terça-feira, 9 de dezembro de 2008

PREPARE-SE PARA A CHORADEIRA

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp disse que não tem sentido "decretar" uma recessão antecipadamente porque isso de fato, não serviria a ninguém.

Bem, talvez ele diga isso pensando numa pequena parcela de seu eleitorado na Federação, talvez os mais progressistas que sabem que uma leva de desempregados lança imediatamente toda a nação na desconfiança econõmica e por consequência, na diminuição dos ganhos de suas empresas.

Mas não sejamos ingênuos. Muita gente ganha com o adiantamento da crise. Especialmente aqueles que estão ávidos para fazer o sempre saudável downsizing, mandando para o olho da rua milhares de pessoas. Notadamente certos setores que não vendem muito no Brasil, ou não vendem muito para pobres. Assim, eles pouco se lixam se uma onda de desemprego assolará o País. Seu único intuito é manter a margem de lucro, como afirmou o presidente da Philips que no Brasil encabeçou o movimento "cansei" tentando pedir o impedimento de Lula (sem sucesso já que o ridículo movimento foi rejeitado até mesmo pela parcela dos mais ricos) .

Outro bom exemplo é a Vale, que inexplicavelmente despediu 1500 pessoas. Sejamos honestos, não foi uma tática perversa de aproveitar o momento para "jogar o entulho na calçada"*?

Logo acontecerá o mesmo com as montadoras, mesmo tendo seu mercado estimado num crescimento de 6 a 10% para 2009. Farão pressão, colocarão o governo nas cordas e pedirão mundos e fundos de isenção de impostos para "franciscanamente" não mandar ninguém embora.

Vendo tudo isso, percebo que muito pouco mudou desde a revolução industrial. Boa parte dos grandes empresários continua com o mesmíssimo pensamento daquela época; elitista e desconectado do resto do mundo, da realidade, do próprio cristianismo moderno. Pouco ligando se vivem rodeados de miseráveis numa ilha de riqueza. Querem mesmo é ter um séquito de pobres-diabos a seus pés.

Caso cresça a violência em virtude da miséria, também não se importam. Apenas colocarão as pessoas certas no poder paraassegurar que o pequeno criminoso, o ladrão de galinhas, fique atrás das grades ou se possível, sequer venha a nascer, de acordo com a teoria de Steven Levitt no Livro Freakonomics (crianças não desejadas pelos pais têm propensão maior ao crime em relação àquelas desejadas. Por isso o aborto serviria de um diminuidor natural da criminalidade da classe pobre).

Pensam com toda a certeza que estão acima do bem e do mal. Os diversos Daniel Dantas, os Marinho, os Civita que temos por aí podem persistir em sua política de exclusão, como sempre quiserem e sempre fizeram. Sua tática higienista de deixar a sociedade somente para meia dúzia.

Prestem atenção em quanta choradeira ouviremos de agora em diante por causa da "crise".

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* "jogar o entulho da calçada", de acordo com um jornalista amigo meu é jogar o excedente da mão-de-obra na rua da amargura, despedindo-o, para que o sistema público o recolha. Certas pessoas não querem ter o "ônus" de ajudar a manter a sociedade de pé. Isso caberia aos governos. O problema é que essa mesma elite não gosta de pagar impostos, ou seja, cuidar dos pobres como?

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