seguinte: "É uma coisa que aconteceu em 1999. Alguma pessoa de má-fé está usando isso contra mim", afirmou ele à "Gazeta do Povo". "Antes da eleição ninguém falou disso. Por que só agora?" (leia aqui)

Bem, se falassem antes da eleição, diria que é perseguição. Se falam depois, também é perseguição.

O que o Ministério Público deveria fazer? Não falar?


Como já disse, esse pessoal precisa renovar o discurso. Tá ficando repetitivo.


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ESTANDO BOM PARA AMBAS AS PARTES...



Este era o bordão do então repórter de televisão Celso Russomano no extinto Aqui Agora, do SBT. Aproveitando a fama em matérias de direito do consumidor, Russomano se elegeu deputado, cargo que mantém até agora.


O Supremo resolveu receber a denúncia contra ele pela prática de peculato, na modalidade desvio.

"Ao indicar e manter Sandra de Jesus para ocupar cargo em comissão (secretária parlamentar) vinculado ao seu gabinete junto à Câmara dos Deputados, Celso Russomonno teria possibilitado o desvio de recursos públicos, uma vez que a servidora, apesar de ter sido demitida da empresa do deputado, continuou a administrar e a gerir a sociedade empresária, localizada em São Paulo."

Clique aqui para ler a íntegra no portal JusBrasil.

Dá até pra ver o que ele vai alegar. Vai dizer que é perseguição política porque vem lutando contra grandes e fortes interesses escusos que dominam a nação.

Deveriam ter mais criatividade nas negativas que fazem quando são pegos com a boca na botija.


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CANUDOS DA DISCÓRDIA



É preciso pensar muito sobre a utilidade de certas leis. Ou no mínimo, a quem elas favorecem de verdade.


O deputado paranaense Stephanes Jr., filho do Ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, propôs, e conseguiu tornar obrigatório (agora depende da caneta do Governador Requião) que cada guardanapo e cada canudinho que saia de um estabelecimento comercia no Estado do Paraná, qualquer que seja, botequinho ou restaurantão 5 estrelas, venha embalado em plástico, INDIVIDUALMENTE. Veja no site do Jornal Gazeta do Povo.

Para algumas lanchonetes de cadeias multinacionais, até já se vê isso.

Agora, como é que o coitado do pasteleiro da feira vai fazer isso? Ou ele vai encarecer o produto e deixar de vender, ou não fornecerá mais guardanapos e canudos. E a multa é pesada para o descumprimento.

Claro que o próximo passo é pedir pra embalar os copos também. Afinal, quem garante que foram lavados? E os descartáveis, como assegurar que não são reaproveitados?

Me ocorreu se tem alguma fábrica dessas tais embalagens passando por dificuldades no Estado do Paraná, que precise de uma tal ajudinha legislativa.

Depois quando o povo mete a lenha em deputado, eles não conseguem entender o motivo.


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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

POR QUE MENTEM TANTO?



Sempre digo que nossa imprensa é mentirosa. Falo isso sem medo de errar.

Incrível como podem fazer leituras completamente diferentes sobre assuntos internos, em relação ao que fazem os correspondentes políticos dos periódicos estrangeiros, radicados no Brasil.

A manchete do jornal argentino El País saiu assim: "Lula sai fortalecido das municipais"

Bem, a julgar por nossos comentaristas pátrios, quem saiu fortalecido das municipais foi José Serra, porque mandou Kassab para o segundo turno em São Paulo. Mesmo que no resto do país o PSDB tenha diminuído de tamanho, junto com seu aliado principal, o DEM/PFL.

Ou o Brasil é São Paulo ( no caso, Higienópolis) ou tem alguém querendo te enganar por aí.

Jogue fora a mídia brasileira. Ela cobra 9 reais por edição a cada semana pra mentir pra você.

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A LADAINHA ANTI-COMUNISTA



Brasilzão afora, muita gente ainda continua jogando com a dialética anti-comunista que fez a festa da direita conservadora e ditadora durante os anos de chumbo.

Em diversos lugares, se "alertou" a população sobre o "perigo" comunista que poderia advir se por ventura fossem eleitos vereadores ou prefeitos do PCdoB, quando estes estiveram no páreo.

Em Pato Branco, no Paraná, sofreram com isso um candidato a Prefeito e um a vice (este, do PCdoB).

Nereu Ceni escreveu um desabafo depois do pleito de 5 de outubro. Entre outras coisas, disse o seguinte:

"(pretendo) alertar a sociedade para o caráter preconceituoso que se utilizou, de forma velada, é claro. Alerto a todos, pois o preconceito é o supra-sumo do autoritarismo e da negação da democracia, quem propaga o preconceito político/ideológico ou de qualquer natureza, também o fará, contra pobres, contra os negros, contra os analfabetos, contra os evangélicos, contra os sem-teto, e contra aqueles que carecem de solidariedade, fraternidade e justiça social"

Porém, receio que enquanto a Veja for a revista semanal com a maior tiragem (e se imagina, com o maior número de leitores) do Brasil, não haverá mudanças drásticas nesse horizonte patético do desconhecimento político, onde infelizmente está mergulhada a maioria de nossa população.

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

A CRISE E SEUS EFEITOS

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Poderia esta charge ser mais acertada?

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DOIS PREFEITOS PARA SÃO PAULO


Por Luiz Carlos Azenha

"Eu conversava com um amigo sobre o texto do Mauro Carrara que reproduzi na capa do site. Durante a conversa constatamos o óbvio: São Paulo é uma cidade conservadora. Sempre foi. É a terra que elegeu Jânio Quadros e Paulo Maluf, que por sua vez elegeu Celso Pitta.

Notamos que Marta Suplicy foi votar de roupa bege mas, à noite, diante da derrota, já estava vestindo vermelho. Quando o PT perde tira o vermelho do armário?

Nós nos lembramos da campanha de 1984, em que Jânio Quadros derrotou Fernando Henrique Cardoso com um discurso do tempo das cavernas.

Eu acompanhei de perto aquela eleição, como repórter da TV Manchete em São Paulo. O Jânio estava certo de que a TV Globo fazia campanha contra ele e dava prioridade à Manchete nas entrevistas. Eu ia com frequência à casa do candidato entrevistá-lo. Jânio se comportava mais como um inspetor de quarteirão do que como candidato a governar a maior cidade da América Latina. Cuidou de enfatizar a diferença entre FHC, o "moderno", e ele, Jânio, que ainda falava em usar a vassoura para varrer a corrupção.

Apelou ao instinto mais conservador do paulistano, que em minha opinião não existe. Paulistano é apenas uma designação para definir quem nasce na capital do estado de São Paulo. Quem vem para São Paulo e é confrontado pela metrópole que não pára de mudar busca refúgio em suas tradições de origem. Quem mora em São Paulo quer símbolos de familiaridade por perto: Silvio Santos, Jânio Quadros, o dono da banca de jornais e da padaria. A vida é tão precária nesta cidade que "mudança" não tem apelo eleitoral.

Assim sendo, Marta Suplicy é uma aberração no cenário paulistano. Ela rompe com o instinto mais íntimo de milhões de eleitores: a mulher que sabe o que quer, que corre atrás do que quer, que não tem medo, que não precisa de proteção, que troca de marido para ser feliz. A votação de Marta na periferia de São Paulo é extraordinária. Por mim elegeríamos dois prefeitos: um para cuidar da classe média e outro para a periferia. Na ausência de um político que consiga fazer a ponte entre estes dois mundos continuaremos em São Paulo a ter essa fratura exposta a cada quatro anos."


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A ISLÂNDIA FALINDO


O site português Esquerda traz uma interessante matéria sobre a Islândia (Iceland), que está prestes a falir.

Em virtude da crise internacional que assola muito mais os países do chamado Primeiro Mundo do que os pobretões do Terceiro, o país gelado está pedindo ajuda da Rússia* e solicitando que os fundos de pensão com ativos no exterior, os tragam para dentro para gerar liquidez.

A coisa tá feia, na Europa.

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* Quem diria... para aqueles que cresceram (como eu) ouvindo horrores sobre os russos, ver que os "vermelhos" ainda hoje detonados pelos Estados Unidos, estão ajudando a tirar o capitalismo do buraco, não deixa de ser uma saborosa ironia!

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MINO CARTA, VOLTOU. AINDA BEM!


Todos os que rodam pela blogsfera e já há algum tempo se "cansaram" de emburrecer na frente da TV ou dos jornalões, na medida em que souberam, ficaram felizes em ver que o jornalista Mino Carta (da revista Carta Capital) está de volta aos comentários.

Mino saiu do IG em solidariedade a Paulo Henrique Amorim, que foi sumariamente "executado" sem chances de apelação. Dizem que a imprensa é livre. Não no Brasil, onde ela não te dá o direito ao contraditório.

Leiam o Blog do Mino. Não precisam (e nem devem) concordar com tudo o que ele diz, afinal, não estamos falando da Veja (que aliás, ele ajudou a criar nos bons tempos do jornalismo). A blogsfera é democrática e nela você tem dirito à sua opinião.

O endereço do Mino é

http://www.blogdomino.com.br/


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NOVOS PALHAÇOS NO PICADEIRO?



Todo mundo sabe que política é uma festa. Mas pelo jeito é pra quem pode e não pra quem quer.

O marido da "cansada" Ana Maria Braga resolveu se candidatar à vereança na cidade de São Paulo. Obteve minguados 4.672 votos de acordo com o TSE.

Francamente, política já em um circo. Imagine se todo animador de picadeiro que quisesse entrar, conseguisse...

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O PODIUM DA CORRUPÇÃO



No ano passado, o MMCE (Movimento de combate à corrupção Eleitoral, que tem membros da CNBB e o IBASE fundado por Betinho, entre outras entidades), fez um levantamento das cassações de mandatos por corrupção eleitoral (Lei nº 9840), e chegou ao seguinte resultado:

1º) DEM/PFL: 69 cassações (20,4% do total)
2º) PMDB: 66 cassações (19,5%)
3º) PSDB: 58 cassações (17,1%)
4º) PP: 26 cassações (7,7%)
5º) PTB: 24 cassações (7,1%)
6º) PDT: 23 cassações (6,8%)

O PT ocupa a décima posição com 10 cassações, o que representa 2,9% do total

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A CRISE PERFEITA



Tenho ouvido constantemente pessoas, notadamente da classe-média, reclamarem enraivecidas do Presidente Lula e o fato de ele estar dizendo que a crise mundial não chegará ao Brasil.

Bem, a história não é essa. De forma alguma ele disse isso. Pelo menos, em nada que eu tenha lido ou visto, ele falou uma coisa dessas. Mas a imprensa... sempre nossa imprensa...

Lula disse que a crise para nós, AINDA é diferente da crise lá fora. E ele afirma isso todo dia.

O ex-Presidente de Portugal, Mario Soares tem uma tese sobre a imprensa brasileira. Ele, lá de longe, já percebeu que ela torce pelo quanto pior, melhor. E além de torcer, trabalha para isso.

Quem mora no Brasil, assiste ao Jornal Nacional de vez em quando e tem o QI maior que 0,5, já se deu conta disso.

Pois então. O que ocorre é que as crises econômicas, em sua maioria, são crises de confiança no mercado. Isso significa que se você ficar fazendo alarde e tocando fogo no mundo, terá problemas maiores. Não se trata de dizer ou não dizer a verdade sobre a crise mundial. E mesmo que diga, a verdade é uma só. O Brasil não está com o mesmo problema que a Europa e os Estados Unidos.

Claro que seremos afetados, mas não dá pra comparar o que está acontecendo hoje com o que aconteceu em 1999. Naquela época éramos completamente dependentes do capital externo, nossas reservas eram pífias e mais de 30 por cento de nosso comércio dependia dos Estados Unidos. Hoje em dia é tudo diferente.

E aliás, é MUITO diferente.

Nosso crédito interno não depende tando de dólares como naquela época. Nossa dívida pública não é mais lastreada na moeda americana, ela é totalmente em Reais. Não temos mais pendências com o FMI (apenas pagamos juros antigos), o que não os deixa ter ingerência sobre nossa economia. Hoje somos um país credor, ao invés de devedor como costumávamos ser.

Nosso mercado inteno dá conta da maior parte da nossa produção de bens, o que faz com que dependamos em muito menor escala das exportações. Nossos bancos não têm feito recompras de créditos sem lastro como os americanos e europeus fizeram no auge e no limite da irresponsabilidade financeira.

Não temos mais um índice de desemprego de 2 dígitos como tínhamos em 1999, nem tampouco, temos o índice de desemprego que tem a Europa. E nesta seara, os Estados Unidos estão caminhando a largos passos, porque transferiram continuamente suas plantas produtivas para países do terceiro mundo em busca de salários baixos pra produzir suas mercadorias.

Enfim. Os motivos são muitos.

Decerto vai ter muita gente dizendo que eu estou louco. Mas números são números. Basta fazer as contas.

Mas claro, tem outra coisa. A crise piora se você deixar de comprar como costuma comprar. O gasto e o crédito são a base do capitalismo. Se você gosta do capitalismo e acha que o socialismo é coisa do passado, não vá deixar de ir às compras. É exatamente isso que está acontecendo nos EUA e na Europa. O povo ficou sem dinheiro por causa de aplicações financeiras horrorosas (que gestores criminosos fizeram sumir, e o governo não fiscalizou e não puniu) e agora não pode mais comprar bens de nenhuma natureza. Isso quebra, mesmo, qualquer economia. É um ciclo vicioso, uma reação em cadeia.

Apenas pense em todos esses aspectos na próxima vez em que ouvir falar da crise mundial.

Aliás, eu diria mais. Se pude, comece a ler a imprensa de fora. Mesmo que seja a argentina. Lá eles não tem os Marinho nem os Civita pra distorcer e mudar os fatos de acordo com o que lhes interessa. E se o fizerem, estarão fazendo em seu próprio país, não conosco.

Se puder, leia o NY Times. Apesar de todos os pesares, eles não costumam fazer jornalismo achando que o público de imediato, é um imbecil.


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O QUE VOCÊ COMPRA COM 700 BILHÕES DE DÓLARES



O pacote inicialmente proposto por Bush e seus amigos para "salvar" a economia estadunidense, de algo em torno de 700 bilhões de dólares, é muito dinheiro. Aqui não se diz que ele não seja necessário já que de fato, uma crise de confiança generalizada tem efeitos (em termos de prejuízos financeiros) tão ruins quanto o Katrina, um terremoto ou um vulcão em erupção.

Além do mais, já deu pra perceber que esses 700 não ajudam a destruir nem a ponta do iceberg. Como eu mesmo já cansei de falar, a economia americana é virtual. Todos nós pagaremos o preço por isso.

A questão é: por qual razão deixaram chegar a esse ponto? Isso derruba de uma vez por todas toda a falácia sobre o tal "livre mercado". É livre até que esteja dando lucro para alguns. Começou a dar prejuízo para esses mesmos alguns, passa a ser de responsabilidade estatal.

Na BBC Brasil temos a notícia de que o presidente do Lehman-Brothers ganhou bônus no valor de 300 milhões de dólares nos últimos 8 anos. e também, logo após a quebra do banco, ele defendia a compensação milionária para seus executivos. Quer dizer, dane-se o mundo, o que importa somos nós.

Alguns executivos tinham contratos de trabalho prevendo indenizações de até 100 milhões de dólares em caso de demissão. Mesmo sem caso de falência do banco.

É inevitável agora que a crise nos atinja a todos. Especialmente em se falando de imprensa brasileira que adora uma catástrofe e está louca para jogar no colo do governo, a "incompetência" em lidar com o furacão mundial. Em verdade há coisas que podem ser feitas, mas de toda forma, essa é uma crise muito mais séria do que aquela que nos jogou de joelhos em 1998.

Por enquanto ainda estamos vivos. E precisamos não cair na crise de confiança. Essas sim, estouram a economia.

Bem, com a dinheirama proposta inicialmente pelo bom samaritano George Walker Bush (keep walking) daria pra fazer muitas coisas. Algumas delas foram listadas pelo jornal alemão Der Spiegel (reproduzida pelo Vermelho). Selecionei as mais importantes.

Vamos lembrar que pra essas coisas selecionadas, o governo alega não haver dinheiro. Mas o pacote pros bancos, o saudável Proer americano, saiu em menos de uma semana.

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Pagar os salários de 22 milhões de pessoas

U$ 700 bilhões seriam suficientes para pagar o salário médio anual a 22 milhões de pessoas nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, o pagamento médio por uma semana de trabalho foi de US$ 612 em agosto passado.


Estabelecer cobertura de saúde universal

Os EUA poderiam finalmente estabelecer seguro de saúde universal, um objetivo que até agora foi constantemente evitado pelos políticos. O governo poderia financiar até seis anos de seguro de saúde para cada um de todos os cidadãos estadunidenses.

Construir 100 barreiras ao redor de Nova Orleans

O projeto para fortalecer as barreiras em torno de Nova Orleans poderia realmente ser pago mais de uma centena de vezes. Desde o furacão Katrina, o governo gastou cerca de US$7 bilhões em tais esforços.


Comprar duas Dinamarcas

US$700 bilhões é suficiente para financiar as economias de países inteiros. A soma considerada pelo Congresso é mais do que o dobro do produto interno da Dinamarca, o qual em 2007 foi cerca de US$ 312 bilhões.

Financiar todo o orçamento nacional da Alemanha durante mais de um ano

Projecções estabelecem o orçamento nacional da Alemanha para 2009 em 288 bilhões de euros, os quais, às atuais taxas de câmbio, resultam em cerca de US$ 420 bilhões. Com esta soma de dinheiro seria possível financiar o país durante 1,6 anos.


Combater a pobreza na África durante 10 anos

Este montante de dinheiro poderia financiar programas da ONU para combater a fome e pobreza na África durante 10 anos. De acordo com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o continente precisa de US$72 bilhões por ano de ajuda ao desenvolvimento.


Lançar múltiplos "New Deals"

Franklin Dellano Roosevelt ficaria verde de inveja. Seu "New Deal" da década de 1930, inigualável até agora como programa de crescimento, poderia ser financiado muitas vezes mais. Segundo o Wall Street Journal, os investimento de infraestrutura do programa custariam cerca de US$ 250 bilhões em dólares de hoje. Estes investimentos ajudaram a construir ou renovar 8.000 parques, 40 mil edifícios públicos e 71 mil escolas.


Salvar a Terra (ao invés de bancos)

Ao invés de ajudar bancos, US$700 bilhões poderiam ser utilizados para salvar o ambiente. Esta, pelo menos, é a opinião de M. A. Sanjayan, cientista principal do grupo de proteção ambiental The Nature Conservancy. Embora os dados dos institutos de investigação variem consideravelmente quanto à quantia precisa que seria necessária para por o ambiente de novo numa base saudável, todos concordam em que US$ 700 bilhões dava para um longo caminho.


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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O PT NÃO QUER GANHAR EM CURITIBA



Existem certas campanhas eleitorais que são lançadas só pra fazer número. Normalmente para apoiar um outro candidato com maiores chances, descendo a ripa num adversário potencial, ou apenas para projetar o nome do candidato na eleição proporcional seguinte.

Cito o caso de Curitiba. Aqui tínhamos o candidato do PSDB, que foi reeleito no primeiro turno com setenta e tantos por cento dos votos, a candidata do PT, que ficou com cerca de 20%, e os outros. Casos notórios são os do canditado do PMDB apoiado pelo Governador Requião, que foi claramente lançado para fazer número. Hora se dividia em bater no candidato do PSDB Beto Richa, hora falava dos problemas reais da cidade, que em verdade, não são poucos.

Na outra ponta aparecida o obscuro e atrapalhado Lauro Rodrigues, cuja única razão da existência era mandar lenha na candidata do PT. Consta que Rodrigues já foi funcionário do Prefeito Beto Richa em anos passados.

Daí dá pra se verificar se Lauro tinha ou não uma candidatura "laranja"

De todo modo, da experiência do voto podemos filtrar duas coisas sobre a política em Curitiba.

A primeira é que o PT simplesmente não quer ganhar eleição alguma. É visivelmente incompetente e entrou para a disputa como se estivesse na frente, e não como alguém que está perdendo por quase sessenta pontos de diferença.

Só na última semana foi que começou a discutir com mais severidade apontando os gargalos da administração e do próprio administrador. E foi justamente nessa semana foi que Gleisi Hoffman (mulher do MInistro Paulo Bernardo) subiu nos índices.

Mas na rua todos comentam que a campanha de Gleisi foi light, sem sal e sem açúcar como foi a de Ângelo Vanhoni, há 8 anos atrás, quando pela primeira vez Curitiba viu a possibilidade de ver substituída a trupe que atualmente, completa cerca de 40 anos no poder. Vanhoni começou os trabalhos para o segundo turno lendo um poema na televisão! O fim da corrida foi decretado já naquele dia. O povo ficou pasmo e o comentário era geral.

E isso porque Vanhoni concorria contra um candidato que segundo a voz das ruas, não assentou "um tijlo" na cidade. Esta figura competentíssima se chama Cassio Taniguchi, carinhosamente apelidado de "Ca$$io". Assim, com dois cifrões no nome.

Quem dirá agora com Gleisi concorrendo com Beto Richa, um "mestre" de obras fantástico.

A cidade foi transformada num lugar insuportável de se trafegar de automóvel, mas isso agradou os curitibanos porque segundo a visão dominante da cidade (uma província não declarada de São Paulo) desenvolvimento e progresso é isso. Obra na rua. Não importa para que ela sirva ou se estão destruindo alguma coisa pra construir outra exatamente igual no lugar. O que importa é obra.

Desse jeito, Curitiba vai se tornar um dos últimos redutos governados ad eternum por integrantes do PSDB e do DEM. Curitiba e São Paulo, que muito possivelmente reelegrá Kassab.

Sem chance de mudança de ares em Curitiba. A tal democracia que dizem existir, com a alternância de poder, por aqui, não aparece.

E a outra coisa que chama a atenção nesta campanha municipal é justamente o excesso de partidos de aluguel. "Zilhões" de siglas são criadas para poderem comercializar seus horários de mídia com os partidos grandes.

Isto sim é vergonha da grossa. Gente que não tem sequer um representante na Câmara de Vereadores alugando sua plataforma para que determinado candidato possa falar mal de outro, sem aparecer.

E isso, o TSE vai ver?

Creio que não. A atribuição é legislativa da Câmara dos Deputados. Dirão que não podem interferir na harmonia dos poderes.

(Não podem nesse caso, claro. Porque em diversos outros estamos cansados de ver ingerência das mais altas cabeças do poder judiciário).

É essa uma das facetas da política que me causa extremada náusea.


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domingo, 5 de outubro de 2008

A DEMOCRACIA DA MÍDIA



A imprensa não esconde o desgosto de não ter um presidente do País do PSDB.


Mônica Bergamo da BandNews disse nos comentários logo após a votação do dia 5 de outubro que na próxima eleição, Serra "estaria eleito" por isso não se incomoda com o fim da reeleição. Pior, e que em seguida, seria a vez de Aécio Neves.

Isso porque todo mundo sabe que nossa imprensa é isenta e se limita a dar conta dos fatos.

Me orgulho muito em viver numa democracia como essa...


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sábado, 4 de outubro de 2008

O ELEITOR É UM MERO DETALHE



O
mundo político é uma dimensão à parte. Todos já notaram isso. Vejam este artigo publicado no Vermelho:

"
O grupo anti-Kassab --que ficaria pró-Marta-- irá propor à Executiva Municipal do PSDB-SP que fiquem livres para apoiar quem quiserem num eventual segundo turno entre Marta e Kassab. Dessa forma ficariam livres para protestar contra o que a ala chama de ''traidores do PSDB'' --os kassabistas."

Bem. o resumo da ópera é que os alckmistas preferem apoiar a Marta do que Kassab se o "picolé de chuchú" não for para o segundo turno.

Isso mostra como naquele mundinho que eles vivem, não existe fidelidade mesmo. Pelo menos, não existe para Serra, que odeia o Alckmin, e já se utilizou do mesmo expediente quando disputou a eleição presidencial contra Lula (e perdeu pelo mesmo placar que o Geraldo perdeu). O PSDB é umbilicalmente ligado ao PFL (que hoje por algum motivo do além, resolveu mudar o nome para Democratas) mas o atirou aos leões quando viu que Roseana Sarney tinha alguma chance contra o PT. Fez aquela armação da dinheirama encontrada no escritório do marido da filha do ex-Presidente.

Não que ela não tivesse culpa, mas não sejamos ingênuos de achar que dá pra ganhar uma eleição para Presidente na cara e na coragem, usando só o discurso e a militância. O PT não saía dos 30% quando ainda pensava assim.

Agora, eu fico imaginando se por acaso esse pessoal acha mesmo que se apoiarem a Marta no segundo turno, por acaso eles vão transferir o voto da mesma forma, e com isso, vão "punir" os desertores do Kassab.

Definitivamente eles devem achar que são donos do eleitor e que ele é um "mero detalhe" (como disse a nada saudosa Zélia Cardoso de Mello).

Dá pra imaginar um cidadão que andou a eleição inteira com o adesivo do chuchú no vidro traseiro de seu Corolla, pregar alí um da Marta? Dá pra imaginar este liberal de carteirinha, que odeia o bolsa família e qualquer subsídio para o pobre (porque para o rico, é investimento, não é assistencialismo), dizendo que é a Marta é a mais qualificada para governar a cidade?

Não me surpreendo com esses caras trantando o paulistano comose fosse sua marionete. O que eu fico, é perplexo com os eleitores do chuchú e do Kassab se sujeitando aos desígnios destes senhores sem escrúpulos.

O espectro político é nebuloso. De toda forma, sei que tem gente de caráter na política. Eu mesmo já conheci alguns. Mas DEFINITIVAMENTE, eles não se chamam José Serra.


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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

DEMO+CRATIA


Sabe aquela história de que uma mentira repetida mil vezes se transforma numa verdade?

Bem, tudo depende de sua ótica. Achei bacana a notícia publicada hoje no jornal Gazeta do Povo, dando conta de que os Estados Unidos levarão alunos de todo o mundo para "aprender"sobre seu sistema eleitoral.

Tento imaginar o que a América pode nos ensinar sobre democracia*. Aliás, o que eles podem ensinar a qualquer um sobre democracia. Quem sabe não perguntamos aos países africanos que se matam até hoje por causa dos "democratas" que o governo ianque ajudou a erigir? Sem mencionar é claro, as próprias ditaduras latino-americanas que eles tão bem sustentaram.

Mas eles tentam, tentam... insistem e insistem. Estão certos. Vai que um dia alguém volte a acreditar que de fato, eles são a "maior democracia do mundo"

Ah, que saudades da Guerra Fria. A gente acreditava em cada bobagem...

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* "democracia" para um garoto de oito anos (eu) significava em verdade, "cracia" = governo, "demo" = demônio. De bobo eu não tinha nada. Naquela época eu já tinha matado a charada sobre os americanos...



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O RIO SABE VOTAR. NÃO SABE?



Eu acho fantástica a incapacidade que tem um setor do eleitorado brasileiro em votar. Em não saber distinguir uma coisa de outra. Por outro lado, acho fantástica também a capacidade de um setor da mídia brasileira de mudar de opinião na maneira que lhe convém.

Falo isso para refrescar que a Veja algum tempo atrás, já se referiu a Fernando Gabeira como terrorista por ter participado do sequestro do embaixador americano nos anos 60*. Daí, mudou de idéia. Depois de lhe dar o beijo da morte, passou a tratá-lo como queridinho da América.

Tudo depende da conveniência. A Veja e Gabeira são experts em conveniência.

Vou ser franco. Não gosto nenhum pouco do Gabeira. Nunca gostei. E passei a gostar ainda menos quando ele saiu do PV há alguns anos para entrar no PT. Depois, saiu atirando e dizendo que todo mundo lá era corrupto. Ele e a Heloisa Helena.

Também, outra expert em conveniência. E pensar que eu já tirei fotografia ao lado dela...

Pra mim, Gabeira não é um cara legal. Isso para dizer pouco. Acho honestamente que pessoas de bom senso não deviam desperdiçar um valioso voto com aquela cabeleira.

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* convém relembrar que a Veja, quando refez suas capas na edição comemorativa dos 40 anos, também chamou Franklin Martins de terrorista por ter participado do mesmo sequestro. Nesta reedição, esqueceu de incluir Gabeira na lista do "eixo do mal".


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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

DIA DA ELEIÇÃO



Outro dia me perguntaram se a eleição era no dia 3 ou 5. Disse que no dia 5. Então fiquei sabendo que tem uns comerciais da Justiça Eleitoral, chamando para a votação no dia 3 de outubro.

Não sei de onde tiraram esta data, mas sem dúvida, passou a campanha toda errado...

Parabéns pra agência de publicidade que fez os comerciais, que deixou passar batido. Parabéns pro pessoal da Justiça Eleitoral também...


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