sexta-feira, 15 de maio de 2009

LULA NA UNESCO: A MÍDIA FINGE QUE NÃO VIU

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Lula obteve mais um prêmio internacional. Naturalmente, nossa imprensa não mostrou. Aliás, nesse caso, ignorou solenemente. Foi como se não tivesse acontecido.

No que a imprensa brasileira se transformou é algo sumamente ridículo. Cada vez mais, falando para os mesmos, falando para ela mesma. Um grupelho alucinado de editores raivosos, porque observam a cada dia que passa, a possibilidade concreta de atrasar por mais 4 anos (ou 8) sua volta às tetas rechonchudas das verbas fáceis e das maracutaias indiretas com as quais estiveram acostumados desde que a tal república foi fundada. 

Mais, desde que Guttemberg inventou a prensa.

Por óbvio, se ficarem contando para o povo que o operário grosseirão ganhou mais um reconhecimento mundial, se contarem que a cada dia que passa os líderes dos principais países do tabuleiro internacional telefonam para Brasília para pedir a participação do homem sem dedo em alguma rodada importante de decisões, se corre o risco de ele fazer o sucessor por mais duas décadas. Como ficam nossos amigos quatrocentões, desse jeito?

Como fica nossa elite farsesca representada por pessoas como Mirian Leitão, que ficaram propagandeando na televisão por séculos e séculos que o Governo deveria investir na educação, mas que sabiam (e estimulavam) que se o pobre se mantivesse nas trevas da alienação para continuar sendo chicoteado com salários miseráveis e esmolas vís, poderiam se manter encastelados pela eternidade, tomando vinho, comendo queijo e brincando de ser novaiorquino ou parisiense?

Um abraço para o Renato Machado, ídolo mór do higienópolis decadente que realmente acredita ser um intelectual tão brilhante quanto seu espelho lhe diz que é.

Para pessoas assim, o que dizer? Melhor ser a cabeça da lagartixa, do que o rabo do jacaré. É a síndrome de plebeu que habita a cabeça colonizada dos senhores da mídia brasileira.

Vejamos o texto do site da Unesco:

"Al anunciar la decisión del jurado del Premio, el ex Presidente de Portugal, Mario Soares, ha declarado: “El jurado ha decidido otorgar el Premio de Fomento de la Paz Félix Houphouët-Boigny de este año a Luiz Inacio Lula da Silva, Presidente de la República Federal de Brasil, por su labor en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos, así como por su inestimable contribución a la erradicación de la pobreza y la protección de los derechos de las minorías”."

O que me entristece não é fulano ser de direita ou de esquerda. Me entristeço é com a parcialidade absurda da imprensa brasileira. Ela que se diz tão isenta e tão importante para a tal democracia.

Provalvemente para a mesma democracia que a Folha, o Estadão e a famiglia Marinho ajudaram a manter tantos anos no poder, matando, mutilando e torturando pessoas por esse brasilzão de Deus.

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

CHÁVEZ E O "BRAULIOFONE"

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Eu costumo gostar da imprensa britânica. Ela é muitas vezes mais honesta que a estadunidense e infinitas vezes mais bem intencionada que a brasileira.

Mas de vez em quando eles pisam legal na bola. O Guardian publicou uma reportagem a respeito de um telefone celular lançado pelo governo da Venezuela, que segundo o diário bretão, faria uma alusão pejorativa a uma palavra sinônimo de "pênis".  Vejam o texto em tradução livre:

"´O Guardian se enganou - o nome do telefone celular não é vulgar e a mãe dele não tem motivos para ruborizar´: Hugo Chávez defendeu o Vergatario.

O Presidente da Venezuela usou o discurso na televisão para rebater a reportagem do início desta semana que dizia que alguns venezuelanos se sentiram ofendidos pelo nome, derivado de uma palavra casual para pênis.

"No Guardian eles pensam que é alguma coisa rude. É um grande engano. Eles são ignorantes", ele disse.

O telefone subsidiado feito pelo governo - ao preço de 15 libras, um dos mais baratos aparelhos - iniciou sua venda esta semana e é a última iniciativa pró-pobres da revolução socialista ao estilo de Chávez.

No programa de televisão apresentado do Palácio Miraflores, Chávez diferenciou Vergatario de Verga, a palavra cotidiana para pênis. Ele citou o dicionário de referência da língua espanhola, o da Real Academia Espanhola, que define Vergatario como um adjetivo que significa qualidade e valor.

O Guardian disse que a palavra denotava excelência, mas que alguns venezuelanos a consideravam vulgar. Parte da definição da Real Academia - "adj. vulg. Ven" reconhece a conotação.  Moradores da segunda cidade da Venezuela, Maracaibo, são conhecidos por construírem palavras derivadas de Verga.

(...) O Presidente pareceu gostar do debate como uma oportunidade de marketing para o aparelho que depois de satisfazer as demandas domésticas, será exportado em 2011. O Guardian pode não precisar esperar tanto tempo para ter um. "Nós vamos mandar um para eles", disse Chávez.


Pelo menos o Guardian publicou a errata em bom tamanho e suficientemente visível. Coisa que OBVIAMENTE não aconteceria no Brasil. Aqui, como sabemos, nossa imprensa nunca erra. Jamais.

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"EU JÁ SABIA!"

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Dei uma de Galvão Bueno, porém, sou mais gente fina que ele. "Essa eu já sabia!". Até brinquei em outro post sobre uma hipotética manchete do Estadão sobre a visita de Ahmadinejad ao Brasil (veja aqui)

Nossa imprensa não perderia a oportunidade, óbvio que não.

Mas a revista Época consegue ter uma cara de pau tão indisfarçada, que chega a ser ridículo.

Vejam esta foto publicada em sua edição impressa de número 572.


Alguém segura um cartaz em um bolinho de meia dúzia de gatos pingados. A revista fala em "centenas" de pessoas. Para ter "centenas" são necessárias no mínimo, duzentas pessoas, coisa que não havia. Daí o motivo de uma foto absolutamente posada e proposital. E pra confirmar que não havia quase ninguém, ainda usaram o velho recurso da foto "fechada".

Acha que se tivesse um monte de gente eles perderiam a oportunidade de tirar uma foto aberta? E se quisessem dar destaque aos dizeres da faixa, colocariam um quadrinho ao lado ampliando a imagem.

Bem, o cartaz foi feito sobre um banner de campanha de Geraldo Alckmin presidente (repare no "45" no verso), e as letras são adesivos do mesmo Geraldo, recortados em tirinhas.

Decerto a revista Época achou extremamenre relevante este protesto de "massa" do pessoal "politizado" de São Paulo. No texto da "reportagem" temos o tradicional empilhado de bobagens que o apêndice escrito da famiglia Marinho costuma lançar sobre os governos de esquerda, e claro, sobre o "terrorista" Ahmadinejad.

Bem, o que o folhetim não pergunta é, dá pra considerar isento um movimento de judeus (repare nos senhores de kippot na cabeça) contra um país árabe muçulmano, segurando um cartaz do PSDB?

Lícito o movimento é. Têm total direito de manifestarem suas opiniões os nossos nobres colegas. Mas não seria honesto da revista informar ao público QUEM está protestando para que o resto da audiência decidisse se considera coerente ou não a gritaria? E mais, não seria razoável da parte da Época dizer que havia no máximo "dezenas" de pessoas ao invés de decuplicar o número de inconformados?

Claro que não, a grande mídia não se importa com esses detalhes. Se eles puderem usar como pretexto para atacar Lula e sua política externa, tanto faz.

Fico imaginando de que forma eles mostrariam árabes em Foz do Iguaçu protestando contra a visita de Benjamin Netaniahu.

Clique aqui para ver mais sobre o teatrinho da política internacional e sobre o anúncio da visita de Ahmadinejad em novembro.


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quarta-feira, 13 de maio de 2009

AMORIM E O MRE NO YOUTUBE

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O Governo brasileiro abriu um espaço no YouTube para dar publicidade aos vídeos e audios do Itamaraty. Celso Amorim, o Ministro das Relações Exteriores é um cidadão desenvolto e seguro de sí. Bem ao contrário de um certo antecessor seu, que não viu nada demais em tirar o sapato para entrar nos EUA, a pedido de um reles funcionário de alfândega. Lembrando que, naturalmente, este antecessor de Amorim também gozava da mesmíssima imunidade diplomática que dispõe o atual ocupante do cargo.

Ou seja, não precisava se humilhar e humilhar o país a esse ponto.

Vale a pena visitar o site do canal do Ministério no YouTube. A lembrança foi do site é do blog Os Amigos do Presidente Lula, e o link do para acessar o conteúdo é este aqui.


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terça-feira, 12 de maio de 2009

SERRA, GRIPE SUÍNA

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José Serra, o dono supremo da mídia paulista e o tutor mór da imprensa do resto do país, reclamou da "montagem desonesta" que fizeram com sua declaração sobre a gripe suína.

Ele achou desonesto que no YouTube se colocasse, entremeando suas fantásticas declarações, uns desenhos de porcos e umas músicas engraçadas.

Bem, de toda forma, o vídeo "honesto" é esse que segue. Nele não se vê nenhuma piada. Apenas se vê que Serra afirma textualmente que a única maneira de se contrair a gripe porcina é chegando perto do nariz do porco, quando ele espirrar.

Disso tudo, eu filtro duas coisas. A primeira é que José Serra é um grande cara-de-pau. Não se manifestou quando a Folha de S. Paulo, seu feudo, FALSIFICOU uma ficha policial para a candidata Dilma. Nem tampouco chamou de desonestas as inúmeras capas da Veja fazendo de tudo para colar no PT a imagem de terrorista. Houve uma capa célebre desta revista porca, onde se mostrava um monsto de N cabeças. Entre elas, estavam a de Lula, Stalin, Trotsky, Fidel, etc.

Até parece que já não vão longe os anos em que o PT era de extrema esquerda. E faz de conta que a mídia não sabe disso.

A outra coisa que me estarrece é que este mesmo senhor, que fala estas porcarias, foi o badalado "melhor Ministro da Saúde" do Brasil, na gestão do iluminado Fernando H, O Segundo.

Serra ganharia bem mais se ficasse quieto. Porém, claro, tem uma classe média do higienópolis que é bem capaz de sair às ruas em desagravo ao seu presidente "moral".

Veja aqui a indignação de Serra, em um almoço com carne de porco.

E este é o vídeo sem edição, para não chatear ainda mais Vossa Majestade, mas para reparar muito bem em suas declarações.



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ELIANE SABICHONA

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Eliane Cantanhêde, aquela que sabe tudo (cujo marido é marqueteiro do PSDB), diz uma frase interessante, que merece filosofia a respeito. Veja:

"O objetivo do Planalto, da Defesa, da Fazenda, do BNDES, de Marte e de Saturno é sanear a Infraero para, num primeiro momento, abrir seu capital em Bolsa. E, num segundo, pensar seriamente em privatização. Uma privatização que começaria (até já há alguns passos nesse sentido) pela concessão de pistas de aeroportos. "

Quanto a senear a Infraero, não questiono. Mas queria saber de quem ela ouviu que a intenção do Planalto é privatizar a companhia. De Lula, aposto que não foi. Nem de Dilma. Nem de ninguém que mande em alguma coisa.

Hoje é tão fácil na imprensa sairem com essas tacadas, "uma fonte me revelou". Que fonte? Ora, porque assim, eu invento a notícia que eu quero, dou os contornos que desejo ou simplesmente distorço um fato de acordo com minha intenção e fica tudo como o dito pelo não dito. Não dá pra provar que Cantanhêde está errada. Mas também não dá pra provar que está certa.

Se bem que por vias das dúvidas, como é do expediente da Folha, o melhor é publicar aquilo que não se sabe (ou que se sabe ser falso), desde que lhe sirva politicamente.

A descarada falsificação da ficha policial de Dilma e o empréstimo de seus veículos para a ditadura transportar prisioneiros torturados já mostraram que a Folha não tem rabo preso com o leitor.

Tem sim, é com uma certa camarilha política.


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segunda-feira, 11 de maio de 2009

QUEM É FILÓSOFO E QUEM NÃO É

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Reconheço que sempre zombo do "filósofo" Olavo de Carvalho. É que ele escreve opiniões valiosas em seu site e eu, naturalmente, sei que não estou à altura de seus dizeres. Por isso sigo falando tolices e tentando desqualificar este senhor.

Que me perdôe. Mea culpa.

De toda forma, lendo um de seus últimos escritos, que se encontra pelo título "Quem é filósofo e quem não é" tentei vislumbrar se ele, ao escrever tal artigo, estaria se olhando no espelho ou se em verdade, ele não percebe que faz tudo aquilo que está criticando.

Veja o trecho mais importante 

"1. Quando você se defrontar com um filósofo, em pessoa ou por escrito, verifique se ele se sente à vontade para raciocinar junto com os filósofos do passado, mesmo aqueles dos quais “discorda”. A flexibilidade para incorporar mentalmente os capítulos anteriores da evolução filosófica é a marca do filósofo genuíno, herdeiro de Sócrates, Platão e Aristóteles. Quem não tem isso, mesmo que emita aqui e ali uma opinião valiosa, não é um membro do grêmio: é um amador, na melhor das hipóteses um palpiteiro de talento. Muitos se deixam aprisionar nesse estado atrofiado da inteligência por preguiça de estudar. Outros, porque na juventude aderiram a tal ou qual corrente de pensamento e se tornaram incapazes de absorver em profundidade todas as outras, até o ponto em que já nada podem compreender nem mesmo da sua própria. Uma dessas doenças, ou ambas, eis tudo o que você pode adquirir numa universidade brasileira.

2. Não estude filosofia por autores, mas por problemas. Escolha os problemas que verdadeiramente lhe interessam, que lhe parecem vitais para a sua orientação na vida, e vasculhe os dicionários e guias bibliográficos de filosofia em busca dos textos clássicos que trataram do assunto. A formulação do problema vai mudar muitas vezes no curso da pesquisa, mas isso é bom. Quando tiver selecionado uma quantidade razoável de textos pertinentes, leia-os em ordem cronológica, buscando reconstituir mentalmente a história das discussões a respeito. Se houver lacunas, volte à pesquisa e acrescente novos títulos à sua lista, até compor um desenvolvimento histórico suficientemente contínuo. Depois classifique as várias opiniões segundo seus pontos de concordância e discordância, procurando sempre averiguar onde uma discordância aparente esconde um acordo profundo quanto às categorias essenciais em discussão. Feito isso, monte tudo de novo, já não em ordem histórica, mas lógica, como se fosse uma hipótese filosófica única, ainda que insatisfatória e repleta de contradições internas. Então você estará equipado para examinar o problema tal como ele aparece na sua experiência pessoal e, confrontando-o com o legado da tradição, dar, se possível, sua própria contribuição original ao debate.

É assim que se faz, é assim que se estuda filosofia. O mais é amadorismo, beletrismo, propaganda política, vaidade organizada, exploração do consumidor ou gasto ilícito de verbas públicas." ( leia aqui a íntegra)


Eu particularmente, ainda não me dei por satisfeito. Continuo achando que Olavo é "filósofo" (com aspas) e não Filósofo, com F maíusculo.

Talvez no dia em que ele se desfiliar do PFL e das teorias de pensamento atrofiadas e jurássicas, ainda que esta desfiliação seja apenas de alma (não sei se é filiado de carteirinha);  talvez quando parar de achar que Lula é igual a Stalin e que Bornhausen é igual à Madre Teresa, talvez no dia em que perceber que estamos em 2010 e não em 1962, creio que conseguirá emitir opiniões e ensinamentos com alguma validade.

Até lá, continuo achando que a melhor filósofa que conheci foi a professora Iglair, que me deu aulas de filosofia jurídica no início da faculdade. A Igla sim, era dez.

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sábado, 9 de maio de 2009

VINDO DE QUEM VEM...

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Vejam esta notícia publicada no Estadão no blog do Renato Cruz (infelizmente não há link direto para o post, só para o blog inteiro).

"As operadoras de telecomunicações GVT e Oi travam uma batalha que foi parar na delegacia, com registro de boletins de ocorrência de ambos os lados. A GVT, que surgiu como concorrente da Brasil Telecom, acusa a Oi de práticas ilegais e anticompetitivas.

Em uma ação na Justiça Federal de Brasília e em uma reclamação encaminhada à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a GVT afirma que funcionários da Oi ligaram para a sua central de atendimento, passando-se por clientes da Oi que haviam pedido que seu número fosse transferido para a GVT, e solicitando o cancelamento da portabilidade.

A empresa também aponta que funcionários da Oi ameaçaram seus terceirizados, impedindo-os de fazer ligações de telefones em edifícios de Salvador e cortando ligações já feitas. Além disso, segundo a GVT, a Oi teria prejudicado e impedido, propositalmente, ligações de seus clientes para a GVT, para prejudicar a avaliação de sua qualidade.

Antes do carnaval, a GVT entrou com pedido de liminar para que a Oi parasse de cortar seus cabos telefônicos em edifícios. Em sua ação, a operadora acusa a Anatel de "omissão", pois a agência recebeu a reclamação e não tomou nenhuma atitude a respeito. Procurada, a Anatel não se manifestou. A TV Cidade, empresa de televisão a cabo que compartilha caixas de ligação com a Oi em Salvador, informou que mantém um bom relacionamento tanto com a Oi quanto com a GVT.

"Competimos 10 anos com a Brasil Telecom e nunca tivemos problemas desse tipo", afirma Gustavo Gachineiro, vice-presidente Jurídico da GVT. "Eles começaram a aparecer no ano passado, quando chegamos à região da Oi." Em 2008, a Oi comprou a Brasil Telecom (BrT). A briga com a GVT acontece num momento em que a empresa aguarda o sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para concretizar o negócio."


Ao assoricarmos Daniel Dantas ao controle da BrT e da Oi não imaginamos como normais essas práticas? Algo do tipo, "vindo de quem vem, eu não me surpreendo".


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NOAM CHOMSKY: MAY LAY, A TORTURA AMERICANA

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Existem pessoas, cérebros proeminentes, nas quais podemos confiar cegamente. Cérebros que um dia irão se apagar como se apagam os de todos os seres humanos. Quando isso acontecer, nosso mundo perderá muito. Noam Chomsky é um desses casos. Ele é essencial ao entendimento da história, especialmente daquela parte onde os Estados Unidos estão metidos. O que Chomsky escreve, você pode ler sossegado. É de qualidade e verdadeiro. Ainda que ele se pareça com um radical nas palavras, não é. Suas pesquisas são fundamentadas e ele definitivamente, sabe do que fala. Curiosamente, é americano. Mas é americano de bom senso.

Aqui trago um texto republicado pelo Vermelho, e trazido anteriormente pelo Terra Magazine. Na sequência, um vídeo com fotos do massacre promovido pelos americanos.

"No verão de 2002, como o relatório revela, interrogadores em Guantânamo encontravam-se sob pressão crescente a partir da cadeia de comando para estabelecer uma ligação entre o Iraque e a Al-Qaeda. O afogamento simulado, entre outras formas de tortura, finalmente produziram a “prova” de um preso que foi utilizada para ajudar a justificar a invasão Bush-Cheney do Iraque no ano seguinte.


Mas por que a surpresa quanto aos memorandos de tortura? Mesmo sem inquérito, era razoável supor que Guantânamo fosse uma câmara de tortura. Por que mais enviar prisioneiros onde eles estariam além do alcance da lei – casualmente, um lugar que Washington está utilizando em violação de um tratado que foi forçado sobre Cuba sob a mira de uma arma? O raciocínio de segurança é difícil de ser levado a sério.


Uma razão mais ampla para porque deveria haver pouca surpresa é que a tortura é uma prática rotineira desde o princípio da conquista do território nacional até agora, enquanto as empreitadas imperiais do “império nascente” – como George Washington chamava a nova República – estendiam-se para as Filipinas, Haiti e outros lugares.


Além disto, a tortura foi o menor de muitos crimes de agressão, terror, subversão e estrangulação econômica que obscureceram a história dos Estados Unidos, tanto quanto fizeram por outras grandes potências. As revelações atuais sobre tortura mais uma vez destacam o conflito entre “o que defendemos” e “o que fazemos”.


A reação foi veemente, mas de forma que levanta algumas questões. Por exemplo, o colunista do New York Times, Paul Krugman, um dos críticos mais eloquentes e francos da malevolência de Bush, escreve que costumávamos ser “uma nação de ideais morais”, e que nunca antes de Bush “nossos líderes traíram tão completamente tudo que defendemos”.


Para dizer o mínimo, aquele ponto de vista comum é uma versão particularmente distorcida da história. É um artigo de fé, quase uma parte da crença nacional, que os Estados Unidos são, de maneira justa, diferente de outras grandes potências, do passado e do presente – o conceito do que é chamado de “excepcionalidade americana”.


Uma correção parcial pode ser a história recém-publicada do jornalista britânico Godfrey Hodgson, The Myth of American Exceptionalism (O mito da excepcionalidade americana). Hodgson conclui que os Estados Unidos são “apenas um país grande, mas imperfeito, entre outros”.


O colunista do International Herald Tribune Roger Cohen, analisando o livro no The New York Times, concorda que a prova dá apoio ao julgamento de Hodgson, mas discorda dele em um ponto fundamental: Hodgson falha em entender que “a América nasceu como uma ideia e então deve carregar esta ideia adiante”.


A ideia é revelada pelo nascimento da América como uma “cidade em uma colina”, escreve Cohen, “uma noção inspiradora” que reside “no fundo da psique americana”.


Em resumo, o erro de Hodgson é que ele está limitando-se às “distorções da ideia americana nas décadas recentes”. Vamos nos voltar então para a “ideia” de América.


A frase inspiradora “cidade em uma colina” foi cunhada por John Winthrop em 1630, tomando-a emprestada do Novo Testamento e delineando o futuro glorioso de uma nova nação “reunida por Deus”.


Um ano antes, a Colônia da Baía de Massachusetts estabeleceu o seu Grande Selo. Ele retrata um índio com um pergaminho saindo de sua boca. Nele estão as palavras, “Venham e nos ajudem”.Os colonos britânicos eram, assim, humanistas benevolentes, respondendo aos apelos dos pobres nativos para serem resgatados do seu amargo destino pagão.


Esta proclamação primitiva de “intervenção humanitária”, para utilizar o termo popular atual, saiu-se muito parecida com suas sucessoras, carregando horrores no seu caminho.


Às vezes, há inovações. Durante os últimos 60 anos, vítimas no mundo todo suportam o que o historiador Alfred McCoy descreve como a “revolução na cruel ciência da dor” da CIA, no seu livro de 2006, chamado A Question of Torture: CIA Interrogation, from the Cold War to the War on Terror (Uma questão de tortura: os interrogatórios da CIA, da Guerra Fria até a Guerra ao Terror).


Com frequência, a tarefa da tortura é delegada a auxiliares. Mas o afogamento simulado é um dos métodos de décadas de idade que aparecem com poucas alterações em Guantânamo.


A cumplicidade com a tortura aparece com frequência na política externa dos Estados Unidos. Em um estudo de 1980, o cientista político Lars Schoultz descobriu que o auxílio dos Estados Unidos “tende a fluir desproporcionalmente para governos latino-americanos que torturam seus cidadãos, … para os violadores relativamente rudes dos direitos humanos fundamentais no hemisfério”.


O estudo de Schoultz e outros atingindo conclusões parecidas antecedem os anos de Reagan, quando não valia a pena estudar o tópico, pois as correlações estavam muito explícitas. E que a tendência continua até o presente, sem modificações significativas.


Não é pra menos que o presidente nos aconselha a olhar para frente, não para trás – uma doutrina conveniente para aqueles que seguram os cassetetes. Aqueles que apanham deles tendem a ver o mundo de forma diferente, para nosso aborrecimento.


Entre impérios, a “excepcionalidade” é provavelmente quase universal. A França aclamava sua “missão civilizadora”, enquanto o Ministro da Guerra francês pregava o “extermínio da população nativa” da Argélia.


A nobreza da Grã-Bretanha era uma “novidade no mundo”, declarou John Stuart Mill, enquanto recomendava que este poder angelical não se prolongasse mais em completar sua liberação da Índia. O ensaio clássico de Mill, A Few Words about Non-Intervention (Algumas palavras sobre não intervenção), foi escrito após a revelação pública das atrocidades horripilantes da Grã-Bretanha para conter a rebelião de 1857.


Estas ideias “excepcionalistas” não são apenas convenientes para poder e privilégios, mas são também perniciosas. Uma razão é que elas apagam crimes reais em andamento. O massacre de MY Lai durante a Guerra do Vietnã foi apenas uma nota de rodapé para as atrocidades muito maiores dos programas de pacificação pós-Tet. A invasão Watergate que derrubou um presidente dos Estados Unidos foi, sem dúvida, criminosa, mas o furor sobre ela desalojou crimes incomparavelmente piores em casa e no exterior – o bombardeio do Camboja, para mencionar apenas um exemplo terrível. Com bastante frequência, atrocidades seletivas têm esta função.


A amnésia histórica é um fenômeno muito perigoso, não apenas porque questiona a integridade moral e intelectual, mas também porque cria a base para crimes que se aproximam."


Noam Chomsky é professor emérito de lingüística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, Massachusetts. Artigo distribuído pelo The New York Times Syndicate.


Neste vídeo, temos um conjunto de fotos a respeito do Massacre de May Lai, mencionado por Chomsky. Sobre isso digo, sem medo de errar. Quem um dia achou que os EUA eram verdadeiramente uma democracia e mais, um país "bom", estava grosseiramente errado.





Clique aqui para ir ao verbete de Chomsky na Wikipédia.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

A CARTA QUE O ESTADÃO SE NEGA A PUBLICAR

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Do blog do Azenha, convém novamente que todos os blogs independentes publiquem, porque a imprensa grande, vocês sabem como trabalham e a serviço de quem está:

"A CARTA QUE O ESTADÃO SE NEGA A PUBLICAR

Caro, Azenha, encaminho pra ti email que estou repassando para os blogs independentes e para os portais que discutem comunicação:
 
Como fiquei rouco de tanto gritar, tentando um direito de resposta no Estadão, que obviamente o jornal negou, encaminho meu protesto aos blogs, na esperança de que pelo menos seus leitores possam ter acesso à informação completa.
 
Na segunda-feira 13 de abril, o Estadão publicou o editorial "A Politização do Ipea", acusando estudos recentes do Ipea de não serem técnicos, mas políticos. Não é o primeiro desde que a nova diretoria assumiu.
 
Tentei por todos os caminhos o espaço de um artigo na página 2 para esclarecer o assunto, já que num período de dez dias, houve um colunista do jornal desqualificando os estudos em sua coluna, uma nota no mesmo tom na coluna da Sonia Racy e o editorial. O jornal negou o espaço.
 
Depois de muita insistência, consegui apenas a publicação de uma carta da assessoria na seção de cartas dos leitores no dia 18 de abril, um sábado, emenda do feriado de Tiradentes.
 
Um dos autores do estudo se sentiu pessoalmente atingido pelo editorial que desqualificava seu trabalho, solicitou também o espaço de uma carta para poder dar seus argumentos, já que em momento algum, apesar das críticas, os jornal procurou ouvir os autores dos estudos. Regrinha básica do jornalismo: ouvir o outro lado.
 
Dia 27 de abril, encaminhei pedido por email ao jornal, que o ignorou, sequer me mandou resposta. Insisti nos pedidos, pois o jornal vem desqualificando a atuação do Ipea sistematicamente, em colunas, reportagens,  artigos e três editoriais. Negou ao Ipea um direito de resposta decente, o espaço de artigo na página 2, mais nobre e mais longo para se defender democraticamente. Publicou apenas aquela carta minha na seção dos leitores, nada mais justo, portanto, publicar também uma carta de um autores criticados. Apenas ontem, dia 6 de maio, recebi um email lacônico negando espaço ao autor. 
 
Diante da negativa, encaminho aos blogs a carta do pesquisador Eneuton Dornellas Pessoa de Carvalho.
 
Encareço a você, caro jornalista, que publique esta história e a carta em seu blog.
 
Muito grato.
 
Estanislau Maria.
Assessor-chefe de imprensa do Ipea.

A carta : O MITO DO ESTADO INCHADO

Desde que foi publicado o Comunicado “Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução”, que se desenrola polêmica a respeito de um suposto inchaço do Estado brasileiro. Nada mais saudável. Até então, havia somente uma certeza: a de que o Estado brasileiro é inchado e ponto final. Mas baseada em quê? Quais os números? Que critérios de comparabilidade?

Quem se der ao trabalho de ler o Comunicado (www.ipea.gov.br) vai perceber que se trata de algo meramente descritivo, sem quaisquer ilações, para além das que os números podem sustentar. Metodologicamente, tivemos o cuidado e o rigor de levantar, exaustivamente, todas as conceituações para o emprego público, passíveis de operacionalização pelas fontes de dados disponíveis, a saber: os Censos Demográficos, a Pnad e o Rais. Além disso, mapeamos, na literatura internacional, os conceitos de emprego público utilizados pela Cepal, OCDE, OIT e Banco Mundial, e optamos, no caso do Brasil, pelo conceito o mais amplo possível, mesmo em relação aos utilizados por esses organismos internacionais. Por outro lado, estamos cientes das limitações dos conceitos, dado as novas dimensões do emprego público, especialmente no que tange ao universo dos terceirizados no setor público.

A radiografia e a evolução do emprego público, que ora esquadrinhamos, e da qual extraímos o trabalho em tela, faz parte de uma pesquisa mais ampla, que tem como foco a gestão dos recursos humanos no serviço público, desenvolvida em parceria com a Secretaria de Recursos Humanos e a Secretaria de Gestão do MPOG, a Enap, e que conta com a colaboração do IBGE. Institucionalmente, a Pesquisa se insere no âmbito do Eixo Temático de Investigação do Ipea: Estado, Instituições e Democracia.

A propósito, a pesquisa foi concebida a partir da idéia de que o aperfeiçoamento das instituições e dos organismos estatais, voltado para uma atuação cada vez mais qualificada, em prol do desenvolvimento econômico e social do país, é um processo que requer ação continuada. Assim, numa perspectiva de longo prazo, a questão da gestão dos recursos humanos no setor público passa a ser uma área de investigação permanente no Ipea.

Recomendam a boa literatura sobre a gestão dos recursos humanos no setor público, serem fundamental o dimensionamento do número de servidores, sua distribuição, modalidades etc. Só por isso a pesquisa se iniciou com o levantamento do quantitativo do emprego público. Aliás, coisa que nunca se fez. Na última reforma administrativa, nos anos 90, por exemplo, o diagnóstico do Estado inchado fundamentou os Programas de Demissão Voluntária, os denominados PDVs. Nos governos estaduais, a implantação dos PDVs comprometeu a oferta de serviços de saúde, educação e segurança, sem contar que iniciativas desse tipo levam à saída dos bons servidores, mais aptos e dinâmicos, com maior capacidade de inserção alternativa no mundo do trabalho, justamente aqueles os quais uma boa gestão dos recursos humanos deve buscar retê-los.

Do acima exposto, não nos cabe a pecha de defensores do empreguismo público de per si. De outra parte, cientes de que cerca da metade dos jovens, na faixa etária de 15 a 25 anos no país estão fora do ensino médio, e de que somente cerca de 40% das crianças aptas para a educação infantil estão matriculadas na pré-escola, que o Estado brasileiro precisa aumentar e melhorar sua presença nas áreas de fronteira, de conflito agrário e de preservação ambiental, de que a porta de entrada no SUS ainda é estreita e que para estes não cabem a solução do mercado é que identificamos a tendência à expansão dos serviços públicos e, por conseguinte, do emprego público no País.  

Eneuton Dornellas Pessoa de Carvalho é pesquisador no Ipea e um dos autores do trabalho “Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução”"


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quinta-feira, 7 de maio de 2009

DEFLAÇÃO

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Existe no horizonte americano, algo com o qual todos nós devemos nos preocupar. É a deflação. Ao contrário do que aparenta, ela é tão nociva quanto a inflação pois a base de uma economia capitalista é justamente, a inflação, o "crescimento" da economia. Se todos os preços recuam, a menos que seja por um curtíssimo período de tempo, o dinheiro vai se desintegrando pelo simples fato de que sua empresa pagou "x" para produzir algo hoje, amanhã só poderá vender este produto por "menos x". 

Quer dizer, estará pagando para trabalhar. O resultado naturalmente, são as demissões avantajadas. Na inflação, que normalmente não combina com recessão, uma parcela da economia fica alijada do consumo abastado, contudo, o desemprego costuma ser muito baixo já que os reajustes de preços mascaram o valor real da moeda e a impressão de dinheiro se encarrega de sustentar o eixo principal da roda da economia.

Há outras variantes, naturalmente, que são complexas e nelas não convém nos adentrarmos. Mas como disse um comediante trazido pelo Economist sobre a deflação nos EUA: "Nós nos tornaremos o Zimbabwe ou ou Japão?".

O Zimbabwe como se pode imaginar, mergulha na inflação e o Japão, o contrário.

Decerto que entre uma escolha dessas você diria, ora, que virem o Japão. Mas infelizmente não é assim tão simples. A economia japonesa tem uma dinâmica substancialmente diferente da economia estadunidense. Além do mais, os EUA são os maiores compradores de produtos do mundo e são eles que ajudam a segurar a deflação do Japão adquirindo seus bens produzidos. Mas quem consumirá toda a tralha produzida pelos Estados Unidos no caso de eles mesmos entrarem nesse cenário sombrio?

A China sozinha não daria conta. E a Europa está tão quebrada quanto o Tio Sam.

Este sim é um cenário que eu não gostaria de ter no meu horizonte. Se isso acontecer, definitivamente a crise de 2009 superará a de 1929 em 30 vezes, dadas as fantásticas diferenças na dinamicidade das economias de hoje em dia, e a brutal interdependência do mundo capitalista atual. Coisa que há 100 anos era bem diferente.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

AMORIM: "EU SOU ASSESSOR DO CARA"

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Quem tem saudade da época onde o Chanceler brasileiro tirava o sapato no aeroporto para entrar nos EUA? Bem, eu não tenho. Sou Celso Amorim desde criancinha. Ele é competente, destemido e não tem aquele complexo de Terceiro Mundo que tinha Celso Lafer, ou seu mandatário, o presidente FHC que achava (procure nos discursos dele como deputado) que o Brasil só teia futuro se fosse um anexo dos Estados Unidos.

Aqui reproduzo uma entrevista dada por Amorim à revista Istoé e republicada no Vermelho.

"Amorim: 167 países em seis anos

Os comprimidos de omeprazol foram trocados pelo chá de camomila. Mas o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ainda mantém o hábito de dormir sempre que pode e comer pouco. É dessa forma que ele aguenta uma rotina pesada de viagens e missões nas quais representa não apenas o governo brasileiro, mas, muitas vezes também, as posições de outros países em desenvolvimento. Desde o início de sua gestão, Amorim já visitou 167 países - vários mais de uma vez - totalizando 468 dias fora do Brasil. E isso sem contar as mais de 80 viagens nas quais acompanhou o presidente Lula.

Dois terços da gestão fora do Itamaraty

Ele estima que tenha se ausentado de Brasília quase dois terços do tempo em que comanda o itamaraty. Tamanho esforço, segundo ele, tem o seguinte saldo: hoje o Brasil participa como protagonista das principais discussões globais, sejam políticas ou econômicas. "Quem diria, há seis anos, que os principais negociadores comercias seriam Estados Unidos, União Europeia, Índia, china e Brasil?", disse à Dinheiro. "As oportunidades aparecem, mas se você ficar o dia inteiro trancado no quarto, nem as vê. E muito menos as aproveita."

Amorim tem plena consciência do que fala. Hoje, o Brasil integra o mercosul, a Unasul, o G5, o G20 financeiro e o da OMC, que ajudou a criar; participa das reuniões do G8, além de integrar o Bric e o Ibas. As siglas diversas pouco importam no momento. Significam que o Brasil conseguiu um lugar ao sol na cena política internacional. "Mais que convidado, hoje, o Brasil é demandado", diz Amorim.

Elogios da Newsweek

Se no cenário interno o ministro ainda se irrita com algumas críticas, como as que apontam que o Brasil estaria se ligando demais aos países em desenvolvimento ou que há uma obsessiva ambição em pertencer ao Conselho de Segurança da ONU, ele se vinga no plano internacional. Nos últimos trinta dias, o Brasil foi tema de duas capas da edição internacional da Newsweek. Ambas exaltam a forma como o país conseguiu se destacar no tabuleiro mundial, citando o bom estado da economia, o diálogo franco travado entre o presidente Lula e outros líderes e, claro, a força da diplomacia nacional. "Acho que nem se eu escrevesse seria tão favorável", brinca amorim.

O fato é que o Itamaraty tem conseguido, com uma boa dose de paciência, atrair os vizinhos sul-americanos para a sua órbita. Sem contar as visitas junto ao presidente, amorim viajou 51 vezes para os países da região. Algumas vezes para apagar incêndios, como é o caso mais comum com a Argentina, mas a grande maioria foi para manter o contato estreito iniciado na gestão Lula.

Mais mastros para as bandeiras dos visitantes

A intensidade e a diversidade das relações brasileiras ficam evidentes no calendário de visitas. Nesta quarta-feira 6, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad estará no Brasil [Nota: na segunda, 4, a visita foi adiada]. No dia seguinte, é a vez do presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Às vezes, são várias no mesmo dia, como se pode ver nas bandeiras hasteadas em frente ao itamaraty. "Outro dia tinha a bandeira do irã ao lado da do reino Unido", conta Amorim. Ele já mandou instalar mais dois mastros desde o início do governo.

O ritmo imposto à política externa, no entanto, não teria sobrevida se não contasse com o engajamento pessoal do presidente Lula. "Somos pessoas com histórias de vida diferentes, mas temos uma afinidade de pensamento", explica amorim. Uma afinidade que é criticada por parte da diplomacia, que considera a política atual muito "de esquerda". Nos corredores do palácio ouvem-se críticas à atenção excessiva a países em desenvolvimento, com abertura de embaixadas na África e no Oriente Médio.

Amorim não se importa. Diz que a crise mostrou que a diversificação está sendo boa para o Brasil, hoje menos dependente dos mercados centrais. A relação com os Estados Unidos, se já era boa no governo George W. Bush, ficou mais respeitosa com Barack Obama. "Sem os Estados Unidos é difícil fazer uma coisa global, mas eles perceberam que sozinhos também não fazem nada. Por isso, quando eles pedem sugestões acho que estão sendo sinceros", afirma o chanceler. Na reunião do G 20, Obama chegou a referir- se ao presidente Lula como "o cara". Se ele assim o é, quem será Celso Amorim? "Sou o assessor do cara", brinca. "Eu não sou o cara, mas o Brasil é o país. Não há conversa sem o Brasil."

"A crise provou que nossa política foi bem feita"

O ministro Celso Amorim analisou as relações do Brasil com os países do continente e com outros emergentes. Confira, a seguir, trechos de sua entrevista exclusiva à IstoÉ Dinheiro:

O Brasil tem aparecido bastante no cenário internacional. O que mudou para que o país tivesse esse reconhecimento?

Mudou o Brasil, pra começar. Não é uma mudança que ocorreu apenas neste período de democracia, estabilizou a economia e a política externa. O presidente Lula teve uma disposição muito grande. Nos primeiros dois anos de governo ele visitou e recebeu todos os presidentes sulamericanos. Quando criamos a Unasul, falavam que estávamos cutucando a onça com vara curta. Agora o presidente Barack Obama pediu uma reunião com o grupo. O presidente visitou 21 países da África. Agora, ele vai à China, Turquia e Arábia Saudita. É importante do ponto de vista econômico e comercial. E é curioso porque agora você lê conselhos que é o que já praticávamos ontem. Esse alinhamento sul-sul, alianças com países em desenvolvimento...

A crise, centrada nos países desenvolvidos, avalizou essa política?

Nós preferíamos que não tivesse crise. Mas ela foi uma comprovação irrefutável de que essa política de diversificação foi bem feita. Se tivéssemos feito os acordos de livre comércio na pressa, como muita gente queria que fizéssemos com os Estados Unidos e a União Europeia, teríamos problemas. Todos os países que fecharam acordos de livre comércio com eles tiveram seus déficits aumentados. Num momento de crise como esse, nossa vulnerabilidade externa seria bem maior.

A China é hoje o principal parceiro comercial. Ela será a salvação do Brasil?

A China foi no mês passado, não sei se isso continua até o fim do ano. A salvação do Brasil é o Brasil. Temos um bom mercado interno. A distribuição de renda contribuiu para isso, as obras do PAC também. Agora, é claro que a recuperação da economia chinesa vai ajudar muito. Com a ênfase deles para o mercado interno, poderá até haver uma abertura maior para nossos produtos industriais.

O sr. fala que os próprios chineses reconhecem que o comércio está desequilibrado. É um discurso parecido com o nosso em relação à Argentina...

A vida é assim, né? O comércio internacional não é um jogo de dois parceiros, mas de múltiplos parceiros. Então você não pode esperar que todos os intercâmbios sejam absolutamente equilibrados. Nem a Argentina pode esperar isso de nós e nem nós da China.

A relação dos Estados Unidos com o restante da América Latina mudou na Cúpula das Américas?

Acho que os Estados Unidos entenderam que a América Latina não é um todo homogêneo. A palavra mais usada foi diversidade. Há um respeito mútuo. É claro que sempre há conflitos. Mas não há mais aquela postura "eu tenho razão e eu vou impô-la ao mundo".

Nesta nova relação dos Estados Unidos com a região, como fica a posição do Brasil como intermediário?

O Brasil sempre terá um peso importante na relação internacional. E parte do peso que tem é sua boa relação na região. Sua capacidade de enfrentar pacificamente, sem grandes conflitos, na região. Isso é parte do nosso poder.

Quais são os próximos passos da diplomacia brasileira?

Não podemos escolher uma única linha de ação internacional. A América do Sul sempre será a prioridade número um. Mas o país tem feito muito com a África e vai continuar fazendo. Tem feito com os Brics e vai aprofundar. Vamos continuar trabalhando em outras ações com países em desenvolvimento. O Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) tem cada vez mais prestígio. Tem muita coisa pra trabalhar, mas de repente surge um tema novo."

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terça-feira, 5 de maio de 2009

MEMÓRIA CURTA

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Naturalmente não vou perder meu tempo, nem de nossos estimados leitores e colegas, para que tentemos entender o que se passa na cabeça dos mandantes da mídia nacional. De toda forma, vejamos o que saiu hoje no Guardian (tradução livre):


"Pierre Lamuniere, presidente da FIPP (Federação Internacional da Imprensa de Periódicos)* abriu o Congresso Mundial das Revistas FIPP em Londres esta manhã com uma visão da situação da indústria global de revistas e disse: "Nós estamos lutando contra a pior recessão que nossa indústria já enfrentou".

Com a exceção da China e do Brasil, disse ele, a indústria está numa posição onde não há escolha senão fazer o downsise, mas ele advertiu contra o pessimismo, dizendo que é importante adotar uma perspectiva de longo prazo, inovar digitalmente e encorajar a feitura de prósperos negócios na área".

Atentem para o descrito. "Com a exceção da China e do Brasil". Bem, como diria Mino Carta, até o mundo mineral sabe que se os políticos azuis e amarelos de bico grande estivessem no poder no Brasil, estaríamos afundados na pior crise da história, porque oras, já teriam sido vendidos e privatizados todos os pilares que estão, justamente eles, sustentando o país na atualidade, e que nos impedem de ir pelo ralo como o resto do planeta.

Serra ou Alckmin teriam vendido a Petrobrás (lembram da Petrobrax de FHC?), privatizado o Banco do Brasil, todos os bancos estaduais que ainda restaram e que são poucos; o BNDES voltaria a ser o braço do empreguismo e da distribuição de dinheiro para os ziliardários da nação, os pedágios continuariam a aparecer custando 10 reais o trecho e não 1 real como é hoje em dia, e por aí vai.

Mesmo assim, nossa mídia quer porque quer trazê-los de volta ao poder. Os motivos? Claro, sob um governo tucano, eles teriam vantagens das quais hoje não dispõem. De toda forma, se estivessemos no buraco, sequer conseguiriam vender jornais e revistas. Nossa mídia estaria no caminho da americana ou da inglesa. Fechando portas, demitindo milhares e passando o chapéu.

Mas claro, quem se importa? Poderiam até fechar as portas ou demitir toneladas de trabalhadores. As tetas generosas do governo estariam sempre por perto para acudir os amigos do rei.

Esse é o saudoso Brasil amarelo e azul dos tucanos. 

E tem gente que ainda acha que eu estou exagerando. Devem mesmo ter memória muito curta.

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A DITADURA E A IMPRENSA

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O Vermelho trouxe um texto, veiculado pelo Estadão e outras agências, mostrando como o governo militar fazia para debelar imprensa nanica em nosso país.

Aliás, convém reparar bem nas palavras de Passarinho, a imprensa NANICA era muito violenta. Sabemos que os não nanicos eram bem dóceis com a ditadura. A Folha, o Estadão e O Globo não nos deixam mentir.

Depois de lido este post, dê uma olhada nos links que mostram inclusive certos senhores ilibados da nossa imprensa, que faziam parte do CCC, grupo neonazista que aniquilava comunistas.


Alguns trechos:

"Uma operação secreta de uso da Receita Federal para exterminar a imprensa alternativa foi desencadeada entre 1976 e 1978 pelo governo Ernesto Geisel (1974-1979). É o que mostram documentos sigilosos da extinta Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça (DSI-MJ), obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo e divulgados nesta segunda-feira (4).

Embora notabilizado pela suspensão da censura a jornais, pelo fim da tortura de presos políticos e pela distensão "lenta, segura e gradual", o general, penúltimo ditador do ciclo militar de 1964, autorizou a ofensiva contra os pequenos veículos em despachos com o então ministro da Justiça, Armando Falcão. O ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, concordou com a ação, proposta pelo II Exército — hoje Comando Militar do Sudeste, de São Paulo.

A autorização de Geisel para um ataque fiscal ao jornal Versus está documentada em ofício de 1º de setembro de 1978. Nele, o chefe de gabinete do Ministério da Justiça, Walter Costa Porto, transmite pedido da Polícia Federal para liberar a ação. A resposta vem manuscrita. "Confidencial. Conversei, no despacho de hoje, com o Exmo. Sr Presidente da República, que aprovou a medida", escreve Falcão.

"Prepare-se, assim, o competente expediente ao Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Em 11.9.1978. A. Falcão", encerra a carta. Uma lista com Versus e outras 41 publicações que deveriam sofrer o mesmo processo da Receita, entre elas O Pasquim e Movimento, integra o dossiê. Em outro ofício, de 26 de abril de 1978, Costa Porto encaminha informação do "senhor ministro-chefe do SNI" — João Figueiredo, posteriormente presidente da República. Ele reproduz o texto de Figueiredo: "Considerando que a imprensa nanica continua proliferando, conclui-se que a operação dos Ministérios da Fazenda e Justiça, visando a retirar de circulação esses jornais cuja viabilidade econômica é questionável, está resultando infrutífera".(...)
(...)

Humberto Barreto, ex-secretário de Imprensa do presidente, nega ter sabido dela. "Por mim, não passou", diz. O ex-senador e ex-ministro Jarbas Passarinho também diz desconhecer a articulação. "O que eu ouvia dos líderes do presidente é que ele tinha aberto a liberdade de imprensa, exceto para a imprensa nanica", explica. "Ela era muito violenta."

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Hoje, naturalmente, sabemos que não é mais preciso qualquer ação mais violenta para seviciar nossa imprensa já acostumada a ganhar algum. Basta acenar com um dinheirinho que tudo vai bem.

Raras e honrosas exceções à parte, proliferam jornalecos para agredir prefeitos, deputados, e quaisquer outros candidatos (especialmente se forem da esquerda) às vesperas das eleições nas cidades. No âmbito federal, a imprensa grande se incumbe de escolher e tentar empossar (de preferência sem o pleito eleitoral) seu candidato predileto. Claro, tudo mediante uma boa "contribuição" que virá de maneira geral, em verbaspublicitárias e obras inúteis mas devidamente adequadas aos interesses dos empresários da mídia.

Isso é ótimo para os golpistas de plantão. Casas congressuais que são uma balbúrdia como infelizmente é o caso de nossa Câmara e de nosso Senado, e uma imprensa quase que integralmente vendida aos interesses econômicos, fazem a população perder a noção e o sentido, perder a graça em ver uma democracia instalada. Acaba achando que na época da ditadura, era melhor, que se roubava menos.

Ledo engano, naturalmente. Mas como convencer o povão, inclusive os "sabe-tudo" da classe média de que focinho de porco não é tomada?

Como dizia a pouco corajosa Regina Duarte, "eu tenho medo"

Clique aqui para ver quem era o Boris Casoy que participava do CCC.
Clique aqui para ver a Regina Duarte dizendo que o Lula era comunista. E ela tinha medo.
Clique aqui para ver como o Grupo Folha protege os "seus"
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domingo, 3 de maio de 2009

ESTADÃO: "TERRORISTA" VISITA LULA

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O título deste post é uma antevisão da manchete do diário nazista da capital paulistana.

Acontece que o presidente do Irã fará uma visita ao Brasil, portanto, vá se preparando para ver tonterías como essas nas páginas fecais de nossos jornalões. 

"O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, disse que existem "afinidades políticas" entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e que essas semelhanças "justificam a aproximação" entre os dois países. "Essas semelhanças se encontram, por exemplo, na ideia de justiça social, no combate à pobreza e na luta contra políticas colonizadoras modernas", disse o embaixador à BBC Brasi"l (leia no Vermelho).

O que vai acontecer antes da visita é o seguinte: crônica da morte anunciada. Nossa mídia estúpida e requentada, vai fazer reportagens sutís sobre o "terrorista" Ahmadinejad, com um linguajar engajado e sorrateiro como nem a própria mídia estadunidense faz.

Se duvidar, veremos aqui e alí os filhotes do PFL fazendo passeata de "fora Irã". Bem verdade que serão poucos os manifestantes. Caberiam numa Kombi pois nem que se esforcem, esses radicais da extrema-direita conseguem ser inteligentes a esse ponto.

Naturalmente, tudo com a intenção de colar no governo brasileiro a imagem de associado à bandidos. Cômico que quando Lula visitou Bush e se dava bem com ele, mesmo o planeta todo sabendo dos crimes cometidos pelo presidente dos EUA, ninguém ousou perguntar ou reclamar da proximidade havida entre os mandatários.

Uma vez, em entrevista coletiva nas vésperas da eleição de 2002, perguntaram pra Lula o que ele dizia sobre suas visitas a Fidel Castro, seu relacionamento com ele.

Em suas palavras, Lula disse que nada tinha a falar sobre isso e ter amizade com Fidel era inclusive algo do que se orgulhava muito.

Foi uma vez só. O jornalista calou a boca e se fingiu de samambaia.

Na saga incansável de passar uma rasteira no operário-presidente, vão preparando o saco de vômito pois serão muitas as a pataquadas da mídia brasileira; dos Kamel, das Mirians, dos Mesquitas, Marinhos, Frias. E claro, last but not least, Mainardi e o indefectível Reinaldo "chapéu" Azevedo. Argh!


p.s.: Depois que publicamos este post, nossa imaginação não demorou a tornar realidade. Clique aqui para ler o papel ridículo da revista Época.

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A INTELIGENTE MIRIAM E O BANCO DO BRASIL

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Muito coerente a resposta de Ricardo Berzoini às tolices bravateadas pela sabichona da televisão brasileira, Miriam Leitão a respeito da decisão do Banco do Brasil em baratear os juros. Ela diz que entende de economia (aposto meu salário do mês como ela jamais leu  3 páginas do Capital - deve ter lido os resumos, que é bem mais a cara dela).

Mas eu não me entristeço com as bobagens que Miriam fala. Me entristeço é, como hoje, século 21, quase em 2010, alguém ainda leve em conta esse amontoado de vassalagem apregoado por ela. Por outro lado nada mais natural, vindo de quem vem. Ela está apenas defendendo os que lhe pagam o (altíssimo) salário.

Vamos ao artigo de Berzoini, trazido pelo blog do Azenha:

"Por que o mercado derrubou dona Leitão

por Ricardo Berzoini

A colunista econômica Mirian Leitão escreveu um artigo, após a mudança de comando no Banco do Brasil, intitulado "Por que a demissão derruba as ações do BB". Conhecida defensora das teses neoliberais que arruinaram o Brasil sob FHC, dona Leitão não se conformava com o exercício, pelo acionista majoritário, do direito de mudar a presidência da empresa. Para dona Leitão, o BB é do "mercado" e os minoritários (que ninguém consultou para saber se seriam contrários à mudança) devem mandar no majoritário. Curioso é lembrar que, nos casos Encol e Maxblue, não vimos dona Leitão criticar os tucanos (à época legitimamente exercendo o papel de acionista majoritário) pela gestão temerária.

Disse dona Leitão em seu texto: "O Banco do Brasil é empresa de capital aberto. O governo não é o dono, é o maior acionista. Por isso, a demissão assusta e derruba as cotações. O spread bancário é um problema grave, mas o presidente da República não pode administrar um banco de economia mista. É um disparate. Nenhuma intenção de defender o presidente do Banco do Brasil que foi demitido, apenas é preciso entender como a economia funciona: se o BB tem acionistas privados, ele tem que operar com as regras do mercado, buscando lucro e competindo com os outros bancos. Se ele vai ser administrado pelo presidente da República ou pela chefe da Casa Civil, então não pode ter ações no mercado. Ou uma coisa ou outra."

De fato, o governo não é o dono do BB, mas o Estado brasileiro é o acionista amplamente majoritário. Quem compra ações do BB sabe disso, sabe inclusive que é um banco que não quebra. O acionista do BB não corre o risco que atingiu os cotistas do Banco Nacional, do Bamerindus, do Econômico ou do Lehman Brothers. Ele deve sim, óbvio, dar lucro. Mas quem disse que deve dar uma rentabilidade de 30% ao ano? Onde está escrito isso?

Recentemente, o presidente da Petrobrás (não é Petrobrax, como queriam os amigos de dona Leitão), Sérgio Gabrieli, foi incluído entre os finalistas do Premio Platts de Energia, na categoria "CEO do Ano" (executivo-chefe do ano). Gabrieli é filiado ao PT e reconhecido mundialmente como um dos melhores gestores do setor. A Petrobrás é uma das ações mais valorizadas dos últimos seis anos.

Não há contradição em ser uma empresa estatal e ter ações na bolsa. E não há problema quando o acionista majoritário anuncia que tem diretrizes para a empresa que não se restringem à busca de remuneração para os acionistas. Quem compra ações sabe que em qualquer empresa o majoritário manda, no que não contrarias as leis e o estatuto da companhia.

Dona Leitão também sabe disso. Mas é preciso criticar o governo Lula. E defender o neoliberalismo.

O problema é que dona Leitão não entende nem mesmo de mercado. Depois de anunciada a mudança no BB, dia 8 de abril, as ações do banco, de fato, caíram 8,15 % no primeiro dia, e 2,8% no segundo. Hoje, no momento em que escrevo esse artigo, as ações estão praticamente no mesmo valor que tinham no dia 7 de abril. Alguns especuladores devem ter vendido ações no dia 8, prevendo já os artigos iluminados dos neoliberais. Talvez tenham recomprado dias depois, embolsado um lucrinho. Talvez vendam na semana que vem e comprem daqui a um mês. Assim é o mercado.

Mas não pensem que dona Leitão fará autocrítica. Ela prosseguirá dizendo que é preciso cortar os gastos, que o Estado é um mal e que só o mercado salvará a humanidade. Nós, do PT, nunca negamos que o mercado deve ser fortalecido. Em 2002, debatemos com o grupo de diretrizes do mercado de capitais, na BOVESPA, as medidas que o governo Lula tomaria para fortalecer as regras e o funcionamento do mercado acionário e de títulos. Nós entendemos de mercado. E sabemos que as flutuações momentâneas só enganam os tolos. E alimentam os discursos dos "espertos".

Mas nós, do PT, sempre dissemos o que agora parece claro, até para alguns liberais. Sem um poder público forte, democrático e transparente, que regule e supervisione o mercado e atue em certas áreas diretamente, a conta vai para o povo, que sofre as consequências da esperteza alheia.

Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) era funcionário do BB. Grande escriba, produziu o FEBEAPA, coletânea de crônicas sobre o Festival de Besteira que Assola o País. Se estivesse vivo, poderia escrever o FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais)."

Honestamente, se eu fosse você, deixava de gastar energia elétrica da sua casa assistindo ao insensato Bom Dia Brasil. Também deixava de jogar dinheiro fora comprando O Globo ou a Folha. Todo mundo já sabe que eles não oferecem notícias, oferecem a opinião do que é melhor (para eles)

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"BRUTAIS DIFERENÇAS, DONA MIRIAM"

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Faço minhas as palavras do blog FBI-Festival de Besteiras da Imprensa. A seguir, as reproduzo:


"Com o título “Sutis diferenças”, Miriam Leitão escreve sobre a entrevista coletiva de Barack Obama, ao final de cem dias de governo, em sua coluna de hoje (1/5/09), no jornal O Globo. 

Ao longo do texto, ela compara o estilo Obama com o estilo Lula, apenas sugerindo o nome deste, e afirmando, com fundamentação rasteira, a superioridade do primeiro sobre o segundo. 

Vamos à análise dos fatos. É verdade que há sutis diferenças entre os dois, sabidas por todos(as). 

O mesmo não se pode dizer das brutais diferenças entre a relação da imprensa americana com o Obama e da imprensa brasileira com o Lula. 

Obama recebe um tratamento decente e democrático da imprensa de seu país. Porque esta entende que ele foi eleito por maioria de votos para exercer o seu mandato e, portanto, tem que ser respeitado. A imprensa de lá respeita, portanto, os eleitores do Obama e mesmo os do McCain que, após a vitória do primeiro, assumiram-no como o seu presidente. 

Lula eleito, também, por maioria dos votos, recebe, desde o primeiro dia de governo, em 2003, um tiroteio sem fim da imprensa que Míriam Leitão representa tão bem; uma imprensa que manipula a informação, fazendo afirmações e emitindo juízos sem fundamentação, em grande parte dos casos. 

Uma imprensa que não respeita os eleitores do Lula e os do Serra (em 2002) e do Alckmin (em 2006), que juntos àqueles assumiram, também, que Lula é o seu presidente. Vide os índices de aprovação do seu governo, bem superiores à votação obtida nos dois momentos. 

Embora Obama seja negro, num país profundamente racista, a imprensa o respeita e o trata com dignidade. 

Lula, por ter origem operária, num país que cultua tão fortemente os diplomas (sejam ou não comprados), é rejeitado e bombardeado desde o início do seu primeiro governo. Para piorar - crime hediondo! - é socialista. 

A imprensa norte-americana veicula, diariamente, com destaque, as ações positivas do governo Obama (a metade do copo com água) e veicula, também, os problemas. O que é o papel de uma imprensa decente. 

A imprensa brasileira, desde o início do governo Lula, mas principalmente após o primeiro ano de governo, só mostra a metade vazia do copo d’água, apenas divulgando as medidas positivas quando não tem jeito. Isto porque, devido ao boicote e manipulação das informações, o Lula acabou se especializando em criar “fatos jornalísticos”. 

Por isso ele tem que fazer, em seus discursos e entrevistas, o que a Míriam chama de “auto louvação”. Como ele se comunica bem com o povo, tem que aproveitar para divulgar as realizações do seu mandato em todas as brechas que aparecerem porque, se depender da imprensa, isso não acontecerá. 

Agora mesmo, de outubro de 2008 para cá, a cobertura da imprensa tem sido vergonhosa – uma brutal diferença da de lá. Inicialmente, tentou de todas as formas responsabilizar Lula pela crise mundial. Como ficou clara a “forçação de barra“ nessa direção, mudou a tática. 

A partir de novembro, todos os dias foram dadas notícias ruins, potencialmente ou artificialmente, ligadas à crise mundial, com bastante destaque. Quando apareceram bons indicadores, a notícia foi dada comparando-se estes com os de antes da crise. 

A idéia-força é “melhorou alguma coisa, mas está muito longe do que foi há um ano atrás". 

A postura pessimista-oposicionista da imprensa – de quem Míriam Leitão é uma das principais representantes – passou a predominar, inclusive, contra os seus próprios interesses na relação com os leitores, transformando-se em mero instrumento – pago a peso de ouro – da elite econômica brasileira, no afã de retomar o poder político, com a eleição do Serra, em 2010. Fato é que todos os veículos da grande imprensa tiveram perda de audiência ou de leitores. 

Assim, essa estratégia de comparar números atuais com os de antes da crise tem como objetivo manter a sociedade pessimista e, com isso (acreditam eles), puxar para baixo os níveis de avaliação positiva de Lula e de seu governo. 

O azar da imprensa é que isso somente poderá ser feito até setembro porque, a partir daí, os números de 2009 serão, necessariamente, maiores do que os de um ano antes. A esperança da imprensa é que, até lá, surja uma nova oportunidade para continuar sua tentativa de “sangria” do governo Lula e viabilização do projeto Serra Presidente. 

Por tudo isso, fica claro que a imprensa brasileira é o principal partido de oposição ao governo Lula, desde a primeira hora. PSDB, DEM e PPS são meros coadjuvantes, cujos líderes e parlamentares apenas cumprem os papéis definidos pela cúpula da elite econômica brasileira. 

Já nos EUA, o partido de oposição ao governo Obama é o Partido Republicano. 

Como se vê, temos aí brutais diferenças, não é dona Míriam? "



Como vemos, já não são poucas as pessoas que entendem como nossa mídia é corrupta e adesista ao PSDB e ao PFL (que imaginam enganar alguém se autonomeando como DEM). Lixo.

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sábado, 2 de maio de 2009

FHC SURRUPIA OBRA DE COLEGA

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Você que é brasileiro, relativamente informado e tem mais de 20 anos, sempre soube que FHC é um cara ético, bem formado e que sabe respeitar as qualidades de seus amigos e concorrentes. E que por isso, aliás, quando ele viaja pelo mundo dando suas muito bem remuneradas palestras, vive elogiando o Presidente Lula e reconhecendo que em verdade, o operário iletrado fez muito mais pelo país do que o boquirroto metido a intelectual. Então você certamente se surpreendeu com esta notícia publicada nos Diálogos da revista Carta Capital.

"O guatemalteco Edelberto Torres-Rivas, de 72 anos, conta na recente edição da revista Critica y Emancipacion, do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso tentou tirar o nome do chileno Enzo Faletto da coautoria do livro Dependência e Desenvolvimento na América Latina. 

FHC fez uma primeira versão do trabalho como único autor da obra. 

Por pressão dos frequentadores do seminário semanal que FHC fazia em sua casa, no Chile, o “Príncipe da Sociologia” brasileira teve de incluir o nome de Faletto.

Mas claro que ninguém vai levar a sério o que foi publicado, afinal de contas, sabemos que a revista Carta Capital é um antro sujo de esquerdistas que só querem o mal para o Brasil, não é? Revista que deva ser levada a sério em nosso país, atende pelo nome de Veja. No mínimo Istoé ou Época.


Clique aqui para ver que o Globo não acha errado ter mansões nos morros. Só favelas.
Clique aqui para ver algumas diferenças da mídia brasileira e da americana.
Clique aqui para ver Arruda, amigo do trio da foto, sendo preso.
Clique aqui para ver o que FHC pensa sobre Lula.
Clique aqui para ver que os amigos não esquecem de FHC. Sempre querem ouvir o que ele diz.
Clique aqui para ver FHC (com seu inglês macarronico) apanhando no Hard Talk britânico.
Clique aqui para ver como a revista Veja prova o que ela quer.
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BRASIL DIVIDE A LIDERANÇA NA AMÉRICA

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No jornal espanhol El País se publicou uma olhada para o Brasil que divide a liderança das Américas com os Estados Unidos, deixando para trás os tempos onde líderes brasileiros eram servís ao ponto de tirar o sapato para entrar na terra do Tio Sam.

Por Soledad Gallego-Díaz

""El trabajo duro comienza tras la cumbre. Todos sabemos que el futuro de América Latina depende en buena parte del papel predominante que jueguen los dos países decisivos del hemisferio: Estados Unidos y Brasil. El futuro depende de las relaciones de comprensión y equilibrio que se construyan entre Washington y Brasilia". El análisis de David Rothkopf, experto estadounidense que ocupó un alto cargo en el Departamento de Comercio, resume uno de los grandes asuntos que recorre la cumbre de Trinidad y Tobago. ¿Cómo responderá la Administración de Barack Obama a los intentos de Brasil de imprimir su huella en el continente y de ejercer un liderazgo poco disimulado?

Tradicionalmente, Washington ha intentado aislar a Brasil del resto de América Latina, buscando relaciones bilaterales, país a país, y haciendo competir a los países latinoamericanos por una posición de favor o por un trato preferente. Durante décadas, EE UU intentó apoyarse directamente en México, Brasil, Chile y Perú como socios aislados, pero la situación en América Latina, sin ser homogénea, ha cambiado sustancialmente en los últimos años. Los 32 jefes de Estado que han acudido a Trinidad y Tobago han sido elegidos democráticamente y, sobre todo, Brasil ha ido adquiriendo experiencia y fuerza y reclamando, con discreción, pero sin dudas, que se le reconozca una posición predominante.

Brasil, asegura Rothkopf, no quiere estar en el mismo plano que Argentina o México, "es una nación que no quiere ser vista simplemente como el país más grande de América Latina, sino como un protagonista internacional respetable y respetado". Brasil es ahora mucho más sensible a cualquier estrategia estadounidense que pretenda aislarle del continente o que se empeñe en contener su influencia.

La prueba fue la megacumbre convocada por el presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, en diciembre en la costa de Sauípe, en la que por primera vez asistieron representantes de toda América Latina y el Caribe, incluida Cuba, sin la presencia de EE UU ni España. Sauípe fue una gran demostración de la fuerza diplomática brasileña y marcó un hito importante, no sólo por el regreso de Cuba a los foros latinoamericanos, sino también por escenificar la potente reaparición de México como interlocutor de Brasil.

Obama es consciente de que EE UU necesita recomponer su prestigio en América Latina, muy deteriorado en la etapa Bush, y de que su oferta de acabar con el unilateralismo no puede ser válida sólo para Europa. La forma en la que responda a la nueva posición de Brasil puede ser muy reveladora. Es seguro que ni Obama, ni ningún presidente de EE UU, va a estar dispuesto a renunciar a su protagonismo en el área americana, entendida de manera global.

"La presencia de otros poderes en América Latina", dijo Obama en uno de los debates presidenciales, "es más notoria debido a nuestra ausencia". La presencia de China, Japón o, incluso de Rusia e Irán, en América Latina se acentuó en la última década en busca de los productos alimenticios y de minería que muchos países latinoamericanos, y especialmente Brasil, pueden exportar, en cantidades masivas. Pero esa presencia se hizo todavía más llamativa, como advirtió Obama, por la progresiva ausencia de Estados Unidos, absorto en Oriente Próximo, Irak y Afganistán.

Eso, probablemente, es algo que la Administración Obama va a querer corregir urgentemente, aprovechando, además, la formidable popularidad del presidente estadounidense en América Latina y el Caribe, a la que no es ajena su condición racial. (Hasta el régimen de Castro encuentra dificultades para atajar el enorme orgullo que despierta Obama entre los negros cubanos).

Lo que importa saber ahora es si la administración estadounidense sigue creyendo que el protagonismo de Brasil puede ser una amenaza para sus propios intereses o si cree posible hacer compatibles las agendas de los dos países, asegura Kellie Meiman, autor de un trabajo sobre las posibilidades de cooperación entre Estados Unidos y Brasil. Ésa es una de las preguntas que muchos expertos en América Latina se están formulando estos días en los pasillos de Trinidad y Tobago.

El reequilibro de las relaciones entre los dos países más grandes de América, decisivo para la estabilidad democrática y económica del hemisferio, no está exento, sin embargo, de grandes dificultades. Primero, porque para ejercer ese liderazgo Brasil tiene que resolver antes algunos problemas diplomáticos serios con Paraguay, Bolivia o Ecuador, y porque tiene que lograr, además, que Argentina acepte un dibujo más realista de su papel en América Latina. Argentina, que siempre pensó en Brasil como un país "periférico", menos educado y más desigual, se encuentra ahora con que es Buenos Aires la que ocupa esa posición secundaria. Absorta en sus problemas políticos internos, Argentina tiene enormes dificultades para volver a analizar su papel internacional y para reconocer que, probablemente, su mejor opción sería pegarse a Brasilia, como un día Francia se pegó a Alemania.

Para Estados Unidos tampoco será fácil aceptar el liderazgo de Brasil, que rechaza tajantemente cualquier injerencia de Washington en los asuntos internos de los países latinoamericanos, y que se ofrece como interlocutor no sólo en América Latina, sino en todos los organismos internacionales. Entre medias, los dos países tendrán que encontrar una solución para el futuro de la Organización de Estados Americanos (a la que no pertenece Cuba, pero sí EE UU, y en la que, dicho sea de paso, España está presionando nuevamente para conseguir un estatus mejor que el de simple observadora) y para el asentamiento de otros organismos sin la presencia de Washington, como el Unasur, que ayuden a Brasil a mantener la estabilidad en la zona."


Naturalmente que você não deve ir esperando de agora em diante, muitas reportagens na mesma linha, feitas por jornais brasileiros e publicadas por aqui. Como se sabe, mostrar um Brasil vitorioso e respeitado ajuda a manter elevada a popularidade de Lula e a diminuir as chances de José Serra, o queridinho da mídia nacional, de finalmente assumir o posto que é seu por direito. Afinal, convém lembrar. Eleições para quê? Nossa mídia sempre apoiou a ditadura, mesmo.

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